Esta é uma narrativa emocionalmente manipuladora e autêntica sobre as experiências da própria autora e o seu crescimento numa comunidade opressora, a seita Satmar, do judaísmo hassídico. É o relato em primeira pessoa de uma mulher forte e corajosa, que lutou por uma vida melhor para si e para o seu filho.
É um livro complexo, a leitura é demorada, requer atenção e cuidado, mas é um livro incrivel, que eu leria de novo, sem problema e sem pensar duas vezes, pela emotividade e pela veracidade da sua história.
Não vi ainda a série da Netflix, mas a obra aguçou-me a curiosidade para tal. Num registo muito próprio, a autora apresenta-nos quase que um livro de memórias, onde coloca a nu a seita em que cresceu e como a mesma influenciou a sua vida.
O retrato cru e mordal, mas igualmente fidedigno, é o ponto forte da obra. A sua escrita escorreita e direta, sem floreados, é um golpe emocional no leitor.
Não é fácil aceitar e perceber que esta é uma realidade, tendemos até a ignorar e evitar, porque é triste, impensável e desolador, porém, é preciso fazê-lo. É preciso dar voz a quem se tem silenciado, mesmo sem querer, é preciso abrir os olhos e a mente, e encarar a temível realidade de frente.
Este é um olhar perspicaz sobre uma cultura misteriosa e secreta, mais próxima do que pensamos. Um livro que todos deveriam ler.
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