segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Paula Laranjo

Paula, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Obrigada desde já pela oportunidade. O meu início na escrita, deu-se na adolescência, pois eu sempre gostei muito de ler e escrever. A escrita tem-me acompanhado ao longo da minha vida.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
A escrita para mim é uma forma de perpetuar um sentimento. É sem dúvida um prazer que tenho e que me permite desabafar emoções que estão guardadas.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita sempre me “ensinou” a estar mais atenta a tudo o que me rodeia e faz parte do quotidiano. Permitiu-me ter mais sensibilidade perante as situações e apreciar as coisas e os momentos da vida.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Tenho aprendido a estar atenta, a apreciar os valores da vida e a valorizar os sentimentos mais profundos.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
A escrita para mim tem sido uma forma de perpetuar sentimentos que sinto em relação a outros, ou em relação a situações que vou analisando na sociedade. Sem dúvida que tem sido uma necessidade aliada a um prazer.

Licenciaste-te em Engenharia Agronómica e exerces atividade dentro da área. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?
O contacto com a natureza, o conhecer realidades muito díspares em termos sociais, o saber apreciar as coisas belas que a natureza nos dá, têm sido um enriquecimento muito forte na minha formação enquanto ser humano. Todas estas envolvências têm contribuído para as particularidades da minha escrita.

Publicaste o teu primeiro livro em 2014, Reflexos, que inclusive dá o nome à tua página de Facebook. Podes falar-nos um pouco sobre essa experiência?
O meu primeiro livro “Reflexos”, foi um sonho tornado realidade! Tinha este objetivo em mente e consegui concretizar! O nome reflete as emoções e a forma que eu tenho de olhar para os sentimentos. Por esse motivo, criei uma página no facebook, que se chama Reflexos Poéticos, para eu puder dar a conhecer aos leitores, a minha caminhada poética ao longo desta experiência literária.

Entretanto seguiu-se, Essência da Alma, em 2015, também uma obra de poesia. O que te inspira a escrever neste género literário?
Neste género literário, eu consigo dançar com as palavras e torná-las doces. Gosto de me deixar envolver com os sentimentos. Gosto de apreciar, gosto de observar, gosto de sentir e depois escrever. Gosto de deixar reflexões e gosto de espalhar o amor!


No próximo mês será lançado o teu mais recente livro de poesia, Entrelinhas. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
Este meu novo trabalho, que será apresentado a 14 de Dezembro às 16h30 no Palácio de Estoi, chama-se “Entrelinhas”. No seguimento dos livros anteriores, incide nos sentimentos que eu gosto de escrever, ou seja, amor, amizade, saudade, questões sociais, persistência, perdas. Este meu novo livro, vai ter uma apresentação diferente, pois vai conciliar a poesia com a fotografia/pintura/desenho. Vou fazer a ligação da imagem com a escrita!

Como achas que será a reação dos teus leitores face a este novo trabalho?
Eu espero sinceramente que os meus leitores apreciem este meu novo trabalho e que de alguma forma os toque! 
Já participaste em antologias poéticas e encontros de poetas. Como correram essas experiências?
Já participei em diversas antologias poéticas, com diferentes temas e têm corrido muito bem. Tenho conhecido nestes encontros pessoas muito interessantes e criativas que me têm inspirado neste meu percurso. 

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O livro que me marcou desde sempre foi “ O Velho e o Mar” do Ernest Hemingway!

Se tivesses de escrever num género diferente do teu registo atual, a qual desafio te proporias?
O desafio que me propunha seria um romance com uma bela história de amor.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Continuar a escrever, a deixar uma marca e continuar a transmitir sensações boas e positivas. Trazer leveza às palavras e tocar as pessoas com emoções.

Descreve-te numa palavra:
Serenidade.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O Mistério da Minha Irmã, de Tracy Buchanan

O Mistério da Minha Irmã (COMPRAR) é um livro da autoria de Tracy Buchanan, publicado recentemente em Portugal pela Bertrand Editora.

Confesso que o título e a sinopse despertaram a minha curiosidade, mas não estava preparada para ser surpreendida desta forma, este livro é uma lufada de ar fresco nos livros do mesmo género, é aquele livro que eu costumo intitular de "dramas familiares", um género que gosto particularmente e que me rende sempre momentos de leitura agradável e prazerosa.

