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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O Mistério da Minha Irmã, de Tracy Buchanan

O Mistério da Minha Irmã (COMPRAR) é um livro da autoria de Tracy Buchanan, publicado recentemente em Portugal pela Bertrand Editora.

Confesso que o título e a sinopse despertaram a minha curiosidade, mas não estava preparada para ser surpreendida desta forma, este livro é uma lufada de ar fresco nos livros do mesmo género, é aquele livro que eu costumo intitular de "dramas familiares", um género que gosto particularmente e que me rende sempre momentos de leitura agradável e prazerosa.

Nesta obra de Tracy Buchanan acompanhamos a protagonista Willow, que ao ser convidada para a exposição de fotografia de um reconhecido fotógrafo de florestas submersas, vê-se envolvida em mistérios que irão toldar a imagem que detinha das figuras paternas. 

Willow ficou órfã aos sete anos, após os pais perderem a vida na inauguração de um cruzeiro da empresa da família, e foi acolhida pela tia Hope, com quem mantém uma ligação complicada e um pouco distante. Willow cresceu e tornou-se uma mulher independente, mas também insegura e solitária, que ao aperceber-se dos mistérios que envolvem a sua família materna, decide enfrentar os seus fantasmas e descobrir a verdade que esconde a tia Hope.

A narrativa é alternada por capítulos narrados pela própria Willow e por capítulos narrados em terceira pessoa, no passado, que nos revelam a história da mãe de Willow, Charity, e das suas irmãs, como o leitor perceberá logo no início. Todavia, há Faith, uma tia que faleceu e que Willow nunca chegou a conhecer, é na morte misteriosa de Faith, no passado, que se centra esta obra.

O mais curioso é que o título "O Mistério da Minha Irmã" pode, na verdade, adaptar-se não apenas a Charity, mas também às suas irmãs, Hope e Faith. Todas mantinham segredos que as outras desconheciam e que acabariam por moldar a vida futura da pequena Willow.

Assim, em meio a um turbilhão de sentimentos tão contraditórios, Willow decide explorar os locais que a mãe explorou outrora e viaja até às florestas submersas, uma paixão da sua mãe, é neste clima intenso e marcado por descrições fabulosas dos locais por onde viaja, que o leitor é transportado para esta história permitindo-se absorver pelos dramas desta família, ansiando desvendar os seus segredos e até abraçar Willow, proporcionando-lhe alguma paz, dando-lhe algum conforto.

Gostei bastante da linguagem da autora; simples e eloquente. Uma prosa rica e prazerosa, que agrada ao leitor e que o mantém ansioso pelo capítulo seguinte. A construção da narrativa e do tempo que se divide entre o presente e o passado funcionou muito bem e permite-nos conhecer a história da mãe de Willow, mas paralelamente, a história de Willow.

Este é para mim um dos melhores livros do género, não consegui largá-lo! É uma obra que nos fala da essência humana, de sentimentos, de emoções, onde o amor, a vingança e a mágoa se cruzam, apelando ao nosso lado mais sensível. Uma excelente aposta da Bertrand.

Uma leitura:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Coraline e a Porta Secreta, de Neil Gaiman

Coraline e a Porta Secreta (COMPRAR) é um livro da autoria de Neil Gaiman, publicado em Portugal pela Editorial Presença há alguns anos e reeditado, recentemente, também sob a chancela da Presença.

Nesta narrativa acompanhamos a pequena Coraline, que se mudou recentemente para uma nova casa, onde tem como vizinhos, um estranho senhor que ensina ratos de circo, e duas atrizes em decadência, Mrs. Spink e Mrs. Forcible.

Coraline sente-se entediada na nova casa, os pais não lhe prestam grande atenção pois dedicam-se inteiramente ao trabalho nos seus computadores, e assim resta-lhe uma única alternativa; explorar a sua nova morada.

É nessas explorações que acaba por fazer uma descoberta, há uma porta em sua casa que, aparentemente, não dá para lugar algum, porém certo dia, como que por magia, essa mesma porta revela um corredor que a transporta para outro lado que se parece exatamente com a sua casa.

Mas não é apenas a casa que se multiplica, também os seus pais surgem nesse estranho lugar, contudo os seus olhos são botões cozidos no rosto. É tudo diferente e peculiar, mas os seus desejos parecem concretizar-se naquele lugar, todavia há um preço a pagar para tudo, e assim, se Coraline quiser ficar ali e ter tudo o que ambiciona só precisa permitir que a sua Outra Mãe lhe coza também os botões nos seus olhos.

Há uma mensagem sublimar nesta obra que tem um extremo impacto sobre o leitor e acredito que este livro, embora indicado para o público juvenil, pode ser lido pelos adultos que dele terão outro entendimento.

Não é um livro que pretenda só divertir e entreter, mas sim um livro com uma mensagem irreverente e aprazível, que envolve o leitor e o absorve. A linguagem de Neil Gaiman é direta, acessível e de leitura fácil, aliada a uma narrativa bem construída, com capítulos que fluem com naturalidade e ao ritmo certo.

