segunda-feira, 25 de abril de 2016

Diogo Simões, o jovem escritor que apaixonou os seus leitores com O Bater do Coração

Diogo Simões
Diogo Simões é um jovem escritor português, natural de Leiria. Tem 21 anos, está atualmente no 2º ano de Serviço Social e ambiciosa seguir Psicologia; a sua grande paixão. No entanto e apesar do tempo escasso devido aos estudos, é apaixonado pela escrita e foi precisamente no meio dos estudos que escreveu a sua primeira obra, O Bater do Coração, em 2012, publicada a 7 de Junho de 2014.
Parte do seu tempo livre é dedicado a exercitar a imaginação com novas histórias, e também com outros gostos pessoais, como ler e ver séries/filmes. No Inverno, fá-lo acompanhado pelo som da chuva (o Inverno era a sua paixão secreta, porém, não tão secreta agora, que a partilhou nesta entrevista).

✍ Como te iniciaste na escrita?
A escrita apareceu na minha vida bastante cedo… Era eu um mero aluno do 5º/6º ano quando começava já a imaginar histórias e a escrevê-las. Lembro que na altura depois não tinha grande paciência para as continuar, pelo que ficavam sempre nos seus estágios iniciais, mas foi então em 2009 que tudo começou. Foi um ano depois de ter saído o famoso jogo de simulação Sims 3. Estava maravilhado com as histórias que podia criar no jogo, e pensei: e se eu começar a escrever essas histórias? E foi assim que fiz. Rapidamente comecei a congeminar com a minha cabeça o que poderia fazer e, foi então a janeiro de 2010 que estreei a série Traição, juntando à escrita, algumas imagens que eram tiradas por mim no jogo. Como se fosse uma história ilustrada online. Tinha 29º capítulos e um blogue dedicado a ela, bem como trailers para os leitores saberem o que esperar. E foi assim que comecei. Depois nem conseguia parar. Foram histórias atrás de histórias. Desde o romance, até ao fantástico e policial. Foram mais de 9 séries criadas, 8 blogues projetados, trailers, capítulos, temporadas e até finais alternativos. Só consegui parar em 2012 por o tempo que tinha tornar-se cada vez mais curto. Como devem imaginar, criar tudo isto, era algo bastante trabalhoso, apesar de ser feito com gosto… Mas foi em 2012 que consegui arranjar tempo, coragem e inspiração para escrever o meu livro: O Bater do Coração, que viria a ser publicado em 2014.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
Acho que é das perguntas que mais encontro. Ainda hoje muita gente pensa que as personagens d´O Bater do Coração existem, mas não. São completamente tiradas da minha imaginação, criadas desde raiz. É quase como se fossem meus filhos. Contudo, isto não quer dizer que não use parte das minhas experiências pessoais ou algumas características de pessoas que me rodeiam nas histórias, para dar algum realismo ou “profundidade” à história, mas é só mesmo 1% dessas vivências pessoais que uso. Acho que a literatura é ótima para fugirmos à realidade, por isso, porque não criar algo que não é real?

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Como a escrita foi algo que surgiu mesmo no início do meu desenvolvimento, acho que acabou por ficar tão entranhada em mim que me moldou por completo. Já li diversos artigos dos diversos benefícios da leitura e da escrita, e muitos podem achar disparatado o que dizem esses artigos, mas posso dizer que acabei por me tornar uma pessoa mais calma, que observa atentamente tudo o que acontece à minha volta. Acabo por ser extremamente curioso sobre tudo. Noto também que me ajuda a perceber os pontos de vista das pessoas, a pôr-me melhor no lugar delas. Claro que são coisas que depois vão “melhorando” à medida que vou crescendo, mas acho que é das coisas que mais me “mudou”. Acabo por ser mais tolerante. Algo influenciado pela criação das minhas personagens, especialmente quando escrevo na primeira pessoa e em diversos pontos de vista.

✍ A tua página no Facebook tem sido fundamental na divulgação do teu trabalho? Que outras plataformas utilizas para que os teus trabalhos estejam em constante contato com o público?
Sim, a página do Facebook é fantástica pois facilita muito mais a interação com os leitores e saber assim o que eles acham da obra publicada ou até mesmo contar-lhe as mais recentes novidades. Mantenho assim duas páginas no Facebook, a de autor, e a do livro, que me vão ajudando nesta jornada. Costumo claro, utilizar o meu blogue. Quase tudo o que está na página do Facebook, podem encontrar no meu blogue, ou até mesmo na rede social Twitter, que utilizo para partilhar coisas rápidas. Contudo, não me posso esquecer da rede social dos livrólicos e escritores: a rede Goodreads. Tenho lá os meus livros registados e tenho acesso à classificação que os leitores dão, as reviews que fazem, e também os livros que ando a ler.

