terça-feira, 20 de agosto de 2019

Na ponta dos dedos com... JP Santsil

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Jp, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: como é que te iniciaste na escrita?

R: Saudações a todos. Tive início na escrita aos 14 anos de idade, quando um casal de poetas foram fazer uma oficina de poesia em minha escola. Participei dessa oficina que durou um mês, resultando numa pequena e simplória antologia em que escrevi o meu primeiro texto criativo.

O que é que a escrita trouxe à tua vida?
R: Me trouxe muitos benefícios e oportunidades profissionais, em que trabalhei como captador de recursos, assessoria e planeamento para Organizações Não Governamentais, na área social, cultural, educacional e ecológica. Em que tinha que escrever muitos projetos e programas para editais governamentais ou corporativos. E por essa afinidade com a escrita ao longo do tempo, resolvi escrever meu primeiro livro: O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA, e pretendo seguir carreira como escritor e autor de livros.

O que te motiva a escrever?
R: Vejo a escrita como a primeira tecnologia de programação da humanidade, em que se perpetuam culturas, religiões, leis e governos ao longo do nosso trajeto histórico civilizatório. E posso compreender o poder que ela tem de perpetuar a história da humanidade, e por isso, fui motivado a escrever.

Dedicas parte da tua vida ao ativismo social, cultural, educacional e ecológico. Estas vertentes às quais estás ligado têm impacto na tua escrita?
R: Sim! Completamente. 70% de todo trabalho de uma Organização ou Movimento Ativista é escrita, lidando dia-a-dia com burocracias, relatórios, projetos e finanças.

És natural de Salvador. A cidade onde nasceste tem influência na tua escrita?
R: Salvador, esta cidade que tão bem nos representa mundo afora, foi a primeira capital do Brasil. Denominada, primeiramente, como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, a cidade, capital da Bahia, é notável em todo o país pela sua gastronomia, música, literatura e arquitetura. A influência africana em muitos aspectos culturais a torna o centro da cultura afro-brasileira. O Centro Histórico de Salvador, localizado no bairro do Pelourinho, é conhecido pela sua arquitetura colonial portuguesa, tendo sido declarado como Património Mundial pela UNESCO em 1985. Terra de muita cultura e etnias miscigenadas. Muitos bons escritores brasileiros surgiram lá como: Gregório de Matos que é considerado pela crítica especializada um dos maiores poetas do barroco em Portugal e no Brasil, e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa no período colonial; Castro Alves, Foi o nosso mais inspirado poeta condoreiro; Ruy Barbosa Foi um dos organizadores da República e atuou na defesa do federalismo, do abolicionismo e na promoção dos direitos e garantias individuais. Foi Ministro da Fazenda do Brasil em sua época e membro da Academia Brasileira de Letras; Jorge Amado foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos, e é o mais adaptado para o cinema, para o teatro e para a televisão. Em 1994, a sua obra foi reconhecida com o Prêmio Camões. O baiano Jorge Amado, embora não nascido em Salvador, ajudou a popularizar a cultura da cidade ao redor do mundo em romances; Zélia Gattai foi uma escritora prolífica casada por 56 anos com Jorge Amado. Aos 63 anos de idade, começou a escrever suas memórias; João Ubaldo Ribeiro foi escritor, jornalista, cronista, roteirista e professor, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras. Venceu o Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa. Teve diversos trabalhos adaptados para o cinema, para o teatro e para a televisão

Tens algum ritual de escrita?
R: Calma, paz e ouvir o que diz meu coração.

Escreves só quando vem a inspiração ou escrever é um rito que praticas independentemente das circunstâncias?
R: Acredito que a ação faz a inspiração, porém, é claro há momentos criativos. Escrever para mim é como um constante fluxo das águas de um rio, que apesar de despojar-se no mar nunca o transborda.

Em maio publicaste o teu primeiro livro, O Filho Daquela Que Mais Brilha - A incrível saga do Quilombo dos Palmares no Novo Mundo. Podes falar-nos um pouco sobre ele?

R: 7 anos em pesquisa com viagens a Lisboa e Amsterdão. 4 anos de escrita. O que há de engodo? O que há de verdade nessa história? Está obra relata não só a história do Quilombo dos Palmares, seus líderes e oponentes. Revela fatos ocultos da descoberta e fundação do Brasil. Que vai desde a Europa Medieval, a inquisição católica e o aculturamento dos judeus sefarditas em cristãos-novos, e os movimentos criptojudeus libertários até a África e seus originais impérios africanos, desembarcando em terras dos nativos e originais povos das florestas tropicais sul-americanas, classificados como índios pelos cristãos ibéricos europeus. Relata, também, a colonização espanhola e holandesa na Capitania de Pernambuco, que compreendia os atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e a porção ocidental da Bahia. E nos conta uma história de amor e luta, esperança, liberdade e crenças messiânicas em um período trágico da história brasileira. Nenhum outro livro revela a fantasia que virou realidade, e a verdade que se transformou em engodo como este. Esta Obra é um romance de ficção histórica, mas que preserva 100% dos fatos verídicos, revelando segredos académicos, desmistificando os achismos e impressões dos historiadores, seus objetivos e discursos manipulatórios. Também, desmascara a fantasia criada pelos diversos movimentos de ativismo negro. Não agradando nem a grego e, nem a troianos, nem a “pretos” e, nem a “brancos”, mas buscando relatar um pouco de verdade histórica, sem manipulações. Este livro é um documento animado, dramatizado e romantizado, sem partido, dando aos personagens históricos emoção e vida.