Adorei o livro! Vi o filme quando era mais nova e está entre os meus preferidos do género, mas sem dúvida que o livro me conquistou muito mais, prendeu-me da primeira à última página porque é diferente, descontraído, divertido e marcante. Resta-me congratular a Editorial Presença por esta aposta e reedição fantástica, com ilustrações claras e apelativas.

Uma leitura:

Sofia no mundo das coisas perdidas, de Sérgio Mendes

Sofia no mundo das coisas perdidas (COMPRAR) é um dos mais recentes títulos do autor português, Sérgio Mendes, que em 2015 venceu o Prémio Literatura Infantil Pingo Doce. Este livro nasceu através da Coolbooks, chancela da Porto Editora.

Sérgio Mendes também já publicou outros livros do mesmo género com a Coolbooks, contudo, é a minha primeira experiência com ele e posso garantir que fiquei surpreendida, de uma forma muito positiva.

O livro é marcado por uma forte influência da autora Sophia de Mello Breyner Andresen e a sua publicação coincidiu com o centenário da própria, comemorado este ano.

Através de uma narrativa mágica e doce, recheada de segredos e mistérios, o autor apresenta-nos a protagonista Sofia, que vive numa mansão e que preza a leitura. 

Porém, há na sua mansão um armário de livros cuja leitura lhe está vedada, e há também uma ama com quem nutre uma relação difícil, é neste ambiente inquieto que a pequena Sofia, decidida a desvendar o mistério dos livros proibidos se aventura pelo mundo das coisas perdidas; um mundo divertido, curioso, pejado de emoção, magia e aventura.

Neste mundo, Sofia privará com seres estranhos, diferentes e improváveis, com os quais irá aprender algumas lições, que seguramente irão derreter o coração dos mais pequenos e, sobretudo, dos apaixonados pela leitura.

Este é um livro que, embora, dedicado aos mais novos, pode e deve ser lido por todas as idades, porque a sua história é simples e direta, marcada pela doçura e pelo prazer da descoberta, sentimentos que são tão naturais nas crianças.

Não conhecia a linguagem do autor, mas fiquei rendida à forma ternurenta com que nos conta a história de Sofia, cativando o leitor, fazendo-o apaixonar-se.

Uma leitura:

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Tu és aquilo que pensas, de James Allen

Tu és aquilo que pensas (COMPRAR) é um bestseller de desenvolvimento pessoal e espiritual, da autoria de James Allen, escrito há mais de cem anos, e que teve uma nova edição pela Albatroz, chancela da Porto Editora.

Este livro é, sem dúvida alguma, uma preciosidade, um pequeno tesouro para guardar sobre a mesa de cabeceira e no coração, com uma mensagem poderosíssima que a humanidade precisa e tem de aprender; o poder do pensamento.

Acredito que até os mais céticos serão capazes de ver esta verdade por outro prisma com a leitura deste livro, mas para aqueles que acreditam, esta obra nada mais é do que uma confirmação de tudo o que temos vindo a aprender.

Não é fácil controlar o pensamento, porém acredito que seja possível aprender a domá-lo, acredito que com o tempo, a prática e a força de vontade, podemos mudar as nossas mentalidades e a mentalidade daqueles que nos rodeiam.

Esta obra é marcada por uma linguagem delicada, mas direta, eloquente e apelativa, que transporta o leitor, o incita à reflexão, fá-lo ponderar sobre o que lê e sobre o que pensa. 

O autor conseguiu com mestria tornar este livro numa relíquia, que serve de ensinamento ao leitor, que o leva a aprender, a sorver as suas palavras e a desejar que as mesmas se entranhem em si. 

Durante a leitura que, por acaso, fiz em menos de uma hora, senti uma leveza indescritível, um desejo de recomeçar, senti que o autor falava comigo, e é isto que todos queremos de um livro, sobretudo, de uma obra deste género em particular.

A sensação de que não estamos sozinhos, de que alguém nos quer ajudar, alguém quer dar um rumo aos nossos pensamentos e, consequentemente, à nossa vida.

Uma obra intemporal e maravilhosa!

Uma leitura:

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Os Filhos da Droga, de Christiane F.

Os Filhos da Droga (COMPRAR) é uma obra que foi editada pela primeira vez em 1978, de Christiane F., na altura, uma adolescente de 15 anos, e publicada em Portugal sob a chancela da Editorial Bizâncio.

Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e é quase um ultraje da minha parte só o ler agora, porém, acredito que tudo tem uma razão e que alguns livros chegam até nós no momento certo.

Os Filhos da Droga é um relato em primeira pessoa de Christiane F. sobre a sua experiência com a droga desde os doze anos, altura em que fumou o primeiro charro e começou a consumir drogas mais "leves", como haxixe, por exemplo. É um relato de como o mundo das drogas a levou à decadência ao iniciar-se no consumo de LSD, injetando-se, posteriormente, com heroína, e fazendo-a passar inclusive pela prostituição infantil de modo a poder manter o vício. 

Se a sua história é surpreendente, mas ainda se torna pelo facto de sabermos que Christiane era apenas uma criança quando foi sugada para este mundo, perdendo a sua identidade. 

O relato é impressionante, pejado de emoção, marcado por uma narrativa fluída, por uma linguagem cativante e despojada, sem clichés ou floreados. Através da própria Christiane temos uma clara visão do mundo da droga e das suas consequências, e acredito que seja fundamental que todos os jovens leiam esta obra.

É certo que o meio onde Christiane se inseria contribuiu para que se desviasse do caminho correto, é certo que muitas vezes apenas queremos ser aceites pelos outros, queremos encaixar-nos no ideal dos grupos que nos rodeiam, ser mais como fulano ou sicrano e menos como nós mesmos, mas qual será afinal o caminho correto, quando tudo nos parece desprovido de vida e de certezas?

Este é um livro magnifico, que prende o leitor da primeira à última página, não nos permitindo sequer descansar. É um livro que nos transporta de uma forma crua para uma realidade atroz e cruel, uma realidade que, na maioria das vezes, ignoramos, seja por medo ou por impotência. 

Gostei, acima de tudo, da linguagem da autora, com a qual muito me identifiquei, por ser simples, direta, sem filtros, por despir a verdade das suas máscaras, mostrando-a tal como ela é, levando o leitor a refletir sobre ela e a enfrentá-la.

Sem dúvida, um dos melhores livros de sempre e uma das leituras preferidas deste ano!

Uma leitura:




segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Despertar de Cthulhu, de H. P. Lovecraft

O Despertar de Cthulhu (COMPRAR LIVRO) é um conto de horror, intemporal, da autoria de H. P. Lovecraft, que teve recentemente uma edição de luxo pela Saída de Emergência, em capa dura, com fabulosas ilustrações de François Baranger.

Não li muitos livros do género, embora goste particularmente do mesmo, mas este título de Lovecraft, o mais reconhecido até, foi uma verdadeira surpresa.

Neste livro acompanhamos a investigação dos misteriosos rituais usados para despertar o Cthulhu, uma criatura adormecida há milhares de anos, uma temível criatura, de aparência atroz e quase indescritível. 

Ao leitor é apresentado Francis Thurston, que após a morte em circunstâncias duvidosas, do seu tio-avô, se sente responsável por continuar a investigação que o mesmo iniciara e que, muito provavelmente, ditou a sua morte. 

Francis sabe que poderá correr perigo, mas avança sem temer, decidido, e é também através de Francis que vamos conhecendo os registos já documentados da criatura, o Cthulhu. Francis além de uma personagem central nesta história é também o narrador da mesma.


A forma como a narrativa foi construída, impecável, delineada ao pormenor, como se de uma verdadeira investigação se tratasse, leva o leitor para outro nível, aproximando-o do acontecimento, causando tensão durante a leitura com a possibilidade do que se descobrirá depois.

Esta, por ser uma obra ilustrada, é ainda mais apelativa. As ilustrações em papel couché, em tamanho grande, são maravilhosas, adensam o suspense do conto, transportam-nos para dentro da história. O jogo de cores é fantástico, indubitavelmente. 


O ambiente psicológico que envolve toda a obra e, consequentemente o leitor, é incrível, tenso, misterioso e inquietante.

Esta é uma fabulosa edição que pode e deve ser lida por todos, sobretudo, pelos que ainda não conhecem a obra de Lovecraft, creio que os irá apaixonar.

Uma leitura:



O País das Laranjas, de Rosário Alçada Araújo

O País das Laranjas (COMPRAR LIVRO) é um título da autora portuguesa, Rosário Alçada Araújo, publicado recentemente sob a chancela das Edições ASA.

A narrativa aborda a experiência vivida por Martha, personagem fictícia da história, inspirada nas "Crianças Cáritas" , que após a Segunda Guerra Mundial foram acolhidas por famílias portuguesas.
Martha tem dez anos e é austríaca e é acolhida em Portugal, tal como o seu irmão, Peter, embora por famílias diferentes.

Martha passa uma temporada na Covilhã, com a sua nova família, e é em Portugal que descobre a laranja, sendo também esta experiência que dá o título à obra.

Martha conhece os seus novos primos e amigos, e com eles vive aventuras incríveis e descobertas únicas que lhe ocuparão a mente, ajudando-a a ultrapassar a sua infância marcada pela guerra.

A sua vida em Portugal é sorridente, feliz e livre de preocupações, os seus novos pais dão-lhe amor, carinho e o conforto de um lar, e talvez por estas razões, Martha ficará dividida entre as saudades da família que deixou em Áustria e a vontade de ficar para sempre com esta nova família que tão bem a recebeu.

Apesar disso, nem tudo depende das suas escolhas, por se tratar ainda de uma criança, e o desfecho que encontramos será inevitável, mas também incrível, surpreendendo o próprio leitor.

Este é um livro ternurento, com uma prosa simples e doce, que nos recorda a infância, que nos fala da guerra, através de alguns relatos de Martha, que permeiam a narrativa, e nos ajudam a perceber o que a pequena Martha sentia perante a realidade atroz que a assombrava.

A linguagem da autora, assertiva e delicada, é um ponto forte nesta obra, que me conquistou da primeira à última página.