Nesta obra de Tracy Buchanan acompanhamos a protagonista Willow, que ao ser convidada para a exposição de fotografia de um reconhecido fotógrafo de florestas submersas, vê-se envolvida em mistérios que irão toldar a imagem que detinha das figuras paternas. 

Willow ficou órfã aos sete anos, após os pais perderem a vida na inauguração de um cruzeiro da empresa da família, e foi acolhida pela tia Hope, com quem mantém uma ligação complicada e um pouco distante. Willow cresceu e tornou-se uma mulher independente, mas também insegura e solitária, que ao aperceber-se dos mistérios que envolvem a sua família materna, decide enfrentar os seus fantasmas e descobrir a verdade que esconde a tia Hope.

A narrativa é alternada por capítulos narrados pela própria Willow e por capítulos narrados em terceira pessoa, no passado, que nos revelam a história da mãe de Willow, Charity, e das suas irmãs, como o leitor perceberá logo no início. Todavia, há Faith, uma tia que faleceu e que Willow nunca chegou a conhecer, é na morte misteriosa de Faith, no passado, que se centra esta obra.

O mais curioso é que o título "O Mistério da Minha Irmã" pode, na verdade, adaptar-se não apenas a Charity, mas também às suas irmãs, Hope e Faith. Todas mantinham segredos que as outras desconheciam e que acabariam por moldar a vida futura da pequena Willow.

Assim, em meio a um turbilhão de sentimentos tão contraditórios, Willow decide explorar os locais que a mãe explorou outrora e viaja até às florestas submersas, uma paixão da sua mãe, é neste clima intenso e marcado por descrições fabulosas dos locais por onde viaja, que o leitor é transportado para esta história permitindo-se absorver pelos dramas desta família, ansiando desvendar os seus segredos e até abraçar Willow, proporcionando-lhe alguma paz, dando-lhe algum conforto.

Gostei bastante da linguagem da autora; simples e eloquente. Uma prosa rica e prazerosa, que agrada ao leitor e que o mantém ansioso pelo capítulo seguinte. A construção da narrativa e do tempo que se divide entre o presente e o passado funcionou muito bem e permite-nos conhecer a história da mãe de Willow, mas paralelamente, a história de Willow.

Este é para mim um dos melhores livros do género, não consegui largá-lo! É uma obra que nos fala da essência humana, de sentimentos, de emoções, onde o amor, a vingança e a mágoa se cruzam, apelando ao nosso lado mais sensível. Uma excelente aposta da Bertrand.

Uma leitura:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Coraline e a Porta Secreta, de Neil Gaiman

Coraline e a Porta Secreta (COMPRAR) é um livro da autoria de Neil Gaiman, publicado em Portugal pela Editorial Presença há alguns anos e reeditado, recentemente, também sob a chancela da Presença.

Nesta narrativa acompanhamos a pequena Coraline, que se mudou recentemente para uma nova casa, onde tem como vizinhos, um estranho senhor que ensina ratos de circo, e duas atrizes em decadência, Mrs. Spink e Mrs. Forcible.

Coraline sente-se entediada na nova casa, os pais não lhe prestam grande atenção pois dedicam-se inteiramente ao trabalho nos seus computadores, e assim resta-lhe uma única alternativa; explorar a sua nova morada.

É nessas explorações que acaba por fazer uma descoberta, há uma porta em sua casa que, aparentemente, não dá para lugar algum, porém certo dia, como que por magia, essa mesma porta revela um corredor que a transporta para outro lado que se parece exatamente com a sua casa.

Mas não é apenas a casa que se multiplica, também os seus pais surgem nesse estranho lugar, contudo os seus olhos são botões cozidos no rosto. É tudo diferente e peculiar, mas os seus desejos parecem concretizar-se naquele lugar, todavia há um preço a pagar para tudo, e assim, se Coraline quiser ficar ali e ter tudo o que ambiciona só precisa permitir que a sua Outra Mãe lhe coza também os botões nos seus olhos.

Há uma mensagem sublimar nesta obra que tem um extremo impacto sobre o leitor e acredito que este livro, embora indicado para o público juvenil, pode ser lido pelos adultos que dele terão outro entendimento.

Não é um livro que pretenda só divertir e entreter, mas sim um livro com uma mensagem irreverente e aprazível, que envolve o leitor e o absorve. A linguagem de Neil Gaiman é direta, acessível e de leitura fácil, aliada a uma narrativa bem construída, com capítulos que fluem com naturalidade e ao ritmo certo.

Adorei o livro! Vi o filme quando era mais nova e está entre os meus preferidos do género, mas sem dúvida que o livro me conquistou muito mais, prendeu-me da primeira à última página porque é diferente, descontraído, divertido e marcante. Resta-me congratular a Editorial Presença por esta aposta e reedição fantástica, com ilustrações claras e apelativas.

Uma leitura:

Sofia no mundo das coisas perdidas, de Sérgio Mendes

Sofia no mundo das coisas perdidas (COMPRAR) é um dos mais recentes títulos do autor português, Sérgio Mendes, que em 2015 venceu o Prémio Literatura Infantil Pingo Doce. Este livro nasceu através da Coolbooks, chancela da Porto Editora.

Sérgio Mendes também já publicou outros livros do mesmo género com a Coolbooks, contudo, é a minha primeira experiência com ele e posso garantir que fiquei surpreendida, de uma forma muito positiva.

O livro é marcado por uma forte influência da autora Sophia de Mello Breyner Andresen e a sua publicação coincidiu com o centenário da própria, comemorado este ano.

Através de uma narrativa mágica e doce, recheada de segredos e mistérios, o autor apresenta-nos a protagonista Sofia, que vive numa mansão e que preza a leitura. 

Porém, há na sua mansão um armário de livros cuja leitura lhe está vedada, e há também uma ama com quem nutre uma relação difícil, é neste ambiente inquieto que a pequena Sofia, decidida a desvendar o mistério dos livros proibidos se aventura pelo mundo das coisas perdidas; um mundo divertido, curioso, pejado de emoção, magia e aventura.

Neste mundo, Sofia privará com seres estranhos, diferentes e improváveis, com os quais irá aprender algumas lições, que seguramente irão derreter o coração dos mais pequenos e, sobretudo, dos apaixonados pela leitura.

Este é um livro que, embora, dedicado aos mais novos, pode e deve ser lido por todas as idades, porque a sua história é simples e direta, marcada pela doçura e pelo prazer da descoberta, sentimentos que são tão naturais nas crianças.

Não conhecia a linguagem do autor, mas fiquei rendida à forma ternurenta com que nos conta a história de Sofia, cativando o leitor, fazendo-o apaixonar-se.

Uma leitura:

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Fernando dos Santos

Fernando, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita? 
É um gosto estar neste espaço e conversar um pouco sobre esta aventura. Quando era adolescente e já no início da minha atividade profissional tive a sorte de frequentar a casa de um grande escritor português, infelizmente já falecido, e que muita falta faz à cultura portuguesa, o Rui de Brito, que fazia o favor de ser meu amigo. Nessa altura de transição da sociedade portuguesa, os jantares e os fins de semana eram passados em tertúlias de escritores, onde participavam nomes como Vasco de Lima Couto, Alexandre O´Neill, José Ramoa, e tantos outros. Sempre pensei que aquelas pessoas tinham o dom especial de criar sonhos, ficções, despertar sentimentos … sempre ambicionei ser como eles (não me quero sequer comparar com o nível de excelência que atingiram) … Um dia queria ser também escritor. Entretanto surgiu a minha vida profissional muito absorvente, como médico, e esta compulsão ficou apenas latente, até que depois de ganhar mais tempo para mim, despertou e de que maneira … sou um compulsivo da escrita. Costumo dizer que “engravido dos meus livros”. As ideias surgem, passam um período de gestação, e têm partos rápidos, umas vezes mais dolorosos que outros. Posso explicar mais adiante.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
O sentimento fundamental é o de realização pessoal. É um processo de relativa ansiedade, quando descobres que os teus personagens ganham vida própria, e algumas vezes são rebeldes. Acaba por ser um processo muito místico … não é raro reler o que acabo de escrever e não perceber bem como escrevi aquelas letras e aqueles desenvolvimentos da história. Escrevo diretamente para o computador, quando escrevo … alguns dias ele olha para mim, eu para ele, e não sai nada … outros são 10 horas de escrita.  