✍ O feedback é positivo? Como encaras as criticas?
Tem sido bastante positivo e não podia estar mais contente. Eu adoro críticas, e se forem bem fundamentas, permite-me perceber da melhor maneira a perspetiva do leitor. Das coisas que os leitores mais me dizem é que me “odeiam” por os ter feito chorar, ou que adoraram por a história estar sempre a mudar. Não ser propriamente “fixa”. E foi até com esse feedback que me apercebi que essa “característica” era quase como uma marca minha. O facto de tentar surpreender o leitor. E é também com as críticas que percebo o que os leitores gostavam de ter lido, ver as ideias que fomentei aquando da leitura. Lembro-me de particularmente uma, em que o leitor gostava de ter lido mais sobre uma certa personagem. Foi uma coisa que me “mordeu” tanto a imaginação que comecei a escrever sobre essa personagem logo após a publicação da obra. Ou seja, o que quero dizer é, quaisquer que sejam as críticas, boas ou más, fundamentas ou não, elas são tudo para o autor, até porque é também com elas que o autor aprende. Especialmente na escrita, em que se aprende cada vez que acabamos um projeto. As nossas experiências irão sempre enriquecer-nos e, com isso, criar histórias cada vez mais ricas.

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Tendo em conta que é tudo ficcionado, procuro por abordar um bocadinho de todos, ou seja, usar a sociedade moderna como meu cenário. Quer acontecimentos históricos, algumas doenças, as diferentes opções sexuais, ou até mesmo as diferentes filosofias de vida. É importante sempre sabermos ver o lugar dos outros, e não podia haver melhores temáticas que estas.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
A leitura é, sem dúvida, algo que nunca iria conseguir abdicar, e algo que considero da extrema importância para nós escritores. Resumindo: adoro ler! Já tive alturas em que “devorava” livros, especialmente nas férias de verão em que em 15 dias eram logo 5 livros que lia, agora procuro ler imenso, claro, mas ao mesmo tempo apreciar aquilo que estou a ler. A maneira como um diálogo está elaborado, ou uma descrição. O adjetivo usado para descrever uma determinada “coisa”. É mesmo importante, e é igualmente importante não nos fixarmos num só género, mas em diversos. Ficamos mais “ricos” interiormente.

✍ Que livros recomendarias?
Uma pergunta difícil por ser praticamente impossível para mim escolher os meus livros favoritos, mas vamos a isto… Para aqueles que querem entrar no mundo da fantasia, é impossível não falar em Harry Potter. É ótimo, não só para se perceber melhor da escrita em terceira pessoa, ou da capacidade em se organizar uma história em diversos volumes, mas para nos ajudar a estimular a imaginação. Os meus favoritos, apesar do fanatismo pelo mundo criado pela J.K. Rowling, são os livros da Cassandra Clare, também de literatura fantástica, e são compostos pelos seis livros da série Os Instrumentos Mortais (que agora foi adaptado para série televisiva) e a trilogia As Peças Infernais. Outro género que acho também maravilhoso é o thriller e policial pela mistura do drama, romance, e suspense que existe. Os últimos que li foram: Um, Dó, Li, Tá (policial, e este mês saiu o 4º - são histórias separadas mas com os mesmos protagonistas), Segunda Vida (thriller) e Antes de Adormecer (thriller, e do mesmo autor do livro anterior, tendo sido adaptado no ano passado para o cinema). Tenho sempre a minha página no Goodreads, que pode ajudar para quem procura novas leituras.
O Bater do Coração
✍ Já tens obras publicadas. O que gostarias de partilhar sobre elas?
Que sou apaixonado pelo meu “filho”. A minha obra. Confesso que se fosse hoje, mudava uma carrada de coisas, mas ao mesmo tempo acho importante respeitar o que sentia na altura em que desenvolvia a obra, e aquilo que, naquela altura, eram as minhas aprendizagens. Mas adoro e acho que se procuram por um romance/drama que seja leve e cheio de reviravoltas, escrito em primeira pessoa, O Bater do Coração é uma hipótese a ser fortemente considerada…

✍ Estás a preparar a tua próxima obra. Quais as tuas perspectivas? O que vais abordar?
Estou a preparar e estou ansioso em a partilhar. É algo bastante psicológico e com bastante drama, com as suas pitadas de romance, em que, tento e espero, que leve o leitor a pensar na importância das nossas memórias, em como elas nos moldam e “contam” quem nós somos. Basicamente é um rapaz que perde a memória de um grande período de tempo da sua vida, e vê-se envolvido em dois grandes mistérios e bastante complicados, que vão conduzir depois toda a trama. Quem já teve a oportunidade de ler o manuscrito gostou, chorou e conseguiu pensar em coisas que julgavam já enterradas. Estou realmente ansioso.

✍ Achas que os jovens atribuem o devido valor à escrita e à leitura?
Infelizmente acho que não. A falta de interesse acaba por ser o que mais vejo, quer pela falta de motivação no seio familiar, quer mesmo pelos livros do plano nacional de leitura que, acredito que de alguma maneira, possam assustar e afastar os jovens da leitura. Contudo, conheci recentemente uma iniciativa em que a professora de Língua Portuguesa dá no início da sua aula 10 minutos para que os seus alunos leiam alguma coisa, quer seja um livro de casa, ou um texto do próprio manual da disciplina. E o que ela observou? