quarta-feira, 22 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Ana Rita Nápoles


Olá, Ana Rita. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Olá, antes de mais deixe-me agradecer-lhe a oportunidade que me está a dar na divulgação do meu livro…
Respondendo às suas questões…
Desde sempre que o meu gosto pela escrita existiu, recordo-me que na altura em que andava na escola os professores pediam para escrever histórias e eu adorava, no entanto nunca valorizei a escrita ao longo dos anos…
Os anos foram passando até que com 25 anos na altura em que me tornei mãe, achei que seria engraçado escrever uma história sobre ela para oferecer aos convidados por ocasião do seu batizado…4 anos depois, quando nasceu o meu Salvador achei que seria engraçado escrever uma história também para oferecer, no entanto, desta vez quis realizar uma história infantil com ficção para as crianças, mas tendo por base a história verdadeira e as passagens que aconteceram ao longo da gravidez, assim escrevi “Uma estrela brilhante”, uma história escrita com o coração e ilustrada pela minha princesa.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo levo o coração e a emoção na ponta da caneta, com a escrita liberto-me e deixo-me levar por aquilo que de melhor existe em mim, mesmo nas alturas que me sinto mais em baixo, a escrita ajuda-me a libertar tudo o que estou a sentir, e, nessa altura sinto-me realmente realizada e feliz…

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Penso que a escrita enquanto pessoa não mudou nada em mim, pois continuo a ser a pessoa que sempre fui, sou uma pessoa simples e não acho que por escrever sou mais do que alguém, apenas tenho a facilidade de escrever o que me vai no coração…

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Agora que dizem que sou escritora espero sinceramente que a minha escrita ajude todos aqueles que a leem a libertarem-se e a serem mais felizes… Gosto quando me dizem que a minha escrita tem boa energia… sinto que realmente estou no caminho certo, pois tenho como objetivo de vida gerar sorrisos e boa disposição… Quando acreditamos coisas boas acontecem e eu acredito todos os dias que com a escrita irei muito longe… A minha viagem enquanto escritora ainda está muito no início, no entanto, todos os dias aprendo algo novo e genuíno, aprendi principalmente que o amor move montanhas… pois foi com amor que esta história foi escrita e é com amor que todos os dias a apresento nas escolas, o feedback tem sido maravilhoso…
Os sorrisos que recebo de todas as crianças e pessoas que assistem à apresentação do livro são maravilhosos e os abraços que daí surgem fazem com que acredite que realmente é possível fazer o mundo todos os dias um bocadinho melhor, afinal são as pequenas coisas que fazem a diferença…

Na tua biografia denota-se uma grande ligação à arte e à família. Qual a importância da arte e da família na tua vida?
Desde muito cedo que a arte esteve presente na minha vida, os desenhos, os teatros, os trabalhos manuais sempre estiveram comigo desde que me lembro… bem pequenina fazia teatros, danças, trabalhos manuais para apresentar e ofertar á família que sempre me apoiou nesta minha aptidão. A criatividade sempre me foi incentivada por todos.
Quanto à família, ela é sem dúvida nenhuma o meu pilar desde o primeiro dia, é com ela que todos os dias eu choro, rio, barafusto, abraço… A minha família é o combustível diário que necessito para acreditar que amanhã vai ser melhor que hoje, sem ela tudo isto que está a acontecer neste momento da minha vida não era possível.

Publicaste, sob a chancela da Emporium, o livro “Uma Estrela Brilhante”. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
O livro “Uma Estrela Brilhante” é um sonho tornado realidade, ele fala-nos de um menino chamado Salvador que vivia sozinho numa pequena estrela brilhante, Salvador tinha o sonho de ser um menino de verdade e ter uma família. Um menino corajoso que arriscou e nunca desistiu do seu sonho até o conseguir alcançar… É um livro de incentivo a nunca desistirmos dos nossos sonhos por mais difícil que o caminho seja… Ainda é muito importante referir que este livro é todo ilustrado pelos magníficos desenhos da minha filha Anita de 9 anos, o que me orgulha e enche o coração!

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É um livro voltado para o público infantil. O que te levou a escrever para esta faixa etária?
Sou animadora sociocultural e o trabalho com crianças e idosos sempre me fascinou, o livro ser direcionado para crianças deveu-se ao fato de eu querer presentear os meus filhos com algo feito por mim para eles que são crianças e que estão na idade de sonhar e não desistirem dos seus sonhos. Por outro lado quis incentivar a leitura, acho que a leitura é extremamente importante em todas as idades, mas na infantil é um incentivo à cultura e à criação de um mundo melhor.