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Tenho 63 anos. Comecei tarde na escrita, embora tenha publicado anteriormente contos em coletâneas, nomeadamente Monami resultado da minha atividade como voluntário da Assistência Médica Internacional. A escrita estava há muito latente … a Medicina molda mais as pessoas que a vivem intensamente. A escrita acaba por ser o reflexo do somatório de muitas … imensas e enormes experiências. Respondendo concretamente à pergunta, em acho que eu moldei a escrita. 

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Saindo deste contexto minimalista e muito pessoal, o que tenho aprendido como escritor é que isto está difícil. Mergulhei num meio que me está a dar muitas alegrias e também muitas desilusões. O panorama atual da Cultura portuguesa é mau. As dificuldades são enormes. A submissão a interesses económicos impera. Não é o meu caso, porque ganhar dinheiro com a escrita nunca foi um objetivo. Os direitos de autor da 1ª edição de “Rua dos Remédios” foram doados ao Centro Cultural Dr. Magalhães Lima em Alfama (onde decorre o enredo do livro) e os de “Carlota e os dragões de Madrid” estão reservados para um departamento pediátrico de um hospital de Lisboa. Sempre que leio Jorge de Sena mais acho genial o termo literocambada que usa no poema “Provavelmente”. Concordo em absoluto . Existem muitos lobbies e muitas forças de pressão. Irritam-me os livros de auto-ajuda e de coachers … Não me interessa nada saber as opiniões mastigadas de algumas figuras públicas … mas é o que se vende. Se calhar escolhi mal os títulos das minhas primeiras obras. Em vez de “Rua dos Remédios” devia ter escolhido “A vida sexual em Alfama nos anos 40” .
Mas tenho encontrado neste meio pessoas de uma dimensão fantástica … Adelina Barradas, Maria João Fialho Gouveia, e tantos outros. Um dos pontos mais altos desta vertente de escritor vivi na Festa do Livro do Palácio de Belém deste ano. Bom ambiente em prol da Cultura. Está de parabéns a organização.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Nenhuma destas. Acaso não é, passatempo também não … passatempo tira a seriedade da coisa … necessidade talvez a que melhor define … necessidade de partilhar … necessidade de contribuir.

Iniciaste-te na publicação em maio do presente ano com o romance,  Rua dos Remédios. Podes falar-nos um pouco sobre esse livro?
Tenho de confessar já que sou um “autor malandro” e não posso contar tudo sobre um romance de ficção histórica que tem de ser lido sequencialmente da primeira palavra à última. Saltar capítulos ou começar pelo fim é batota. Rua dos Remédios é a primeira ucronia escrita em Portugal, e como ucronia que é não deve ser recomendada como bibliografia sobre a 2ª Guerra Mundial … se o recomendarem a um estudante para um trabalho na escola é chumbo garantido. Não resisto a contar a história de um colega meu, que abriu o livro a meio, fez um ar de espanto e disse-me “não sabia que esta personagem histórica tinha sido assassinada na Praça do Comércio”. Eu aviso na nota introdutória.
O que te inspirou a escrever uma história cuja ação decorre em Portugal na época da 2ª Guerra Mundial?
A 2ª Guerra Mundial e a Guerra Civil de Espanha foram dois factos que marcaram muito a História da Humanidade, e os seus reflexos ainda hoje se manifestam. Houve uma altura da 2ª Guerra em que Hitler “embriagado” palas conquistas que o trouxeram até à fronteira franco-espanhola foi aconselhado a conquistar Gibraltar, ponto estratégico da guerra para os britânicos. Para cumprir os objetivos tinha de atravessar território espanhol. Franco que havia feito um pacto Ibérico com Salazar, de defesa da península, não colaborou com Hitler apenas porque foram as desmesuradas regalias que pediu aos alemães em troca de permitir que o exército alemão atravessasse terras de Espanha do norte ao sul. Hitler rejeitou as contrapartidas e decidiu concentrar-se nas conquistas mais a leste. No final da vida confessou que não ter investido sobre Gibraltar foi o seu maior erro. Os historiadores andam há anos à volta deste assunto, mas nunca ninguém se atreveu a pensar “ E se Hitler tomasse Gibraltar … e invadisse Portugal? E foi assim que nasceu a minha necessidade de viajar até esses anos (viagem difícil e quase bipolar quando escrita em 2018/2019) e descrever os possíveis cenários da pequena história .Grande História é o lançamento de uma bomba atómica sobre Hiroshima … pequena história descreve o que passou com aquele chefe de família japonês quando a bomba rebentou.
Este livro foi engravidado no Alentejo, no Monte dos Pensamentos onde fui passar uns dias. Já o bichinho da escrita estava o roer, quando soube que estava alojado na casa onde Ruben A passava férias com Miguel Torga … havia algo que me estava a indicar um caminho, e cheguei a Lisboa compulsivo de escrita.

