quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A voz de... Cristina Cherry



Ana Cristina Reis Vieira, conhecida pelo público como Cristina Cherry, nome artístico com que se apresenta é uma jovem de 19 anos, natural de Faro. Concluiu os estudos em Línguas e Humanidades e entre os seus gostos pessoais destaca a música. Gosta de Blues, Rock Blues, Rock'N'Roll, Jazz e entre outros. Desde pequena identifica-se com a Marilyn Monroe, a mulher que ainda hoje, o mundo deseja... sente-a como a sua alma gémea. 
Gosta de dançar, de forma livre e descontraída, cheia de energia. 
Na escola era aluna dedicada e sempre teve um bom desempenho, tanto a nível de valores como de comportamento. Começou a cantar aos 5 anos e desde sempre carregou no peito o sonho de ser cantora, mesmo sabendo das pedras que a fariam tropeçar. Tem a mãe como melhor amiga. 
O pai é artista, cantor, imitador do Elvis Presley e conta com uma carreira de 40 anos. Hoje, com 56 anos é capaz de fazer um show completo de três horas seguidas, com cerca de setenta temas. Vem de uma família de artistas. O irmão do seu avô paterno era o guitarrista da Amália Rodrigues. O seu avô era guitarrista também. Tem um tio acordionista. As primas cantam. A irmã mais nova toca piano. 
Cristina tem uma irmã gémea, e é a voz entre os seis irmãos. Acredita no universo, acredita que todos nascemos com um propósito e está certa de que o seu, passa pela música.  
Para além desta paixão, também escreve e é apaixonada pela fotografia e pelo antigo. Gosta do vintage, das roupas, que ela apelida de "estilo avó", desde sempre as guardou e criou as suas próprias colecções. Salto alto, batom vermelho e rímel são a cereja no topo do bolo. Estamos perante uma artista! 

✍ A música sempre esteve presente na tua vida ou é algo recente?
Desde que me lembro de existir. É uma frase típica de mim, porque já a pronunciei várias vezes. Sinto-me um instrumento musical que toca sozinho. Apesar do meu pai ser cantor, nunca aprendi com ele. Nunca tive aulas de canto. Fui aprendendo tudo sozinha, tal como ele. A minha voz grave é um pouco rara para mulheres, tanto que desde pequenina 'sofro' com o facto de dizerem que eu tinha voz de homem. Quando era pequenina ainda me entristecia, ainda que na ausência de público, mas com o passar do tempo fui vendo que era isso que me favorecia. Lembro-me de algumas pessoas elogiarem o meu timbre de voz, enquanto falava, e isso foi tirando um pouco o meu complexo. Já na primária era a menina que tinha a mania que queria ser cantora. Aos 10 anos, cantei na escola básica para cerca de três mil pessoas. O número exato já não me recordo, mas tenho a certeza de que eram muitas pessoas. e eu tão pequenina. Lembro-me que cantei a música "Nini dos meus quinze anos", do Paulo de Carvalho. Queria cantar em inglês, mas embora sempre gostasse de inglês, ainda não conseguia decorar uma letra neste idioma. Enganei-me na letra a meio da música e, nervosa, olhei para cima. Estava lá a minha mãe sentada com os manos pequeninos. Foi só olhar para ela e ela acenar-me com os olhos, ganhei forças para continuar. Apareci como capa do jornal da escola. Senti-me uma estrelinha. Tão feliz daquela conquista. Sabia que não seria a última vez. Voltei então a cantar na escola secundária - não uma, mas duas vezes. 

✍ O que é que a música mudou em ti, enquanto pessoa? 
Como a música sempre fez parte de mim, sinto que o que sou é proveniente do sonho que tenho. A maioria das mudanças que sinto em mim, provêem do facto de querer sempre chegar longe no mundo da música. Sempre fui uma pessoa de tudo ou nada. E não me sinto satisfeita em pensar que já cheguei onde queria. Na verdade quero sempre mais. Costumam dizer que isso é mau. Antes, sem maturidade, repensava sobre isso, mas comecei a ver que não. A minha ambição é uma ambição boa. Esta ambição tem-me feito crescer imenso. Tem-me feito desenvolver a alma, e com isso melhorar sempre. A música é amor. E não há mais nada dentro de mim senão amor. Aprendi a lidar com o desespero de não conseguir lá chegar. Sofria muito por antecipação, mas com a fé que adquiri com os ensinamentos da minha mãe, consegui aos poucos ultrapassar isso. Já me considerei uma pessoa depressiva, cheguei a bater no fundo. Contudo o segredo está em bater no fundo, e com um pé saltar e voltar a estar em cima. Como eu disse e volto a repetir: ou é tudo ou nada. E eu nunca me permiti ficar no meio termo. Nem nos amores. Talvez por isso não me permita viver nenhum. Neste momento da minha vida o único amor que tenho a prevalecer é o amor próprio: inerente à música, inerente à família, inerente a Deus. Sinto-me no fundo uma pessoa completa. Aprendi que cada obstáculo é uma lição de vida. Todos os maus bocados que nos são dados a ultrapassar, vêm propositadamente para aprendermos e nos tornarmos melhor. Nada acontece por acaso. E se uma coisa não acontece como queríamos que acontecesse é porque o que está para vir vale muito mais a pena do que aquilo que queríamos e só iria servir para perder tempo. E o que vale recordar é que nesta vida não se pode perder tempo. Todos os sinais que o universo nos dá são importantes. Acreditar em alguma coisa é a chave do sucesso. Lutar por aquilo que acreditamos. E, acima de tudo, nunca desistir. Quanto maior a luta, maior o sucesso. O melhor está no fim.