A tua escrita é puramente ficcional ou está intimamente ligada a ti?
Por norma tudo aquilo que escrevo está intimamente ligado a mim, quer sejam vivências minhas quer situações que me tocaram de alguma maneira…Eu escrevo com o coração…

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O feedback tem sido fantástico, as crianças têm vibrado com a história nas escolas, os sorrisos, os abraços, o carinho recebido, fazem-me crer que foi algo surpreendentemente bem conseguido, o que me deixa muito feliz…
Sou animadora sociocultural de profissão e desde a minha ida ás escolas, as festas de aniversário têm surgido, e a minha chegada às festas é sempre vista como a menina da estrela brilhante o que me orgulha imenso…
Receber telefonemas de pais a dizer que os filhos adoraram a história e querem um livro para eles é um sentimento sem explicação…
Ouvir crianças a dizer que vão guardar a semanada para comprar o livro é sem dúvida o sonho realizado quer pela leitura que incentivei, quer pelo trabalho que efetuei e que deu os seus frutos. É extremamente gratificante, sinto que realmente o caminho é este, gerar sorrisos é aquilo que quero fazer hoje amanhã e depois.

E como está a correr a tua experiência no mundo editorial?
O mundo editorial tem sido uma verdadeira surpresa, tenho realizado feiras do livro, e aquilo que recebo dos leitores é fantástico, chegarem até mim porque querem o meu livro emociona-me cada vez que isso acontece.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
No âmbito da escrita tenho realizado alguns textos para um blog de escritores “Páginas Partilhadas” e adoro… Todos os meses é nos dado um tema para escrever, posto isto os textos vão sendo publicados ao logo do mês seguinte…
A criatividade, o desafio é o que me incentiva a escrever mais e mais sem vontade de parar de percorrer este caminho que tem sido tão bonito…
Há poucas semanas comecei também a colaborar com outro blog intitulado de “Histórias com 77 palavras” giríssimo e desafiante, no qual temos de escrever uma história com 77 palavras não mais….
É, nos dado o tema ou as palavras que deve conter, a partir daí o céu não é o limite…
Nunca pensei que o mundo das letras fosse tão bom para viver e ser feliz…

Gostas de ler?  Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O gosto pela leitura apesar de fomentado nunca foi uma parte favorita, no entanto acho que se tivesse de escolher um livro para a vida não o conseguiria fazer pois em cada livro lido é retirada uma frase, um sentimento, uma ideia que fica para o nosso dia-a-dia como aprendizagem.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Não tenho temas favoritos para escrever gosto de escrever com o coração apenas, o tema esse não é prioritário desde que escreva o que sinto acerca do que estou a escrever.

Pensas em publicar novamente?
Claro que penso em publicar novamente, inclusive já estamos a preparar o próximo livro também infantil, a minha artista já está a desenhar acerca do amor que nos une uma à outra…
É um livro de amor onde existe um alerta para as crianças no que se refere ao abuso infantil.
Ainda está tudo embrionário no entanto o objetivo é publicá-lo a seu tempo...

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Escrever noutro género é algo que me entusiasma, talvez reunir uma série de textos escritos por mim e fazer um livro de pensamentos, confesso que é algo que penso, uma vez que os leitores destes textos dizem falar muito ao coração e transmitirem algo.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
O futuro é algo que me espera de braços abertos e acredito que coisas boas surgirão nesta minha paixão tão recente. Espero que os meus leitores me continuem a acompanhar neste caminho, para eles o que digo apenas é que continuarei a escrever com o coração como até agora o fiz.

Descreve-te numa palavra: descrever-me numa palavra é difícil…. Talvez acreditar seja a palavra pois acreditei e consegui realizar o meu sonho … Acredito todos os dias que o amanhã vai ser melhor que hoje … “Com o coração vemos e sentimos coisas que já mais estarão perante os nossos olhos…”             

Tempestade de Guerra, da série Rainha Vermelha já à venda

Mare Barrow aprendeu rapidamente que para vencer é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, que praticamente a destruiu, Mare está determinada a proteger o seu coração e a continuar a lutar com os rebeldes para assegurar a liberdade de Vermelhos e sangue novos. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de Norta – começando pela coroa de Maven. Mas para a guerra que se avizinha é necessário ter aliados poderosos. Conseguirá Mare lutar ao lado dos que a magoaram para assegurar a vitória? Ou será a rapariga-relâmpago silenciada para sempre?

Na primeira parte da conclusão desta extraordinária série, Mare terá de abraçar o seu destino e convocar todo o seu poder. Quem sobreviverá aos testes que se aproximam?


Sobre a autora
Victoria Aveyard é natural do Massachusetts, EUA, e notabilizou-se como autora e argumentista. Os pais são professores e grande parte da sua infância foi influenciada por Star Wars, O Senhor dos Anéis, Indiana Jones e Harry Potter. Formou-se em Escrita de Cinema e TV na Universidade do Sul da Califórnia e tem-se dedicado a vários projetos literários e cinematográficos.  Após mudar-se para Los Angeles, publicou Rainha Vermelha, em 2015, que entrou para o primeiro lugar de vendas da lista do The New York Times e já foi traduzido para mais de trinta línguas.

Uma publicação com o apoio:



A Filha Devolvida de Donatella di Pietrantonio

A Filha Devolvida de Donatella di Pietrantonio (COMPRAR AQUI) é um romance premiado e uma das mais recentes novidades da ASA

Esta é uma história curta, mas de extrema profundidade, marcada por uma escrita simples e sensível, que nos transporta para a vida da sua protagonista com facilidade.