Carlota e os Dragões de Madrid é, contudo, a tua obra mais recente, lançada em setembro. Podes desvendar-nos um pouco da sua história?
Carlota e os Dragões de Madrid é um livro infantojuvenil. Ou seja, este autor não tem um estilo exclusivo. Mas é o resultado de outra gravidez … esta a bordo de um avião … eu vi de facto imagens que me pareceram dragões … e fiz uma história para crianças … Não há grandes segredos. Os meus livros são meus filhos … gosto igualmente dos dois. Nada a fazer.

O que te motivou a escrever para o público mais jovem?
Curioso que Carlota e os Dragões de Madrid é muito apreciado pelos adultos que o leem … mas é dirigido a crianças. Tem algum misticismo … eu tenho muito de misticismo … mas o que diferencia a nível cerebral o impacto de uma história numa criança ou num adulto?  “As pessoas crescidas nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante, para as crianças, estar sempre a dar explicações” Antoine de Saint- Exupéry – “O Principezinho”. 

Este livro está a ser traduzido para espanhol. Como estás a viver essa experiência?
Com muita curiosidade. Como obra derivada vai ser uma nova edição. A tradução está feita, e vou publicar na Amazon. Vamos ver, mas como a história se passa em Espanha, talvez algum editor espanhol ou da América Latina se interesse. Vamos ver.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Os leitores portugueses estão a aderir bem … gostam da história. Aqueles que sabem que o livro existe. Pode pensar-se que estou a insistir na temática dos dragões, mas eu vi do avião … Existem? Se existirem no livro nada têm a ver com os dragões da moda. Se não existirem … então não há dragões em Madrid, mas há compromisso, solidariedade, respeito pela natureza. Mas existem ou não dragões em Madrid?

Continuas a trabalhar noutras obras? Como é que vives a escrita?
Publicar dois livros no mesmo ano é tarefa dura, e estrategicamente errada. Podem “colidir” um com o outro, e interferirem na sua divulgação. Como têm públicos alvo diferentes conseguiu-se que não houvesse este efeito. Mas o terceiro está na forja. Metade está já escrito, e a gestação em curso normal … mas é outro estilo … este é aquilo que gosto num livro … atual e uma “canelada que vai até ao osso” do establishement. Mais não revelo para já.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Já se pode brincar na relva, de Rui de Brito. Num alfarrabista ainda se consegue adquirir.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Muito trabalho, imaginação e obras com qualidade.

Descreve-te numa palavra:
Tenaz.


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Tu és aquilo que pensas, de James Allen

Tu és aquilo que pensas (COMPRAR) é um bestseller de desenvolvimento pessoal e espiritual, da autoria de James Allen, escrito há mais de cem anos, e que teve uma nova edição pela Albatroz, chancela da Porto Editora.

Este livro é, sem dúvida alguma, uma preciosidade, um pequeno tesouro para guardar sobre a mesa de cabeceira e no coração, com uma mensagem poderosíssima que a humanidade precisa e tem de aprender; o poder do pensamento.

Acredito que até os mais céticos serão capazes de ver esta verdade por outro prisma com a leitura deste livro, mas para aqueles que acreditam, esta obra nada mais é do que uma confirmação de tudo o que temos vindo a aprender.