Um livro para os mais jovens, que cativará também os mais velhos, pela sua simplicidade e pelo tema que aborda, ao qual não podemos ficar indiferentes.

Eu desconhecia as "Crianças Cáritas" e fiquei comovida, não apenas pelo que levou estas crianças a se distanciarem das famílias - a guerra -, mas também pela capacidade de um povo se unir para receber no seu âmago, os mais necessitados, de amor, paz e conforto. Uma grande mensagem para os dias atuais. Uma leitura maravilhosa para aquecer estes dias frios.

Uma leitura:

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

As Gémeas de Auschwitz, de Eva Mozes Kor

As Gémeas de Auschwitz (COMPRAR LIVRO) é uma obra da autoria de Eva Mozes Kor com Lisa Rojany Buccieri, publicado recentemente em Portugal pela Alma dos Livros.

Este livro é baseado no relato real da própria Eva, que teve a coragem e a audácia suficiente para contar ao mundo a sua história e a da sua irmã, Miriam, enquanto gémeas que sobreviveram às experiências atrozes do Anjo da Morte, Dr. Mengele, em Birkenau, campo de concentração de Auschwitz.

Através de uma linguagem que marca pela simplicidade e pela emoção com que as autoras se dirigem ao leitor, conhecemos a história destas gémeas, de como foram separadas dos seus pais e das suas irmãs mais velhas, e de como se agarraram uma à outra, numa luta frenética pela sobrevivência em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial.

Já partilhei anteriormente por aqui que livros sobre o Holocausto estão entre os meus preferidos, mas este livro superou todas as minhas expetativas. 

Adorei!

A narrativa é simples, mas tão real que nos permite sentir na pele o medo, a insegurança, a dor, a revolta e a amargura de Eva, mas também, a sua capacidade de resiliência, de se manter firme no desejo de se proteger a si e à irmã gémea, desejo esse que concretizou.

Estas gémeas sobreviveram, mas quantos outros terão sido silenciados sem que deles haja registo?

Esta é uma história impressionante, que nos toca profundamente, que nos emociona e nos faz acreditar que em meio ao sofrimento, ainda há uma réstia de esperança. Eva é a prova disso.

Uma excelente aposta da Alma dos Livros, que pode e deve ser lido por todas as gerações. Um lembrete do que a história não deverá repetir, mas da coragem, do amor e do perdão que sempre devem persistir.

Uma leitura:

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Milkman, de Anna Burns

Milkman (COMPRAR LIVRO) é um dos últimos títulos publicados pela Porto Editora, da autoria de Anna Burns. Esta obra conquistou milhares de leitores e, inclusive, o Man Booker Prize 2018. Foi uma das leituras que me acompanhou durante este mês.

A história de Milkman é narrada por uma jovem de dezoito anos. Durante o curso da história, esta jovem anónima torna-se o alvo sexual do Milkman, e neste romance, a protagonista conta-nos os seus truques para lhe escapar.

Não é fácil escrever sobre esta obra, uma obra-prima, entenda-se. É um livro complexo, mas brilhantemente escrito, que requer tempo e uma atenção dobrada na leitura, provavelmente, haverá quem desista dele, mas eis aqui um verdadeiro desafio, é preciso lê-lo com calma, saboreá-lo, só assim o poderemos entender.

Com um conjunto de personagens bem construídas, ainda que por ironia não possuam um nome, com uma prosa rica e escorreita, marcada por um jogo de palavras espirituoso e, simultaneamente, sombrio, com capítulos que fluem e absorvem o leitor, este é, sem dúvida, um dos livros do ano.

A forma como a protagonista narra os mais diversos acontecimentos, mesmo os passados, são apresentados na ordem precisa para que o romance funcione, e isto, denota o trabalho e a dedicação da autora a construir uma obra tão bem estruturada.

As personagens não têm nome, ponto que é logo conhecido pela sinopse, mas são personagens vivas, reais, marcantes e intensas, pelos quais nos apaixonamos e esperamos reencontrar no futuro, o facto das mesmas serem anónimas, torna a história universal, permitindo que as mesmas sejam transferidas para outras sociedades.

A mensagem é poderosa e os temas abordados são sempre atuais, a violência, as desigualdades de género, a intolerância religiosa, mas é sobretudo uma obra sobre a esperança e como é sempre possível o ser humano se reinventar.

Uma leitura:

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Volta ao mundo na mota do meu pai, de Raquel Ramos

Volta ao mundo na mota do meu pai (COMPRAR LIVRO) é uma obra da autora portuguesa Raquel Ramos, com ilustrações de a.mar, publicada recentemente pela Coolbooks, chancela da Porto Editora.

A narrativa acompanha o Leonardo, um menino de doze anos que vive numa ilha com os pais. A mãe sente-se aprisionada na mesma e ambiciona pelo dia em que o marido a levará dali, mas o pai não parece estar tão decidido a isso, para espairecer, pega no pequeno Leonardo e leva-o a dar uma volta pela ilha.