Neste romance cuja ação decorre em Itália, no ano de 1975, acompanhamos uma menina de treze anos, que vive numa casa à beira-mar, que tem aulas de ballet e natação, boa aluna e com pais extremosos. Esta realidade é, no entanto, atingida por uma verdade que muda toda a vida da jovem menina.

Sem uma razão aparente ou que o justifique, descobre que os seus pais são seus primos afastados e é devolvida aos pais biológicos, aterrando como que de para-quedas numa aldeia pequena, numa casa onde a comida escasseia e no seio de uma família numerosa. 

Esta menina, cujo nome é uma incógnita para o leitor, descobre que terá de se adaptar a uma nova vida, a uma educação diferente daquela que recebeu, com pessoas que mesmo sendo do seu sangue, até então lhe eram completamente desconhecidas.

É, contudo, junto da irmã de dez anos, Adriana, e do irmão mais velho, Vincenzo, que a menina encontra um conforto diferente do que esperava, mas que, ainda assim, a ajudará a moldar-se à sua nova (e verdadeira) família e a uma verdade da qual jamais escapará, ela é "A Regressada", a filha devolvida, a intrusa, a desconhecida. 

No meio da fase turbulenta que é a adolescência, esta menina irá enfrentar todos os desafios com que a vida a brinda, numa constante procura pelo lugar a onde pertence

Um livro belo e marcante.

Uma leitura:



terça-feira, 21 de maio de 2019

Encontro de Escritores' 19 | Apoio SStylish

No passado dia 19, tive a oportunidade de participar de um Encontro de Escritores' 19, em Sobrosa. Foi uma tarde bem passada, onde pudemos dialogar e dar a conhecer o nosso trabalho. A escrita chegou à minha vida quando eu era apenas uma menina, atualmente, já publiquei dois romances, tendo o segundo, O Dia em que Chegaste, vencido o 3º Lugar de Melhor Obra 2018, num troféu da Cordel D' Prata. 

Em breve, trarei mais novidades e novas datas onde poderão privar um pouco comigo e as minhas obras. 

Esta data foi patrocinada pela SStylish Clothes, uma marca portuguesa com roupa e acessórios de qualidade, onde o atendimento é impecável, atencioso e simpático, gerida por pessoas excecionais. O meu outfit é SStylish.

Podem conhecer mais da SStylish (AQUI) e (AQUI)


Um post patrocinado por:



A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta de Gabri Ródenas

A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta de Gabri Ródenas (COMPRAR AQUI) chegou às livrarias portuguesas pela Editorial Presença e tem conquistado os leitores.

Este é um livro pequeno (em tamanho), mas gigante no seu conteúdo, com uma mensagem simples, doce e poderosa sobre a vida.

Não é um livro de autoajuda, mas certamente ajudará o leitor, pejado de emoções e de pensamentos bonitos e que incitam a reflexão no leitor, é uma obra que seguramente marca todo aquele que tem a coragem para se deliciar com a sua leitura.

Nesta narrativa, acompanhamos a avó Maru, ou doña Maru, como é conhecida em Oaxaca. A sua vida não foi fácil, órfã, fugiu do orfanato aos treze anos e aventurou-se pelo mundo sozinha.

Apesar das situações tristes e dolorosas em que se viu envolvida desde tenra idade, isso não a demoveu dos seus sonhos e tornou-a sapiente, uma mulher que vale a pena escutar, uma avó que todos gostaríamos de conhecer

Quando descobre que tem um neto, Elmer, e há uma remota possibilidade de o encontrar e conhecer, monta na sua bicicleta, que toda a vida a acompanhou, e viaja durante duas semanas, fazendo cerca de 30 quilómetros por dia, numa jornada que a aproxima cada vez mais de Elmer, e que traz ao leitor um mundo repleto de mensagens de força, da importância de acreditar e da importância dos pequenos gestos para a mudança do mundo, não apenas do mundo que nos rodeia, mas do nosso mundo interior.

Nessa viagem à procura do neto, são várias as pessoas que a avó conhece e a quem transmite lições, lições que chegam à alma do leitor. Maru não sabe onde o encontrar, mas acredita que há um Grande Plano e que chegará até Elmer, porque esse é o seu destino.

Uma obra que se lê em poucas horas, que nos transporta para a vida de doña Maru e que nos faz desejar conhecer esta personagem, cuja simplicidade e sapiência nos marcam profundamente o coração.


Sobre o autor
Gabri Ródenas é um autor de ficção contemporânea e inspiracional, considerado um dos escritores espanhóis mais interessantes do panorama literário atual. Com uma voz fresca e vigorosa, constrói histórias que transmitem mensagens poderosas nas quais se entrelaçam diferentes elementos: humanidade, humor, ação e espiritualidade, com uma interessante base filosófica, acessível a todos os públicos. É doutorado em Filosofia pela Universidade de Múrcia e concilia o seu trabalho de escritor com o de professor na Faculdade de Comunicação Audiovisual desta universidade. Graças à forma como utiliza as redes sociais, à sua independência e à sua originalidade, a revista literária Qué Leer chamou-lhe «o escritor hacker». Para além de A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta, escreveu vários romances de grande sucesso no seu país.

Uma leitura:


A Fábrica de Bonecas de Elizabeth Macneal

A Fábrica de Bonecas de Elizabeth Macneal (COMPRAR AQUI) foi considerado um dos livros de estreia mais aguardados de 2019, e este mês chegou às livrarias portuguesas pela Topseller, numa edição bela e intrigante, que aguçou a curiosidade de todos os leitores.

Bela e intrigante também é a sua história, narrada na terceira pessoa, cuja ação principal decorre em Londres, no século XIX, no ano 1850. 

A narrativa tem como personagem principal a jovem Íris, uma aspirante a artista, cuja vida é marcada pelo trabalho no Empório das Bonecas, da Sra. Salter, uma mulher rude e movida a comprimidos. Íris trabalha com a irmã gémea, Rose, outrora tão bela quanto ela, no entanto, parte do seu rosto está coberto pelas marcas de um surto de varíola, que lhe roubou a beleza e a sua auto-estima. 

Íris tem algo que poderia ser considerado um defeito, a sua clavícula quebrada à nascença, não recuperou, e se por um lado, este pormenor a diferencia, também é a razão que leva Silas, um colecionador de raridades, um homem estranho e perverso, a admirá-la e a deixar-se obcecar com a beleza extraordinária da jovem ruiva.

Íris persegue o seu sonho de ser pintora e, apesar deste não coincidir com a época em que vive, é nele que se apoia e é nele que investe, posando como modelo para Louis Frost, um pintor aclamado, que lhe ensina a arte de pintar. 

No entanto, a obsessão de Silas pela jovem, obsessão que a própria ainda desconhece, poderá colocar em risco a sua vida e o seu sonho.

Esta é uma história trágica e bela, onde temas como a arte, o amor e a obsessão são esmiuçados, conferindo uma tal profundidade à narrativa que mantêm o leitor, dir-se-ia, obcecado da primeira à última página. 

Com um estilo narrativo gótico e uma linguagem escorreita e delicada, a autora apresenta-nos uma obra pejada de emoções, uma obra que me recordou "O Perfume" de Patrick Suskind, um livro que li no inicio da adolescência e que me marcou profundamente. Fiquei, portanto, certa de que A Fábrica de Bonecas teria o mesmo efeito sobre mim e não me enganei. 

É um livro que não conseguimos largar, que nos aprisiona, que nos faz desejar conhecer a Londres de 1850 e privar pessoalmente com as suas personagens tão intrigantes, quanto belas. Um livro obrigatório!

Uma leitura:


segunda-feira, 20 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Ana Ribeiro

Olá, Ana. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: na tua biografia partilhas que começaste a escrever muito jovem, em diários? Como recordas esse início no mundo da escrita?  
Recordo-o com alguma nostalgia. Sempre fui uma miúda muito tímida e essa timidez fez com que sofresse de bullying na escola, em vários anos, e na faculdade, o que deixou uma marca muito forte em mim tornando-me numa pessoa reservada e com alguma dificuldade em comunicar com os outros. Lembro-me que o meu primeiro diário me foi oferecido num aniversário aos nove ou dez anos e um dia, sem nada que o fizesse prever, decidi começar a escrever, queria experimentar a sensação de escrever um diário. Era naquelas folhas que guardava as alegrias e as tristezas que ia vivenciando e que desabafava as coisas porque ia passando. Os diários eram o meu refúgio.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Felicidade plena e realização pessoal.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita ajudou-me a gerir melhor a timidez, a descobrir o prazer de comunicar com as pessoas e a dar mais valor ao que escrevia; porque eu escrevia essencialmente para mim e não dava grande valor ao que escrevia. Eram coisas minhas. No fundo, deu-me autoestima.

E enquanto escritora, o que tens aprendido? 
Em qualquer profissão é preciso ser-se persistente, fazer muito mais e melhor e trabalhar-se muito para se conseguir atingir os objectivos. Um escritor não foge a essa regra porque o mercado é bastante forte e competitivo e aparecem cada vez mais jovens autores e não é fácil vingar. Ser escritor é um enorme desafio porque estamos constantemente a ser postos à prova, é necessário trabalhar muito, ter muita paciência, ser-se persistente, resiliente e ter a abertura e a capacidade de experimentar coisas novas, géneros literários diferentes, por exemplo, adaptando-se assim às circunstâncias.

Foi com a poesia que te iniciaste na publicação, através do título Diário de Uma Vida. Como encaras o processo de escrever poesia?
Escrever poesia é mais fácil e mais leve do que escrever prosa, por exemplo, que é um género mais exigente, com regras mais específicas, onde temos que dar mais atenção aos pormenores; a poesia é um género que mexe mais connosco, com as nossas emoções e sentimentos.

Seguiu-se o teu primeiro romance, “Um Amor Inexplicável” e, mais recentemente, “Ao Teu Lado”. Podes falar-nos um pouco destes romances?
“Um Amor Inexplicável” aborda a temática da doença oncológica num jovem. João Pedro tem 18 anos, é surfista e aficionado por música; porém, quando ele menos espera vai deparar-se com um diagnóstico de leucemia. Nas entrelinhas da sua batalha vai surgir o amor por Laura, uma jovem que frequenta a mesma escola que ele e que o vai apoiar nesta fase difícil.
“Ao Teu Lado” é uma história menos dramática que fala da amizade, de valores essenciais e claro do amor. Ana e Miguel são duas crianças muito diferentes: Ana viveu sempre em Lisboa e Miguel numa aldeia alentejana isolada. Vão cruzar-se numas férias de Verão e se as diferenças os poderiam desunir, neste caso vão uni-los e fazer nascer uma amizade sem igual. Será que eles conseguirão ser amigos para sempre? Durante aquelas férias, eles vão aprender imensas coisas importantes; entretanto, Ana e Miguel crescem e a amizade intensifica-se, tendo que ultrapassar diversos obstáculos para se manter firme, transformando-se mais tarde num amor sem igual.

Como é que estas duas histórias se interligam?
Ana e Miguel de “Ao Teu Lado” surgem em “Um Amor Inexplicável”. Ana é a médica de João Pedro e Miguel, apesar de não trabalhar no meio hospitalar, gosta de fazer voluntariado com crianças e vai ajudar João Pedro a superar a doença. Para além disso, Miguel e Laura conheceram-se durante a adolescência de Miguel quando ele viajou com amigos a Itália. Vão reencontrar-se anos mais tarde.

Como encaras o processo de edição em Portugal?
Infelizmente é um processo injusto e ingrato. Os jovens autores ainda são pouco apoiados em Portugal. O mercado livreiro dá preferência aos autores e figuras públicas que lhes dão lucros imediatos, não dão oportunidade aos jovens autores porque vendem pouco e não são conhecidos.  No mercado editorial, a grande maioria das editoras da actualidade (editoras Vanity Press) são editoras para as quais os jovens autores são uma simples forma de ganharem dinheiro, e os nossos manuscritos são apenas um número. São editoras que procuram publicar muitos livros e ganhar dinheiro com isso. O preço para publicar um livro é demasiado alto, estas editoras esquecem-se que muitas vezes um jovem autor ainda não trabalha e que investe as suas economias num sonho. O trabalho executado nem sempre é satisfatório porque a revisão da obra não é rigorosa e nem sempre o livro chega ao mercado. Ser autor em Portugal é muito difícil porque não existe igualdade de direitos.


Lançaste-te numa edição de autor do título “Ao Teu Lado” na Amazon. Como está a correr essa experiência?
Está a correr razoavelmente bem. Tenho consciência que não é fácil vingar lá fora, sendo uma jovem autora desconhecida e com um livro em Português. Por isso, as coisas têm corrido a um ritmo lento. 

Escrever é, sem dúvida, a tua essência, tanto que publicaste um e-book há relativamente pouco tempo, Escreviver, onde compilaste vários trabalhos que criaste ao longo dos anos. Como tem sido a reação dos leitores face a este novo trabalho?
As pessoas reagiram bem; quer os poemas, quer os contos foram bem recebidos. É um trabalho diferente que contempla três géneros literários diferentes: prosa, poesia e um pequeno guião de teatro que escrevi que é uma surpresa no final do livro. Queria muito quebrar o ciclo de publicação de romances.

A tua escrita é puramente ficcional ou está intimamente ligada a ti?
Está quase sempre intimamente ligada mim: ao que gosto, às pessoas que me rodeiam, as situações que vivenciei e passei. Gosto de ir buscar inspiração a tudo isso para escrever as minhas histórias.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Participei em algumas colectâneas. E escrevi um pequeno guião de teatro alusivo ao tema do Natal que era algo que queria muito experimentar.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa é uma escolha difícil. Escolheria o “Cal” do José Luís Peixoto, foi o primeiro livro dele que li e marcou-me profundamente. É dos meus preferidos.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? 
Amizade, Amor, saudade e perda.

Pensas em publicar novamente? 
Sim, mas não para já. Tenho já algumas histórias finalizadas; porém, sinto que preciso de um tempo de pausa. “Ao Teu Lado” exigiu muito de mim na preparação do texto para poder chegar à Amazon.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Infantil. Ainda não experimentei escrever para crianças e gostava muito.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Sinto que ainda tenho muitas histórias para contar e muitos textos para escrever. Por isso, espero a longo prazo ter algo inédito para lhes mostrar.

Descreve-te numa palavra: 
Sonhadora.



sábado, 18 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Analita Alves dos Santos

Fonte: Emporium Editora
Nasceu na Alemanha, a 20 de outubro de 1974. Tem como formação base uma licenciatura em Marketing e uma Pós-Graduação em Gestão. Começou por trabalhar no setor das Viagens, foi formadora, organizadora de eventos e desempenhou cargos de diretora de Marketing e Comunicação na área do Turismo. A leitura e a escrita foram sempre as suas grandes paixões. Desde pequena que sonha escrever livros e partilhar as suas histórias com miúdos e graúdos. Mora no Algarve, é casada e mãe de duas filhas que a inspiram todos os dias a imaginar histórias com significado. Assina mensalmente uma coluna de opinião no jornal online Sul Informação sob o mote “Mãe preocupada com o Ambiente”. A Irmandade da Rocha - Daniela e o Ouriço-do-mar é a sua primeira aventura literária no universo infanto-juvenil. Complementando o seu trabalho de autora, realiza regularmente ações de incentivo à Leitura e à Educação Ambiental, junto de escolas, bibliotecas públicas e feiras do livro.

Olá, Analita. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? 
Obrigada pelo convite. É com imenso agrado que estou aqui convosco, a dar-me a conhecer um pouco melhor. 
Desde que comecei a ler, comecei a gostar de escrever. Na escola primária adorava fazer redações e muito cedo, comecei a escrever pequenos versos, depois, pequenas histórias. Há medida que os estudos foram avançando, era nas disciplinas que exigiam maior capacidade de síntese e argumentação escrita que conseguia alcançar melhores resultados, como História, Geografia, Ciências da Natureza, Português, Filosofia. Já em Matemática e Físico-Química os resultados não eram tão bons, apesar de não ter negativas! Na Faculdade, aconteceu o mesmo. E quando comecei a trabalhar na área do Turismo, a escrita continuou presente – escrevia artigos para revistas, comunicados de imprensa, textos para websites… Escrever, tem desde sempre, ocupado um espaço importante na minha vida. 

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Quando começo a escrever, sinto uma vontade enorme de continuar - não parar - até a história estar terminada. Um dia, ao conversar com um escritor português bem conhecido, ele disse-me que para conseguir escrever, era necessária uma certa dose de obsessão, e eu concordo plenamente - o exercício da escrita, exige mesmo, obsessão.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? 
Escrever, ajudou-me a ser mais organizada e metódica. Como para escrever é preciso ler bastante, a escrita tem-me levado a conhecer diferentes realidades, formas de estar e pensar. 

E enquanto escritora, o que tens aprendido? 
Tenho aprendido a admirar cada vez mais, os grandes escritores e as grandes obras literárias. Escrever não é fácil. Não, quando se pretende escrever de uma forma séria e constante. 

Tens algum ritual de escrita? 
Sim. Quando estou em processo criativo, preciso de tempo sozinha – no mínimo, duas horas e tenho, obrigatoriamente, de escrever duas páginas por dia. Pode parecer pouco, mas para quem trabalha a partir de casa e tem duas crianças pequenas, a organização do tempo é umas das grandes dificuldades. 

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? 
É uma necessidade, porque pretendo escrever histórias com significado que possam inspirar e fazer a diferença nos leitores. 

Após uma licenciatura e uma pós-graduação, começaste por trabalhar no setor de Viagens e desempenhaste, inclusive, cargos de diretora de Marketing e Comunicação na área do Turismo. Qual a importância que estas áreas têm na tua vida?
Presentemente, o meu trabalho na área do Turismo está focado na empresa do meu marido que realiza passeios turísticos de sidecar no Algarve. Houve um momento da minha vida, em que tive de fazer uma escolha entre a carreira profissional e a família – a vida dos profissionais de Turismo - principalmente com cargos de chefia - pode ser bastante desgastante e eu cheguei a um ponto de viragem, em que precisei de optar. Optei pela família e sinto-me muito grata por essa escolha, pois hoje tenho duas filhas fantásticas e mais tempo disponível para me dedicar ao que realmente me preenche e realiza – a escrita. Claro que isto implica um certo downsizing no estilo de vida, mas com o tempo, acabamos por nos adaptar. 

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritora?
Sim. Claro. Trouxe-me experiências de vida que me enriqueceram como pessoa, além do exercício quase diário da escrita, apesar de num contexto mais comercial. 

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Recentemente, publicaste “A Irmandade da Rocha”, uma obra para o público infantil e que cujo tema fulcral é o ambiente. Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
A publicação do livro “A Irmandade da Rocha – Daniela e o ouriço-do-mar” está diretamente relacionada com outra das minhas grandes paixões – a Natureza. Tal como ler e escrever, a Natureza, os animais, o Ambiente, sempre fizeram parte de mim. Tive a sorte de ter uma mãe proveniente do interior Algarvio - da Serra de Monchique – e um pai do litoral – próximo de Portimão - o que me permitiu, à medida que fui crescendo, ter um pé na serra e outro no mar. Para uma criança curiosa como eu era (e sou!) isso foi marcante. Aprendi desde cedo a respeitar todas as formas de vida. Escrever este livro foi uma forma de passar uma mensagem às minhas filhas e a todas as crianças: a mensagem que todos os seres vivos, mesmo os mais pequenos, merecem viver e serem protegidos. Aprendi a nadar, praticamente ao mesmo tempo que aprendi a andar, por isso, o ambiente marinho exerce sobre mim um grande fascínio. Cresci a brincar nas poças de maré e a proteger os camarões e os pequenos peixinhos que muitas crianças insistiam em capturar! Na verdade, eu sou a Camila da história, a super-heroína do Ambiente e quero que todas as crianças que lerem este livro, também sejam super-heróis, mesmo sem capa ou máscara!

