sexta-feira, 22 de junho de 2018

A Seguir de Morris Gleitzman

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«A Seguir» é a continuação da história do Felix e da Zelda, iniciada em «Um Dia» e publicada também pela Fábula.

Nesta sequência, voltamos a reencontrar-nos com as duas crianças que marcarão para sempre os nossos corações, num período devastador da história da humanidade, o Holocausto.

Felix e Zelda continuam a vaguear pela Polónia devastada pela guerra nazi. Depois de descobrirem que os pais estavam mortos, prosseguem na tentativa de escapar às atrocidades cometidas pelos soldados de Hitler. Procuram o amor e a paz, um abrigo para se esconderem e sobreviverem ao terror, quiçá, para poderem partilhar com o mundo, a sua história.

Este novo livro, começa exatamente onde o primeiro terminou, Felix e Zelda saltam de um comboio em «Um dia», e em «A Seguir» começa com este mesmo salto, e o que dele advém.

Após quase serem capturados por um suposto caçador de recompensas, são acolhidos na casa de Genia, uma mulher cujo marido se encontra na guerra, e dona de um coração do tamanho do mundo.

Genia dá-lhes casa, roupa e comida, inclusive, uma nova identidade, na esperança de os salvar da morte. Mas a pequena Zelda, revoltada por descobrir que os seus pais matavam judeus, afirma-se também ela judia, e repudia qualquer ato dos soldados. Esta situação faz com que todos temam pelas suas vidas, pois, incapaz de aceitar o mundo em que vive, Zelda, poderá inevitavelmente revelar as suas identidades e condená-los a serem enforcados em praça pública, até Genia, por ajudar os judeus.

Felix, de coração puro e cheio de imaginação, promete nunca a abandonar, mas teme pela vida dela e para a proteger, acredita que o melhor seja fugir e deixá-la com Genia, pois sendo ele o único judeu, pode comprometer a vida de ambas.

Porém, nem tudo acontece como era seu desejo, e temos, por fim, uma criança devastada pelas consequências da guerra. Uma criança sem culpa. Apenas uma criança.

Esta narrativa possui o mesmo brilhantismo da primeira, abordada aqui no blogue anteriormente, no entanto, este segundo título é muito mais pesado, mais intenso, a crueldade do ser humano, o desespero, a dor, a luta pela sobrevivência, está ainda mais explicita.

Chorei. Foi inevitável. Este livro retrata fielmente uma época aterradora, difícil, triste, repugnante até, da história da humanidade, contudo, retrata essa mesma época através dos olhos atentos de uma criança, o que torna a narrativa mais comovente e simultaneamente dolorosa.

Um livro para ser lido, sentido. Um livro que dificilmente nos sairá da memória.

Letícia Brito

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