Assim, pela visão do próprio Leonardo vamos conhecendo o espaço que o rodeia, bem como as pessoas com quem ele priva, conhecemos os seus sentimentos e as suas inseguranças.

Leonardo desconhece, contudo, que está a viver um dos períodos mais marcantes da história do seu país, os anos que antecedem a revolução dos cravos, e desconhece que aquilo que o prende à ilha, a ele e à sua família, é na verdade, a ditadura.

Li este livro em pouquíssimo tempo e cheguei ao fim com a sensação de que poderia ler muito mais da história do Leonardo sem me cansar.

A escrita da autora é única, repleta de leveza e sentimento, intensa e acessível, a sua linguagem recordou-me um livro de outro autor que gosto muito e que está entre as minhas obras preferidas, A história do senhor Sommer, de Patrick Süskind.

Sem dúvida, que me apaixonei pela escrita da autora.

A narrativa é curta, à semelhança de um conto. É simples, concisa e bela. Os capítulos estão marcados pelas ilustrações únicas de a.mar, artista que me encantou, e fluem muito naturalmente.

Adorei conhecer este protagonista, adorei viver de perto, tal como ele, este período da nossa história, de viver as suas aventuras, tão próprias da idade.

No final da obra, a autora brinda ainda os leitores com alguns factos sobre o período narrado, que servem para ensinar e deliciar o leitor.

Uma leitura:


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Famílias em Construção, de Margarida Fonseca Santos

Famílias em Construção (COMPRAR AQUI) é o novo livro da autora portuguesa, Margarida Fonseca Santos, publicado pela Fábula, chancela da 20|20 Editora, e integra a coleção A Escolha É Minha, uma coleção dedicada ao público infantojuvenil que retrata os dilemas vividos pelos mais jovens. 

Nesta história acompanhamos a vida de vários adolescentes, nomeadamente, a Clara, o Miguel, o Bernardo, o Pedro e a Mariana. Todos eles têm dilemas para resolver e, embora diferentes, as suas vidas cruzam-se inevitavelmente.

Clara assistiu ao divórcio dos pais e tem de se adaptar a duas novas famílias, à do pai, que inclui a Patrícia, madrasta e o Miguel, filho desta, e à da mãe, que inclui a avó e o novo namorado da mãe.

Por sua vez, Miguel tem de lidar com os amuos de Clara e com o facto de que após a separação dos pais, perdeu quase todo o contacto com a figura paterna. 

Já o Pedro está prestes a mudar de país com a família, Bernardo sofre com a mãe e a irmã devido à violência infligida pelo pai e, Mariana é a melhor amiga de Clara e ao lado desta servirá de grande apoio ao Bernardo.

Para além da escrita leve, acessível e simples da autora, que é, sem dúvida, um grande ponto positivo nesta obra, assim como em todas da Margarida, temos uma história muito real, com adolescentes com os quais facilmente nos identificamos ou que, com certeza, nos lembrarão alguém com quem já privamos.

A enfrentar os dilemas próprios da idade, mas também da vida e da família, é incrível assistirmos à evolução destes pequenos jovens, de como enfrentam as adversidades e vão criando maturidade, adaptando-se às mudanças e ultrapassando os vários desafios que lhe são impostos.

Gostei muito desta história, pela sua simplicidade, mas acima de tudo, pela mensagem que nos transmite, uma mensagem de que tudo é possível, tudo pode ser superado, e que, como seres que crescem em sociedade, nos podemos sempre reinventar e recomeçar. 

A história é narrada pela Clara e pelo Miguel e isto aproxima-nos ainda mais dos protagonistas, faz-nos ver a vida pelos seus olhos e aprender à medida que eles próprios vão aprendendo. 

Li este livro em poucas horas, a leitura foi agradável e recordou-me a minha própria adolescência, toda ela repleta de dilemas.

Acredito que este género de obras é de extrema relevância para os mais jovens, porque ensina e fá-los refletir, e a nossa sociedade precisa de jovens conscientes e maduros.

Uma leitura:

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

No Escuro, de Cara Hunter

No Escuro (COMPRAR) é o novo livro da autora Cara Hunter que conquistou os leitores portugueses com Perto de Casa. No Escuro é o segundo livro da série do inspetor Adam Fawley.

Foi a minha estreia com a autora, mas não foi necessário ler o anterior para conhecer a história do inspetor, porque neste segundo livro, a autora fala vagamente sobre alguns dos acontecimentos mais importantes da vida do mesmo e a história não tem ligação com o primeiro, pelo que, é relativamente fácil acompanhar Fawley nesta nova aventura.

Fiquei, contudo, muito curiosa e espero em breve ler o primeiro, de tal forma fui conquistada pela escrita da autora.

Através de uma narrativa dinâmica, fluída, acessível e pejada de suspense, somos levados numa investigação de dois crimes que, aparentemente, nada têm em comum, mas que se revelam uma enorme surpresa para o leitor.

Uma rapariga e um menino são encontrados numa cave, no escuro. A polícia de Thames Valley acredita que terá sido rapto e a criança fruto das violações perpetradas pelo raptor. O principal suspeito é o Dr. William Harper, dono da casa onde estas duas pessoas foram encontradas, no entanto, tomado pelo Alzheimer, torna-se difícil crer que Harper está relacionado com o crime.

A investigação inicia-se e todos tentam recolher o máximo de provas, é durante este espaço de tempo que o corpo de Hannah Gardiner, desaparecida, é encontrado sem vida e em circunstâncias macabras. 

A policia tenta fazer a ligação entre estes dois casos, e é com a destreza de Fawley e a cooperação de toda a equipa que a verdade acabará por surgir, chocando a policia e o próprio leitor. 

Paralelamente, as histórias pessoais de cada um dos integrantes da investigação é narrada em terceira pessoa ao leitor, apesar de o inspetor Fawley narrar a sua visão dos acontecimentos em primeira pessoa. 

Assim, a história é intercalada entre a narrativa em primeira e terceira pessoa, o que nos dá a possibilidade de conhecermos bem todas as personagens. 

A escrita escorreita e direta conquistou-me. Fiquei agarrada da primeira à última página, sempre ávida pelo que viria depois. Para além deste livro pertencer ao meu género literário preferido, também entrou diretamente para os meus livros preferidos do ano.

Uma leitura:


terça-feira, 22 de outubro de 2019

Obsessão, de Madeline Stevens

Obsessão, de Madeline Stevens (COMPRAR AQUI) é um dos novos títulos da Topseller, muito apreciado pela crítica e que tem conquistado os leitores ao redor do mundo. Por cá não foi exceção, esta obra de estreia da autora é intensa e irreverente e certamente marcará os leitores portugueses.

A narrativa acompanha Ella, uma ama que vive numa casa partilhada com Sam, sem dinheiro e na maioria do tempo com fome, Ella aproveita-se dos homens que conhece nas suas saídas para que estes lhe paguem o jantar e ela arranje um modo de se alimentar.

Quando Ella conhece Lonnie e assume o papel de ama do filho desta, William, uma obsessão desperta no âmago de Ella. 

A jovem não consegue evitar, dá por si a roubar pequenas coisas que pertencem a Lonnie, a desejar ser como ela, vestindo as suas roupas, apaixonando-se pelo seu marido e suposto amante, mas também por Lonnie. A perigosa obsessão que se inicia irá mudar a sua percepção do mundo que a rodeia e levá-la por caminhos dos quais dificilmente poderá ser resgatada.

Uma história sobre a amizade entre duas mulheres, uma amizade intensa e peculiar, marcada pelo desejo, pela atração, pelo amor e pelas diferenças que unem Ella e Lonnie.

A obsessão de Ella culminará num envolvimento físico e sexual entre os três, Ella, Lonnie e James, o seu marido. Este acontecimento acabará por toldar a amizade que outrora as unia e a separação será inevitável.

A narrativa é tensa, faz com que o leitor se mantenha ávido pelo que virá a seguir, num clima constante de suspense. Os capítulos são curtos e isso também é um ponto a favor, pois permite que a leitura flua com naturalidade.

Não há uma reviravolta final que choque o leitor, tal como acredito que muitos gostariam, no entanto, é isso que torna este livro tão próximo da vida real, a sua simplicidade. A forma como Madeline abordou o tema da obsessão, sobretudo, usando uma amizade entre mulheres, e a amizade entre mulheres é, sem dúvida, um tema que «dá pano para mangas».

A linguagem da autora é pejada de emoção, marcante e profunda, alicia o leitor e vicia-o. A abordagem única, direta e intensa que fez nesta sua obra foi o que a tornou tão especial. Eu, devorei-a numa tarde, e adorei!

Uma leitura:

Escola das Artes 3, A Arte da Paz, de Sara Rodi

A Arte da Paz é o terceiro livro da coleção Escola das Artes, da autoria de Sara Rodi (COMPRAR AQUI), e foi recentemente publicado sob a chancela da Oficina do Livro.

Nesta nova aventura dos irmãos Jasmim, arranca o último período do ano letivo na Escola das Artes e com ele, segredos vão sendo desvendados e momentos de pura alegria e diversão preenchem os dias dos protagonistas e dos seus amigos.

A diretora Tatá pretende incentivar nos seus alunos, o gosto pela poesia, e uma vez mais vários desafios são lançados às turmas, movida também pelo desejo de criar um movimento de paz, a diretora toma a decisão de colocar os alunos a ajudarem nas tarefas de limpeza dos seus dormitórios, esta decisão é, no entanto, bastante contestada pelo intranquilo Miguel e assim, uma assembleia se cria para debates que irão mudar o pensamento dos protagonistas desta coleção.

É também neste último período que uma nova aluna chega à escola, Diana, enteada do pai dos irmãos Jasmim, que os mesmos acreditam que os terá abandonado. Marta, a mais rebelde irá fazer de tudo para complicar a vida da nova aluna, magoada que está pelo desaparecimento do pai, mas é através desta experiência que as verdades serão deslindadas e a paz interior regressará não apenas ao coração da mais rebelde dos irmãos, mas de toda a família, inclusive da mãe Rute.

Uma história simples e leve, com uma narrativa coesa e bem divertida, onde os talentos de cada um e a Arte são postos à prova, e onde a amizade e a união são mensagens poderosas para o leitor. Uma leitura que sempre nos aquece o coração!

Uma leitura:


sábado, 12 de outubro de 2019

Notre-Dame, de Ken Follett

Notre-Dame (COMPRAR AQUI) é um dos últimos títulos de Ken Follett que chegou recentemente às livrarias portuguesas, sob a chancela da Editorial Presença, e cujos lucros revertem para a reconstrução de uma das maiores heranças da civilização europeia, a Notre-Dame de Paris.

Já escrevi por aqui o quanto sou apaixonada por Paris, essa cidade que é para mim uma das mais belas histórias de amor, e quando Notre-Dama foi ameaçada pelo fogo, não contive a emoção e também chorei.

Nesta obra, Ken Follett fala-nos desse mesmo sentimento, que também ele vivenciou, inevitavelmente. As chamas em Notre-Dame pararam o mundo e resta agora a esperança de que um dia tudo se irá recompor.

Através de uma linguagem simples e direta, o autor partilha com o leitor os momentos que se sucederam à notícia de que o fogo estava na catedral e conta-nos a história da mesma, desde a sua construção há muitos séculos, até às histórias que a catedral inspirou, como é o caso de Nossa Senhora de Paris, de Victor Hugo, comummente conhecida por Corcunda de Notre-Dame, e claro, os dias atuais.

Este é um livro pequeno e de leitura fácil, que se lê rapidamente e que ensina. Ideal para os apaixonados por catedrais, para os amantes de Notre-Dame ou apenas para os curiosos. Um livro que, embora curto, é uma verdadeira lição de história.

Uma leitura:

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Quando acontecem coisas más às pessoas boas, de Harold S. Kushner

Quando acontecem coisas más às pessoas boas (COMPRAR AQUI), de Harold S. Kushner é um clássico da literatura espiritual, que teve a sua primeira edição em 1981.

Recentemente, esta obra retornou às livrarias portuguesas sob a chancela da editora Clube do Autor, numa edição bonita, simples e apelativa.

Gosto de obras de literatura espiritual, mas este foi um dos poucos livros do género que li desde o início do ano, contudo, foi uma leitura surpreendente, agradável e enriquecedora.

Através de uma narrativa muito simples e direta, o autor debruça-se sobre a sua própria história de vida e a perda do seu filho, Aaron, para nos falar sobre como ultrapassou o luto e encontrou a sua cura. O autor apoia-se também em histórias que, em algum momento, conheceu graças ao seu trabalho enquanto pastor, usando-as como exemplo para fazer o leitor parar e refletir.

A linguagem é concisa e a narrativa está dividida por partes, sendo que Harold começa por nos falar da história de Job, aprofundando-a, e fala-nos da religião. 

É inevitável que pensemos durante a leitura, será realmente Deus todo-poderoso? Porque, enfim, se acreditamos que é, também temos de aceitar que as coisas más que acontecem às pessoas boas, são uma decisão Dele... Mas podemos escolher ver o mal como um acaso, algo que escapa ao seu controlo e assim, Deus não é tão cruel, como às vezes sentimos, mas também não tem a capacidade para impedir que as coisas más se sucedam.

Este único pensamento é o suficiente para despoletar longas conversas, inclusive, cá em casa, demos por nós a discutir o assunto e a tentar entender essa questão que o livro levanta.

As coisas más acontecem às pessoas boas, por acaso, mas não é por acaso que temos Deus, e que Ele está ao nosso lado, não para nos livrar das coisas más, mas para nos ensinar a viver depois delas.

Um livro maravilhoso, que incita o leitor à reflexão, que apela ao coração, que apela à força, à coragem e à esperança.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Manual do Bom Fascista, de Rui Zink

A Ideias de Ler, chancela da Porto Editora, publicou recentemente uma obra de Rui Zink, O Manual do Bom Fascista (COMPRAR AQUI), que se revelou uma das leituras mais agradáveis deste mês.

A partir de um conjunto de lições que o autor nos apresenta temos uma visão daquilo que é um bom fascista e através deste manual é possível ao leitor identificá-lo. Provavelmente, o leitor até já se deparou com um bom fascista e este livro irá com certeza, confirmar as suas suspeitas.

Num tom leve, divertido e pejado de ironia, o Rui conseguiu criar uma obra que para além de entreter o leitor, também o ensina e alerta para uma realidade que cada vez mais tem assombrado os tempos atuais, o Fascismo.

A abordagem que o autor utiliza para captar o leitor é fantástica, não aborrece, não cansa, não é cliché, nem é banal. É sim uma abordagem direta, concisa e certeira, marcada pelo estilo irreverente e genial do autor que já é conhecido do público.

O que é verdadeiramente notável é o modo como o autor conseguiu «pegar» em elementos reais, do nosso quotidiano e usá-los como uma forma de chegar ao leitor, conduzindo-o pelos caminhos peculiares do fascismo e mostrando-lhe o absurdo de grande parte das ideias associadas ao bom fascista.