Como surgiu a ideia para escrever este livro?
Como disse anteriormente, a ideia de escrever este livro, veio das minhas vivências enquanto criança e do desejo de passar uma mensagem de educação ambiental às minhas filhas e a todas as crianças. 

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Bastante positiva. O livro está praticamente a entrar na segunda edição, sem ter chegado ainda sequer ao mercado livreiro nacional. O facto de o livro ter sido escolhido pela Biblioteca Municipal de Portimão para a Semana da Leitura 2019, na iniciativa “Hoje Leitor, amanhã Leitor”, promovida Plano Nacional de Leitura, que decorreu de 11 a 15 de Março, onde estiveram mais de 1000 alunos, em 17 sessões, ajudou-me a perceber bem a recetividade das crianças e dos adultos: todos deixaram-se cativar pela história e adoraram as ilustrações. No final da apresentação, já sabiam os nomes das personagens e muitos foram os que me perguntaram logo pela continuidade da história da Irmandade da Rocha! 

Assinas mensalmente uma coluna de opinião no jornal online Sul Informação sob o mote “Mãe preocupada com questões ambientais”. Podes partilhar um pouco dessa experiência? 
Estou a apreciar bastante. Sempre que escrevo um novo artigo, sinto uma enorme responsabilidade por cada palavra que uso, começando, pelo tema que escolho. Agradeço imenso a oportunidade que me foi dada pelo Sul Informação pois pretendo também aqui, fazer a diferença nos leitores, sensibilizando-os para questões tão variadas como o problema do plástico, a importância da reciclagem, o desperdício alimentar, etc. Sem esquecer, as causas locais ambientais, como foi o caso recente de um projeto de loteamento turístico que existia para uma zona verde de Portimão, junto à falésia, conhecida por João d’Arens, que felizmente, acabou por ter uma Declaração de Impacto Ambiental desfavorável, muito graças a um enorme movimento de cidadania que se juntou em torno desta causa. 

Sobre que temas te debruças para criares as tuas histórias, para além das questões ambientais?
Todos nós temos uma história que merece ser contada! A vida, só por si, proporciona-nos um manancial de inspiração e de temas. Basta estarmos atentos. 

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Sim. A minha editora, a Editora Emporium, vai lançar uma coletânea de contos, onde será possível descobrir uma outra faceta da minha escrita. Tenho outras histórias na manga, mas para já, não quero revelar muito mais...!

Gostas de ler?  Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Sim. Gosto bastante de ler. Acredito que quanto mais se lê, melhor se escreve. Ultimamente, tenho tido alguma dificuldade em escolher novos livros e novos escritores. Quando já se leu livros de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Gabriel Garcia Márquez, Luís Sepúlveda, Aldous Huxley, Patrick Süskind, Ernest Hemingway,  Isabel Allende, Laura Esquível, entre outros grandes nomes da literatura nacional e internacional, parece que é difícil encontrar histórias “à altura”. Claro que existem outros grandes escritores e grandes livros, provavelmente, eu é que não tenho procurado bem! Por exemplo, Carlos Ruiz Zafón e “A Sombra do Vento”, foi um livro que me recomendaram e que me surpreendeu bastante pela positiva. Mas, o meu escritor preferido é mesmo, José Saramago. Os seus livros fascinam-me - as suas histórias por vezes até tão simples, mas tão geniais, são inesquecíveis. Acho que ter só um único livro para ler, seria muito triste e aborrecido, mas se tivesse que escolher mesmo, mesmo, escolheria o “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago!

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? 
Julgo estar ainda numa fase de amadurecimento em que me é difícil especificar temas de preferência.

Pensas em publicar novamente? 
Sim. Claro! O segundo livro da Irmandade da Rocha, já está em preparação. E já tenho em mente, a história para o terceiro. 

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Já escrevi alguns contos, portanto, o grande desafio seguinte, é o romance. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Podem esperar uma Analita ativa e interventiva no mundo literário português!

Descreve-te numa palavra: persistente. 


sexta-feira, 17 de maio de 2019

De Noite Sonho Com a Paz - Diário de Guerra 1941-1945 de Carry Ulreich

De Noite Sonho Com a Paz - Diário de Guerra 1941-1945 de Carry Ulreich (COMPRAR AQUI) foi publicado recentemente pela Porto Editora e trata-se de um diário de Carry Ulreich, uma jovem judaica-holandesa, que viveu na clandestinidade após a Segunda Guerra Mundial ter deflagrado e, Roterdão, o lugar onde vivia, ter deixado de ser seguro para as famílias de origem judaica.