Não é fácil controlar o pensamento, porém acredito que seja possível aprender a domá-lo, acredito que com o tempo, a prática e a força de vontade, podemos mudar as nossas mentalidades e a mentalidade daqueles que nos rodeiam.

Esta obra é marcada por uma linguagem delicada, mas direta, eloquente e apelativa, que transporta o leitor, o incita à reflexão, fá-lo ponderar sobre o que lê e sobre o que pensa. 

O autor conseguiu com mestria tornar este livro numa relíquia, que serve de ensinamento ao leitor, que o leva a aprender, a sorver as suas palavras e a desejar que as mesmas se entranhem em si. 

Durante a leitura que, por acaso, fiz em menos de uma hora, senti uma leveza indescritível, um desejo de recomeçar, senti que o autor falava comigo, e é isto que todos queremos de um livro, sobretudo, de uma obra deste género em particular.

A sensação de que não estamos sozinhos, de que alguém nos quer ajudar, alguém quer dar um rumo aos nossos pensamentos e, consequentemente, à nossa vida.

Uma obra intemporal e maravilhosa!

Uma leitura:

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Não Há Luz Neste Quarto, de Helga Lima

COMPRAR
Não Há Luz Neste Quarto é um pequeno livro de poesia da autora portuguesa, Helga Lima, publicado este mês pela Chiado Books.

Este é o primeiro livro da autora, que dá assim a conhecer o seu trabalho literário pela primeira vez, mas com a promessa de que consquitar o leitor.

Só o título já é bastante sugestivo, e a sua poesia é uma mistura de sentimentos profundos com sombras, com a tristeza que nos inunda, com a morte, a podridão, as drogas e o medo.

Mas se não há luz neste quarto, a verdade é que toda a aura sombria que povoa este livro é, paradoxalmente, recheada de uma luz que a alcança e absorve o leitor, levando-o numa viagem ao mundo interior da autora.

A sua escrita é intensa, pejada de emoção, com laivos de dor e amor, sentimentos tão díspares que nada são um sem o outro, e a autora com a mestria própria dos poetas, faz com que as suas palavras se entranhem em quem as lê.

O único defeito deste livro? Demasiado pequeno.

Senti que poderia ler mais e mais da autora, que não me iria fartar. Já expetante que estou pelo que virá depois. 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Do Outro Lado da Ponte, de Eder Marcon

COMPRAR
Do Outro Lado da Ponte é um livro publicado pela Chiado Books, do autor brasileiro, Eder Marcon.

Esta obra trata-se de um romance, cuja ação decorre na segunda metade do século dezanove, numa cidade a Noroeste da Sicília.

Nesta narrativa acompanhamos o pequeno Gino, um menino que após ficar órfão é criado com pais adotivos que tudo fazem para o proteger.

Através de uma narrativa coesa, bem construída e de uma profundidade incrível somos levados por Gino numa viagem ao nosso próprio subconsciente, quando o subconsciente do protagonista é colocado à prova nesta obra.

Assim, ao encontrar o ser do outro lado da ponte que o vai guiando numa descoberta interior, aflorando os seus sentidos, a busca pela maturidade e o moldar do seu caráter ainda jovem, é colocada a questão: quem é a pessoa do outro lado da ponte?

Com uma linguagem muito polida e clara, com uma história poderosa sobre o amor, a amizade e o autoconhecimento, este livro segue para um nível mais profundo, absorvendo o leitor, fazendo-o refletir e até sonhar.

Gostei da obra, de um modo geral, e fica aqui a recomendação de leitura. Parabéns ao autor pelo trabalho que conseguiu cumprir com mestria através da sua escrita.


segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Os Filhos da Droga, de Christiane F.

Os Filhos da Droga (COMPRAR) é uma obra que foi editada pela primeira vez em 1978, de Christiane F., na altura, uma adolescente de 15 anos, e publicada em Portugal sob a chancela da Editorial Bizâncio.

Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e é quase um ultraje da minha parte só o ler agora, porém, acredito que tudo tem uma razão e que alguns livros chegam até nós no momento certo.