Trata-se de uma saga. O que te inspira a escrever neste género literário?
R: Eu, praticamente, cresci ouvindo histórias e escutando músicas a respeito do Quilombo e Zumbi dos Palmares. Nasci em Salvador, capital da Bahia, o verdadeiro centro da cultura afro-brasileira. A capital baiana é a cidade com maior número de descendentes de africanos no mundo, seguida por New York, majoritariamente de origem iorubá e congolesa, vindos da Nigéria, Togo, Benim e Gana, Congo e Angola. Depois da ditadura militar (1985), os blocos afros como Ilê Aiyê (1974), o Malê Debalê (1979), Olodum (1979), Muzenza (1981), Cortejo Afro (1998) e o Bankoma (2000) se reergueram na capital baiana, onde as suas maiores inspirações para as letras dos seus enredos foi Palmares e seus heróis. Isso contribuiu muito para minha inspiração desse meu primeiro livro. Reuni todos os fatos históricos, junto a uma bela ficção imaginativa, interligando os muitos personagens históricos da época. Veracidade reunida a fantasia, isso é teoria histórica; retratando que toda história que nos é relatada nas escolas e universidades e nos demais grupos de estudos sobre Palmares não passa de teoria e imaginação dos poucos historiadores que escreveram sobre o caso. Na História não se sabe ao certo quem foi Zumbi, ou Ganga Zumba, ou se esses personagens foram os mesmos. Até porque naquela época Palmares já era uma incógnita, e as poucas informações vieram de alguns bandeirantes e sertanistas que ousaram invadir o Quilombo. Tudo relatado por meio de poucas cartas “um tanto fantasiosas”, para contar os seus feitos e bravuras de guerra. A história real é realmente irreal, engodo e fantasia. Os desafios foram muitos. Desde a construção de um ambiente geográfico, até o desenrolar de toda essa história de que não se tem muitos relatos históricos. Só para se ter uma ideia, ao quebra-cabeça histórico do Quilombo dos Palmares falta 80% de suas peças, das quais 15% são relatos dos bandeirantes, sertanistas e alguns governantes, e o restante, 5%, são alguns “fatos históricos” dentro desses soberbos relatos em que os colonos portugueses auto vangloriavam-se nas suas invasões em Palmares e na captura de alguns de seus líderes. Então, temos 80% de muito engodo e fantasia sobre o Quilombo e seus personagens. Aí é que entra a minha criatividade ao recriar todo um ambiente e mundo, coligando outros personagens históricos, continentes e reinos, e demais situações da época, preenchendo as lacunas desse quebra-cabeça histórico com uma bela e inteligente ficção, e muita espiritualidade por parte de um dos protagonistas o ancião GRIOT Djeli.

Como tem sido a reação dos teus leitores face a este trabalho?
R: Esta obra é fruto de uma vasta pesquisa histórica e sapiência de vida, a qual contém segredos e mistérios tanto académicos, quanto espirituais, base de meus estudos culturais, como um mestiço latino-americano brasileiro e cidadão do mundo. E dos meus estudos espirituais, como ser humano em plena expansão de consciência, nos muitos ensinamentos das culturas africanas, nativo-americanas e do Mediterrâneo asiático e africano. A obra contém não só os muitos ensinamentos dos judeus cabalísticos e Essénios, cristãos gnósticos, europeus alquímicos, ameríndios (andinos, amazonenses e costeiros), mas também as culturas africanas ancestrais dos Yorubas e Mandinkas. E, é claro, toda a cultura dos conhecimentos quilombolas dos afro-brasileiros. Devido ao fato dessa história ser ainda inconveniente para a moderna sociedade brasileira, tive resistências de algumas grandes editoras em publicá-la. Porém, ao lançá-la pela Editora Chiado e, por estar disponível no Kindle Amazon, estou obtendo muitas respostas positivas e surpreendentes por parte do público em geral.

O que podem os teus leitores esperar para o futuro?
R: Depois da escrita de: “O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA”, pretendo definitivamente seguir uma carreira de escritor. Não sei bem ao certo em que ramo, já que meu primeiro livro foi um romance histórico. Mas sei que desejo me focar em temas fortes e que toquem a consciência e espiritualidade do ser humano, que toquem mais ainda o seu coração. Pois acredito no poder e na magia da literatura como um fator educativo na formação e transformação cultural da condição humana, rompendo as muitas cápsulas da ignorância nas quais fomos aprisionados e arraigados com o tempo, por uma sociedade de valores competitivos de raça, classe e status. Sei que muito mais obras de grande valor e beleza hão de vir por aí em minha trajetória de autor.

Tens algum novo livro a ser preparado?
R: Sim! Porém, no momento só no campo das ideias. Ainda estou me recuperando da grande ressaca que foi ao terminar a escrita do: O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA.

Pensas publicar novamente?
R: Constante e permanentemente!

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?

R: Não querendo ser egoísta, mas, sem dúvida: O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?

R: O lado extremo do balançar do pêndulo. Passaria de Ficção Histórica para Ficção Cientifica.


Descreve-te numa palavra: PERFEIÇÃO.

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