A estas lições aliamos também as ilustrações simples mas que traduzem bem as mensagens que o autor nos vai transmitindo.

Este é um livro que não irá apenas fazer o leitor rir, mas que servirá como lição para o Fascismo, os seus contras e as suas peculiaridades e a forma de evitar que se propague. 

Uma leitura:


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll (COMPRAR AQUI) é uma das apostas mais recentes da Fábula, chancela da 20|20 Editora e integra a coleção Tesouros da Literatura.

Não me canso de dizer que a história peculiar e única da pequena Alice é das minhas histórias preferidas e ler Alice, consoante a idade que temos no momento da leitura, é sempre uma experiência enriquecedora.

Embora seja do género non-sense, a verdade é que podemos retirarmuitas retirar muitas mensagens sublimares da obra de Carroll, a principal delas, talvez, é a forma como vemos o mundo que nos rodeia e a importância de nos libertarmos das ideias pré-concebidas. 

Traduzir a obra de Lewis é um verdadeiro desafio, sobretudo, se tivermos em conta os trocadilhos, a poesia, as piadas e demais expressões cujo sentido é mais impactante na sua língua original, contudo, devo congratular a Fábula por ter conseguido com mestria apresentar-nos uma versão desta obra intemporal de uma forma tão bonita e bem construída.

É importante salientar que esta obra foi escrita por um adulto para uma criança e será inevitável colocar questões sobre a narrativa no decorrer da leitura, talvez por essa razão a mesma se torne tão interessante e divertida porque faz o leitor retornar à sua infância.

Temos uma menina que persegue um Coelho Branco por uma toca e essa mesma menina sofre diversas transformações no decorrer de um dia, sendo que a própria acaba por questionar a sua própria identidade. 

É um livro cativante, sem pretensões ou clichés, para ser lido e relido à medida que os anos avançam, porque certamente nos garantirá novas emoções a cada nova reeleitura.

Uma leitura:

A Sabedoria dos Idiotas, de Nasrudin Hodja

A Sabedoria dos Idiotas (COMPRAR AQUI)  é uma das apostas mais recentes da editora Alma dos Livros

Na capa podemos ler, Os melhores contos espirituais do Médio Oriente, e também, Os ensinamentos filosóficos mais divertidos de sempre, e embora seja verdade que nem sempre a capa faz jus à obra, neste caso, garanto-vos que se irão deliciar e rir bastante durante a leitura.

Este livro não precisa de ser lido da primeira à última página. Se o abrirem de forma aleatória serão seguramente surpreendidos.

Nasrudin é o protagonista dos vários contos que são apresentados, seja no papel de um sábio ou de um «idiota», todas as peripécias vividas e protagonizadas por esta personagem são próximas do leitor, quer pela simplicidade das suas aventuras, quer pela forma como as mesmas são narradas.

A forma como as mais diversas mensagens nos são transmitidas é verdadeiramente divertida. É simples sem ser banal e obriga o leitor a parar e a refletir, mas fá-lo rir e sorrir na mesma medida. 

Nasrudin acaba por ser uma representação do nosso eu, com as suas peculiaridades e contradições, contudo, desvendando-se sempre um ser sábio, com lições marcantes para os nossos dias e para a nossa vida.

Este é um livro que certamente fará as delícias de leitores de todas as idades. Uma leve dose de comicidade aliada a ensinamentos que perdurarão em nós.

Uma leitura:

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Segunda-feira, de Ana Silvestre

Segunda-feira (COMPRAR AQUI) é o quinto livro da autora portuguesa Ana Silvestre e chegou este mês às livrarias portuguesas, sob a chancela da Oficina do Livro.

A capa é simples, mas apelativa. Numa primeira impressão transmite ao leitor uma sensação de paz e harmonia e esse sentimento não é muito diferente daquele que sentiremos no decorrer da leitura.

A escrita da autora é muito acessível, direta e concisa, prima pela simplicidade e delicadeza, pela emoção que se impõe a cada virar de página.

Nesta narrativa acompanhamos a protagonista Beatriz, uma mulher que vive um casamento infeliz e cuja mãe está debilitada pelo cancro e lhe resta pouco tempo de vida. É pelos filhos que se vai mantendo ao lado do marido, mas com o estado de saúde da mãe a piorar consideravelmente, a própria aconselha a filha a seguir o seu destino, a procurar a felicidade, e é assim que Beatriz dará uma volta à sua vida.

Paralelamente, temos a história de Margarida, a melhor amiga da protagonista. Esta, por sua vez, vive um casamento feliz, contudo, o reaparecimento do pai do filho poderá abalar talvez as suas estruturas.

As histórias de vida destas mulheres entrelaçam-se, conferindo dinâmica à narrativa e os capítulos curtos fazem com que a leitura flua com facilidade.

Esta é uma história de amor, mas acima de tudo, de amizade. Uma história sobre procurar a felicidade em nós mesmos, antes de a procurarmos nos outros. Uma história sobre o poder da transformação das nossas vidas.

Inspiradora. Simples. Bela. Uma obra que todos deveriam ler.

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