Os Filhos da Droga é um relato em primeira pessoa de Christiane F. sobre a sua experiência com a droga desde os doze anos, altura em que fumou o primeiro charro e começou a consumir drogas mais "leves", como haxixe, por exemplo. É um relato de como o mundo das drogas a levou à decadência ao iniciar-se no consumo de LSD, injetando-se, posteriormente, com heroína, e fazendo-a passar inclusive pela prostituição infantil de modo a poder manter o vício. 

Se a sua história é surpreendente, mas ainda se torna pelo facto de sabermos que Christiane era apenas uma criança quando foi sugada para este mundo, perdendo a sua identidade. 

O relato é impressionante, pejado de emoção, marcado por uma narrativa fluída, por uma linguagem cativante e despojada, sem clichés ou floreados. Através da própria Christiane temos uma clara visão do mundo da droga e das suas consequências, e acredito que seja fundamental que todos os jovens leiam esta obra.

É certo que o meio onde Christiane se inseria contribuiu para que se desviasse do caminho correto, é certo que muitas vezes apenas queremos ser aceites pelos outros, queremos encaixar-nos no ideal dos grupos que nos rodeiam, ser mais como fulano ou sicrano e menos como nós mesmos, mas qual será afinal o caminho correto, quando tudo nos parece desprovido de vida e de certezas?

Este é um livro magnifico, que prende o leitor da primeira à última página, não nos permitindo sequer descansar. É um livro que nos transporta de uma forma crua para uma realidade atroz e cruel, uma realidade que, na maioria das vezes, ignoramos, seja por medo ou por impotência. 

Gostei, acima de tudo, da linguagem da autora, com a qual muito me identifiquei, por ser simples, direta, sem filtros, por despir a verdade das suas máscaras, mostrando-a tal como ela é, levando o leitor a refletir sobre ela e a enfrentá-la.

Sem dúvida, um dos melhores livros de sempre e uma das leituras preferidas deste ano!

Uma leitura:




domingo, 24 de novembro de 2019

O Que Faria Se Ganhasse O Euromilhões?, de Eduardo Figueiredo

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O Que Faria Se Ganhasse O Euromilhões? é um livro do autor português, Eduardo Figueiredo, publicado em fevereiro pela Emporium Editora

Trata-se de uma obra pioneira em Portugal, onde o autor reúne uma série de pesquisas feitas ao Euromilhões desde que o mesmo apareceu em Portugal. 

Através dessas pesquisas, Eduardo apresenta-nos numa espécie de "guia prático", dicas e combinações para conseguirmos alcançar um prémio no Euromilhões. 

Não se trata de uma fórmula mágica que garantirá o futuro prémio do leitor, contudo, ao aliar um conjunto de ideias às quais o autor chegou através da sua pesquisa, temos a possibilidade de aceder a ficheiros inéditos que nos permitirão saber o histórico de todas as chaves do Euromilhões. O autor disponibiliza também uma macro para calcular potenciais combinações. 

Ao longo da obra que, por sinal, não é longa, Eduardo vai mostrando chaves, mostrando a quantidade de vezes que saíram, os números que não saem há mais tempo, e dá-nos assim várias dicas para jogar e apostar.

A linguagem do autor é simples e direta, quase que parece que o mesmo conversa com o leitor ao longo das páginas. Por fim, a verdade é que o Euromilhões será sempre uma questão de persistência combinada, é claro, com a sorte. 

Achei que o livro levantaria de facto questões ao leitor, fazendo-o pensar sobre o que faria se ganhasse o Euromilhões e esta pequena e simples questão não foi aprofundada tal como julguei que seria, sobretudo se tivermos em conta o título da obra. 

No entanto, trata-se de uma obra interessante, com uma abordagem diferente, pioneira no nosso país e com um toque leve de humor do autor, que confere um tom muito natural à leitura, e que não maça o leitor, tratando-se pois, de um livro de poucas páginas.

Porque, efetivamente, o que faria o leitor deste post se ganhasse o Euromilhões?

Aproveita e saiba como fazer parte da maior Sociedade de Apostas Portuguesa, acedendo ao post "E se tivesse o segredo para ganhar o Euromilhões?" ou contacte o autor para mais informações AQUI