✍ O que sentes quando cantas? 
Aquilo que eu sinto quando canto tem-se vindo a alterar conforme o que tenho vivido. Desde pequenina fui obrigada a lidar com o sofrimento, talvez porque me dava ao luxo de sofrer por tudo e por nada. Contudo, nao me arrependo de nenhum sofrimento, porque sempre tive noção que era para o meu bem. Desta forma, as pessoas sempre me viram como uma pessoa alegre, sem problemas, porque sempre usei a música para tapar a dor. Quando estava triste, era quando mais cantava e dançava. Até em casa tomavam-me como uma pessoa despreocupada com os problemas, porque não mostrava preocupação alguma nem tristeza. Na verdade estava a chorar por dentro, e a tornar-me mais forte a cada dia que passava. À noite, sozinha, chorava na cama. Não dormia até altas horas da noite a imaginar-me no maior palco das Américas. A fazer mudar o mundo, e a encorajar as pessoas com a minha força. Com o meu sonho. Sinto que tenho uma missão.

✍O que é mais prazeroso na música?
O que me proporciona mais prazer na música é sem dúvida os diferentes tipos de sensações que ela nos pode dar. Ela não só acalma, ela alegra. Ela não só acorda, como adormece. Ela não só faz feliz, como entristece. Ela não só relembra, como faz esquecer. Ela não só apaixona, como irrita. E é tudo prazeroso, devido ao facto de cada um de nós ter uma percepção diferente daquilo que ouvimos. E é tudo questão de sentimentos. A música é vida. Embora possa representar muitos sentimentos maus, na verdade é só à base do amor que se esconde por trás das pessoas. A música é a melhor amiga da carência. Porquê? Porque nos conforta. Quem tem coragem, aprende com ela. Ela é mestre em tudo. Usamos música para tudo. Pensem se a música deixasse de existir? O mundo seria um deserto. 

✍ O mundo artístico não é um mundo fácil, qual tem sido a tua maior dificuldade perante este mundo de fama, sucesso, em que todos buscam o seu lugar ao sol?
Sim, sempre tive noção que não era fácil. Contudo, tenho visto coisas que só imaginava. Nunca tinha presenciado. Nunca tinha vivido. Não posso dizer que gosto da dificuldade que me faz doer, mas também não escolheria um caminho muito fácil. porque tudo o que dá luta dá prazer. Tudo o que custa a chegar, leva muito mais tempo para perder. E eu não quero perder aquilo que amo. Então tenho em mente que se lutar consigo ser amada eternamente. Na verdade busco o amor. Busco o amor porque amo, e porque sinto necessidade da reciprocidade. Sei que vai levar tempo, mas o tempo que levar é para aprender. No fim venço na prova final! A fama, na verdade, é estranha para mim. Não vejo a fama da mesma forma que os outros a vêem. A fama para mim é sinónimo de reconhecimento pelos esforços. Reconhecimento pelo talento. Pela luta. Pelo sofrimento de quem muito ama, e não desiste. Busco o meu lugar ao sol desde menina, não haja dúvida. E se tivesse que morrer agora, ia com isso no peito. Sempre disse que não queria morrer sem concretizar o meu sonho. Era o meu maior medo. Hoje parece que perdi o medo, algo me diz que Deus está comigo nesta luta. E ele quer ver-me no topo, porque temos uma coisa em comum: o amor. E quando o amor se junta, não há maldade que o vença.
Vejo muitas pessoas más à minha volta, mas por outro lado, muitas pessoas boas que me apoiam e querem o meu bem. Pessoas que até nem me conhecem, e que alegram as almas por mim. Isso é de valor. Porque, para ser sincera, o que quero é tornar o mundo melhor. Tenho a ambição de mudar o mundo com a minha forma de pensar. A melhor maneira de fazê-lo é a partir da música, que atinge todos.

