sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Pelas Ruas De Uma Cidade Sem Nome de Carla Ramalho


Carla Ramalho é uma jovem autora portuguesa, cuja primeira obra foi publicada sob a chancela da Coolbooks, da Porto Editora, dedicada aos novos autores nacionais.

Pelas Ruas De Uma Cidade Sem Nome é o título da história que li em apenas algumas horas e que me tocou profundamente.

É um livro de poucas páginas, com uma escrita extremamente acessível e cuidada, lírica até. Que prende o leitor logo no primeiro parágrafo.

Gosto muito de descobrir novas obras, sobretudo de autores nacionais, Eles estão a emergir, ainda que lentamente, isso deixa-me muito satisfeita. Precisamos de apoiá-los, dar-lhes o incentivo de que precisam para continuar. 

Na sua narrativa, ela apresenta-nos dois protagonistas muito díspares, e no entanto, mais semelhantes do que parecem. Por um lado, temos a Madalena. Madalena é prostituta e encontra na escrita uma escapatória da sua dolorosa realidade. Por outro lado, temos João. João é escritor, usa a escrita como catarse, e esconde a sua identidade. Ambos carregam o peso de passados que os marcaram terrivelmente, e moldaram para sempre.

Mas quando descobrem, um no outro, o sentido do amor, será este sentimento forte o suficiente para alterar as suas trajetórias e superar as barreiras, aparentemente intransponíveis?

Fiquei estarrecida com a linguagem da autora, pejada de emoção, que nos mostra realidades que muitas vezes, preferimos não ver, ignorar, desvalorizar. Transporta-nos para o mundo destes protagonistas e faz-nos suspirar, sofrer e amar com eles.

É uma história sobre histórias, que nos relembra o quanto é importante, acreditar no amor.


Sobre a autora
Nasceu em Évora, em 1976. Acredita que foi por ter nascido alentejana que lhe veio o gosto pela escrita – a prosa das gentes e a poesia da planície tinham de extravasar. Licenciou-se em Sociologia e trabalha há vários anos na área social. A investigação, a formação profissional e os projetos de desenvolvimento local já a fizeram viajar um pouco pelo país. Até pela Europa. Mas é sempre à escrita que regressa. Nunca deixou de escrever. Para si, acima de tudo. E para os mais chegados que, simpaticamente e sem pensarem muito nas consequências, lhe elogiaram continuamente o jeito. Surge agora o seu primeiro romance.


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O Livro da Vida de Kahlil Gibran


O Livro da Vida de Kahlil Gibran foi recentemente publicado pela Albatroz, uma chancela da Porto Editora. Este livro reúne vários textos célebres do autor de “O Profeta”.

Gibran eternizou a sua existência terrena através das suas palavras preciosas, das suas mensagens sublimes e poderosas, inspirações para a vida.

Esta coletânea, organizada por Neil Douglas-Klotz traz-nos alguns dos seus trabalhos mais conhecidos e outros tantos inéditos, que vão da prosa à poesia. Ao longo de duzentas páginas, somos brindados com mais de 100 textos que ganharam destaque a nível mundial. Gibran está entre os autores mais vendidos mundialmente, lado a lado com figuras como o Shakespeare.

A sua sabedoria incontornável e a pungente espiritualidade impregnada em cada uma das suas palavras tornam este livro, indispensável à nossa própria existência.

O autor divaga entre a vida, a natureza e o Eu. São páginas que se leem de uma rajada, mas que devemos sempre revisitar e reler. Pela força sutil da mensagem que nos transmite, que se entranha, que se vive. Que se precisa para viver.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Amores da adolescência

De repente, voltamos o rosto na direção oposta, na certeza de termos escutado aquela voz, que por mais anos que passem, sempre será familiar. 

Somos acometidos por uma espécie de loucura, que nos desassossega. 

Sentimos aquele cheiro tão característico, que em tempos também se entranhou na nossa pele, também se fundiu em nós. 

Mas já somos crescidos. Já não gostamos do que gostávamos antes. Já não ouvimos aquelas músicas. Já nem pensamos sobre o que passou. E ainda assim, o nosso coração sente-se uma eterna criança, quando confrontado com quem o marca. 

Há amores que não duram para sempre. Que estão condenados desde o início. Há amores que prolongamos, apenas porque temos medo do que virá depois. Há amores que nos transformam e que nos fazem questionar, se depois do fim, valerá a pena nos apaixonarmos outra vez? 

O certo é que acontece. O coração fecha as feridas, faz as malas e vai embora. Parte para muito longe da vida de quem não quis ficar na nossa vida. Revigoramo-nos. Recomeçamos. E de repente, lá está a voz. 

A gargalhada profunda do outro lado da rua, a fazer-nos voltar o rosto, procurando aquele de que provém. Não é sobre o amor. Mas todos, ainda que de um modo inconsciente, quando ficamos frente a frente com o passado, sentimos necessidade de mostrarmos que estamos bem. 

Vês, vês, que eu segui sem ti. Não é sequer sobre imaturidade, é apenas uma pulguita que fica, que faz ninho na nossa alma. Que nos faz sentir que o outro tem de ver que estamos melhor, que superamos, que encontramos outro amor. 

Há amores que não duram para sempre, mas ainda assim, ficam em nós para sempre. Deixam de ser amores, tornam-se outra coisa qualquer, que fica em nós para sempre. Como um lembrete daquilo que um dia fomos e desejávamos ser. Como um lembrete de que somos capazes de seguir em frente, recuperar e amar mais uma vez. 

São amores preciosos, esses que nos fazem sofrer. Esses da adolescência. São eles que nos preparam para a vida adulta. São eles que nos mostram que há vida para além do amor. São eles que nos ensinam a perder e a ganhar de novo. 

Louvados sejam todos que nos partem o coração, dando-nos a oportunidade de encontrarmos aquele que nos estava destinado.

2018 ® Letícia Brito. Com tecnologia do Blogger.