sexta-feira, 14 de julho de 2017

A terceira mulher de Lisa Jewell

Autora de narrativas fortes, ​como o já publicado A Ca​sa Onde Crescemos, Lisa Jewell traz-nos um novo romance intenso sobre famílias modernas, que o deixará completamente agarrado aos seus segredos.

O ritmo tenso e as personagens intrincadas dão forma a esta fabulosa análise da família moderna. — Kirkus Reviews

Sinopse
Todos temos segredos, e os segredos têm consequências.
Adrian Wolfe tem duas ex-mulheres, cinco filhos e demasiada bagagem.
Mesmo assim, ele e a sua terceira mulher, Maya, vivem em harmonia com a sua extensa família… Até que Maya morre inesperadamente e sem explicação. Um ano depois, as circunstâncias bizarras da sua morte continuam a atormentar Adrian: terá sido mesmo acidente? Ou suicídio? Teria Maya razões para tirar a sua própria vida?
Tentando ultrapassar o luto, Adrian decide investigar e descobre segredos perturbadores que o levam a passar em revista a relação com as ex-mulheres e os filhos. De repente, a frágil bolha de felicidade que envolvia a sua esquizofrénica família rebenta. Nem tudo é o que parece com os Wolfes. E quanto mais defeitos Adrian descobre na sua vida aparentemente perfeita, mais ele se questiona: será que algo ou alguém levou Maya à beira do precipício?

Sobre a autora
Lisa Jewell nasceu a 19 de Julho de 1968, em Londres, e é uma popular autora britânica, reconhecida pelos seus romances contemporâneos, que figuram, frequentemente, nas listas de bestsellers.
Em Portugal tem publicados os títulos A Festa de Ralph (ed. Gradiva, 2000) e A Efémera Maravilha (ed. Difel, 2002). A Casa onde Crescemos (2016) foi o seu romance de estreia na Topseller.
Vive em Londres com o marido, Jascha, as filhas, Amelie Mae e Evie Scarlett, e com dois gatos, Jack e Milly.

Opinião 
Desde já endereço os meus agradecimentos à Topseller que cedeu este exemplar para resenha no blogue. 
Como muitos de vocês que já passam habitualmente no blogue sabem, adoro livros intensos, este, particularmente, deixou-me extasiada, embora o seu final não fosse de todo o que expectava, de qualquer das formas, não lhe fiquei indiferente e compreendi a escolha da autora, pois também eu, enquanto autora de romance, me deparei com uma situação semelhante.

Ora, Lisa apresenta-nos a família Wolfe, um tanto peculiar, mas aparentemente feliz, Adrian que se encontra no terceiro casamento, mantém uma relação próxima com as ex-mulheres e até saudável, as três famílias construídas por Adrian, que é considerado pelos filhos um «viciado em amor», saem de férias juntas, organizam festas, jantares, e tudo mais que é normal a uma família, em conjunto, mas esta situação toma contornos drásticos quando a terceira mulher de Adrian morre num fatídico acidente e a questão que nos é colocada é: terá sido realmente um acidente ou Maya teria motivos para colocar termo à própria vida?

Durante toda a narrativa, conhecemos o momento da morte de Maya, a vida da família Wolfe após a morte de Maya e em tom de analepse temos um vislumbre da vida de Maya antes da noite que lhe tirou a vida (ou terá ela tirado a sua própria vida?, bem, prefiro deixar essa questão para ser solucionada por outros potenciais leitores). 

O que vamos descobrindo ao longo da narrativa - por sinal, cativante e muito bem construída - é que a família de conto de fadas criada por Adrian está à beira do precipício, este homem acredita que se estiver feliz todos ao seu redor estarão também, e quando alguém não está de acordo com os seus ideais, e nuvens negras se instalam sobre as suas vidas, o que faz Adrian? Adrian pinta as nuvens negras com tintas coloridas e continua a viver um conto de fadas, que apenas existe no seu mundo, e dessa forma, todos acabam por ser prejudicados - o filho mais velho que nunca perdoou o pai, a mulheres que nunca refizeram a sua vida e ficaram ali, como troféus do adorável Adrian, os filhos mais novos que nunca compreenderam as decisões do pai, e onde fica Maya nisto tudo? 

Maya não tem lugar nesta família, Maya é mais jovem que Adrian, é bonita, é diferente, como nos deparamos numa parte da narrativa, a mulher sem filhos é a última nesta cadeia, quais os verdadeiros motivos que culminaram nesta trágica morte? Maya era feliz? 

Este livro cativou-me bastante desde as primeiras páginas, pelo ritmo, pela escrita fluída, pelo vocabulário rico e acessível, e pela história envolvente que Lisa criou, uma história diferente do que estamos habituados a ver em livros, mas com contornos tão bons que nos arrepiou e prendeu da primeira à última página.

Parabéns à autora e à Topseller por nos maravilhar com esta edição. 

Recomendo!

Um beijinho,

Letícia Brito

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