✍Como encaras este mundo em Portugal?
Em Portugal não é de todo fácil. Vejo pelo meu pai. Sempre teve sucesso mas mais porque os estrangeiros faziam o público. Teve muito sucesso, mesmo. Chegaram a convidá-lo muitas vezes para ir para a América, mas ele por amor à família, resistiu a todas as ofertas. Não foram uma nem duas, dezenas delas. Contudo, embora seja difícil, não é impossível. As pessoas que me têm apoiado ultimamente são maioritariamente portuguesas. Tenho muitos estrangeiros a fazê-lo, mas sinto-me extremamente feliz por ver apoio por parte dos meus conterrâneos. Talvez por viver no Algarve é mais difícil. Mas, aos poucos, as oportunidades vão surgindo, e com os meus próprios olhos vou vendo que aquilo que tem de ser nosso será de qualquer forma. Seja aqui, ou na América. 

✍ Tens algum ritual antes de cantares?
Por estranho que pareça, acho que a única coisa que me lembro de fazer é respirar fundo e pisar o palco. Começo a cantar, e pronto. Talvez seja o facto de fechar constantemente os olhos. Faço-o sempre. 

✍Consideras a música uma necessidade ou um passatempo?
A música é uma necessidade fisiológica.

✍Tens o teu canal no youtube, as pessoas seguem-te lá e no teu facebook, portanto, ainda que involuntariamente, estás em contacto com o público, como vives isso?
Já o tenho há algum tempo, e quando o criei tive logo muita aderência. Ótimos feedbacks, embora críticas. Mas isso faz parte, obviamente. Sem as críticas nao evoluímos. Não pensei ter tantas visualizações, nem partilhas como tenho tido. Embora certa daquilo que quero, sempre fui uma pessoa insegura. Daí fazer este tipo de comentários. Tenho tendência a achar sempre que poderia estar melhor. Mas lido muito bem com isso, porque é exatamente isso que eu quero, atingir o máximo de pessoas possível.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem? 
Encaro-as bem. Tento sempre tirar proveito delas. Os elogios alegram-me e dão-me força. As críticas negativas ainda me dão mais força.

✍ Quais são as tuas maiores influencias no mundo musical?
O meu pai, em primeiro lugar. Mesmo sem querer, ele foi um papel muito importante nisto tudo. Ver o sucesso dele, ainda que em pouco terreno comparado com um mundo inteiro, que ambiciono alcançar, fez de mim alguém muito ansiosa por mais. Ver que tudo o que ele conseguiu na vida foi do próprio suor da música, é gratificante. Não é para todos. Mas eu quero ser uma dessas pessoas, fortes. Seguir a música não é para todos, pelas dificuldades que este caminho nos apresenta. Mas desistir para quem ama é uma facada muito forte. 
Depois dele, o Elvis Presley. O estilo dele é muito semelhante àquilo que canto. Amo Lana Del Rey, identifico-me muito com a personalidade e estilo intimista, bem como carente e realista. Ela é muito sentimental, e isso contorna quem sou. E, por fim, algo que descobri há pouco tempo mas que já me ia nas veias, o blues & jazz. Inventava músicas e ritmos, sem saber em que género musical as podia inserir. Achava que tinha um estilo muito próprio. Não encontrava um lugar possível onde colocar a minha gama de criações, ainda que incompletas.

✍ Qual é a tua música preferida?
Born To Die, Lana Del Rey. O porquê está escondido atrás da própria música.

✍ Se só pudesses ouvir apenas uma única música para o resto da tua vida, qual seria a “privilegiada”? 
Continuaria com a mesma. E iria cantá-la com ela.

✍ O que gostarias de partilhar sobre o sonho que te move? 
Tanta coisa já disse, mas ainda muito por dizer. Aquilo que tenho a dizer vê-se no interior dos meus olhos e do coração. O sonho que me move é nada mais nada menos feito de amor. Procuro paz, e união. Procuro mudar as mentalidades para melhor. Tornar as pessoas mais atentas aos sentimentos, e aprenderem a lidar com eles. Quero tocar o coração das pessoas, e chorar com elas. Quero rir com elas. Partilhar histórias com elas. Fazer as pessoas felizes. Quero sentir-me útil não para uma nem duas pessoas, mas para o mundo inteiro. Sinto que foi por isso que Deus me deu esta missão. Preciso de atingir o mais alto patamar, não para ser famosa e viver à custa disso, mas para tocar a alma dos térreos. Quero que o universo se orgulhe de mim, por ver que nunca desisti. Que sou uma mulher forte. Quero que as pessoas saibam que os sonhos vêm do céu, e quem os tem deve sentir-se privilegiado. Os sonhos são dados pelo Pai do Céu. E a Mãe do Céu é aquela que nos protege no caminho que insistimos em percorrer, porque temos e coragem e não desistimos. Então, por favor, não desistam! É mais fácil continuar na luta, do que aniquilar o sonho. Se continuarmos somos protegidos. Se cortarmos o nosso caminho, iremos estar perdidos uma vida inteira.

✍ Recentemente fizeste uma apresentação na FNAC, é algo em grande, e isso é inegável, como foi essa experiência? 
Foi alguém especial que me encontrou por acaso no meu local de trabalho. Eu estava a cantar e ela ouviu-me. Fui convidada então pela escritora infantil, Susana Jorge, para fazer uma apresentação musical, para apimentar, desta forma dizendo, a sua história. Senti-me feliz pelo convite, foi uma ótima experiência. Embora poucas pessoas estivessem lá, a intenção era, como sempre quero, tocar as pessoas. E as poucas que estiveram foram importantes. 

✍ Quais as tuas perspetivas para o futuro? 
Nada se pode prever. Numa vida normal é difícil. Muito mais é prever algo num caminho tão incerto, cheio de altos e baixos. Mas sei, que embora isso, move-me a vontade de chegar à montanha. Eu vou lutando até chegar lá. Dia após dia, estarei mais perto. Cada vez mais cansada, mas de vez em quando vou encontrando mantimentos pelo caminho. Coisas pesadas terei de suportar, mas outras coisas irão aliviar-me. Nem que sejam as mesmas coisas que dificultam. O vento, por exemplo.

✍Além da música, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa? 
Nutro paixão por mim mesma, e acho que isso faz toda a diferença. Sempre me valorizei muito enquanto pessoa. Cada dia que passa descubro capacidades em mim que desconhecia até ao momento, e isso fascina-me. Sinto que tenho sempre muito mais para dar. Sinto-me completa por isso.

✍ Quem te acompanha pode ver que também escreves bastante, a escrita e a música, caminham de mãos dadas na tua vida e tens algum tema original que pretendas, quiçá, editar, ou escreves pelo prazer de escrever, ou como forma de desabafo?
Descobri a escrita inicialmente como forma de desabafo. Tudo pelos amores nunca correspondidos. E isso também fez-me crescer muito, todas as desilusões que me permiti viver. Sim, a música e a escrita estão de mãos dadas, porque será com a expressão dos meus próprios pensamentos e sentimentos que conseguirei tocar as pessoas. Tenho muitas letras escritas, maioritariamente em inglês. Muitos textos também, em português. Esses sim, são os desabafos. Tenho até um blog onde os publiquei, e consequentemente, tive mais uma vez aderência por parte das pessoas mais sensíveis. Muitas pessoas vêem-me como alguém que os pode aconselhar. Alguém que pode reconfortar e puxar para cima uma alma que se sente destroçada. E isso dá-me imenso prazer. Sinto-me reconfortada com o bem estar dos outros, derivado das minhas acções.
Para além disso, comecei a escrever um livro há cerca de um ano e meio ou mais, que contínua inacabado. Pretendo acabá-lo, mas falta-me tempo. A história não é pessoal, e enquadra-se no género literário drama. 

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores? 
Quero que continuem a seguir-me porque tenho muito mais para oferecer. E se continuarem a seguir-me irão ter o prazer de assistir à minha evolução, tanto enquanto cantora como pessoa que sou. Sou imensamente grata ao apoio proveniente deles, porque sem um público nós artistas não somos nada.

✍ Quais os teus objetivos enquanto pessoa - e arrisco dizer, enquanto cantora, num futuro próximo, pois creio que tens potencial e voz para mudar radicalmente a visão dos portugueses sobre a música produzida cá?
Em primeiro lugar tenho a agradecer-te, Letícia, por me convidares a fazer parte do teu blogue com a minha história mais pessoal. Agradeço a confiança que depositas em mim e pela maneira que me deixas lisonjeada com a visão que tens sobre mim. Isso é muito importante. 
Enquanto pessoa e cantora, os objetivos andam ligados. Tudo aquilo que quero é ser reconhecida pelos esforços. Por aquilo que sou. Pretendo evoluir cada vez mais e tocar cada vez mais pessoas. Dou-me ao luxo de aprende todos os dias, com as experiências da vida. Isso faz de mim a pessoa que sou.

✍ Apenas numa palavra, descreve-te: Lutadora.

Podem conhecer AQUI o blogue pessoal da Cristina!

Entrevista por: Letícia Brito

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