Naquele que é considerado um dos períodos mais terríveis e tristes da história, uma família católica, os Ziljmans acolheram a família Ulreich, o pai Gustav, a mãe Anna Fany, a filha mais velha do casal, Rachel e a jovem Carry, à altura com quinze anos, juntamente com o namorado de Rachel, Bram de Lange. 

Apesar dos riscos para si próprios, os Ziljmans não hesitaram em acolher esta família e apesar das diferenças religiosas que poderiam tê-los afastados, apoiados na sua fé e na crença em Deus e no seu amor, esta família viveu e partilhou a sua casa e os seus bens com judeus. 

Embora os perigos fossem uma constante para todos, para os que ofereceram proteção e para os que foram protegidos, o Pai Z e a Mãe Z, como Carry os chamou no seu diário, mostrava a proximidade entre as famílias. É claro que esta relação nem sempre foi fácil, mas, acima de tudo, foi pautada pelo respeito entre as duas famílias. 

Num retrato fidedigno, com muitas descrições e um olhar simples e de uma mente jovem sobre um dos piores períodos do século XX, Carry mostra-nos os seus receios e anseios, dando-nos a oportunidade não só de acompanhar a guerra pelos seus olhos, mas de acompanhar também o seu crescimento, e a forma extraordinária como, apesar dos desaires, Carry se mantinha crente na paz



A sua evolução de adolescente para jovem adulta é notória, os seus pensamentos e o modo como se adaptou quer à vida no seio de uma família católica, mostram uma coragem e um espirito surpreendentes. 

Não foi por acaso que Carry foi considerada a "Anne Frank com final feliz". Findada a guerra, os Ulreich puderam recomeçar as suas vidas, Carry conseguiu finalizar os estudos e casou. O seu diário é hoje um registo importante da Segunda Guerra Mundial e, a sua leitura foi intensa. 

Carry Ulreich

Judia de ascendência polaca, nascida na década de vinte do século passado, Carry Ulreich passou três anos da sua adolescência escondida numa casa em Roterdão durante a Segunda Guerra Mundial. Com quase noventa anos, veio a publicar o diário que manteve dessa experiência, ficando de imediato conhecida como a «Anne Frank com final feliz». Pouco tempo depois da libertação, casou-se e, cumprindo um sonho, foi viver para Israel, sob o nome de Carmela Mass. Teve três filhos, vários netos e bisnetos. (fonte: Porto Editora)


Uma leitura:






quinta-feira, 16 de maio de 2019

Três Pequenas Mentiras de Laura Marshall

Três Pequenas Mentiras de Laura Marshall (COMPRAR AQUI) é um thriller soberbo que está entre as novidades mais recentes publicadas pela Topseller.

Neste thriller (género literário que adoro) acompanhamos Ellen, uma jovem mulher que partilha a casa onde vive com a sua amiga antiga, Sasha. A ligação que as une é intensa, mas simultaneamente estranha, marcada, sobretudo, pela personalidade indecifrável de Sasha, que desde a adolescência vive envolta em mistério.

Quando Sasha desaparece, Ellen entra numa demanda para descobrir onde estará aquela que ela considera a sua melhor amiga, despertando assim medos e fantasmas de um passado ao qual elas não conseguiram escapar.

Karina, uma amiga com quem privavam, fora violada por Daniel, que agora se encontra em liberdade, mas há muito sobre a história destas três raparigas que o leitor não consegue compreender, levando-nos a questionar cada passo delas, cada possibilidade de uma delas estar a mentir, por mínima que seja. Olívia, madrinha de Sasha tem também uma presença forte nesta história, pois tudo realmente se dá quando esta jovem é acolhida na casa dos Monktons como parte da família. 

É na sua jornada para recuperar Sasha, que as verdades vão sendo colocadas a nu e as dúvidas de Ellen à cerca da vida da sua melhor amiga se começam a intensificar. 

Esta história alterna entre o passado e o presente, e é narrada por Olívia, Ellen e Karina. Temos assim a oportunidade de conhecer pontos de vista diferentes, enquanto somos mantidos num incrível suspense psicológico até ao fim da obra.

Com um enredo que nos prende, bem estruturado e pensado ao pormenor, esta é, sem dúvida, mais uma aposta excelente da Topseller.


Sobre a autora

Laura Marshall cresceu em Wiltshire, no sudoeste de Inglaterra, e estudou Inglês na Universidade do Sussex. Quando decidiu que queria escrever, fez formação em Escrita Criativa através de um programa da agência literária Curtis Brown.

O seu primeiro romance, Pedido de Amizade, foi finalista do Bath Novel Award 2016 e alcançou a shortlist para o Lucy Cavendish Fiction Prize de 2016. Foi bestseller do Sunday Times e de vendas em e-book. Vive em Kent com o marido e os dois filhos.


Uma leitura: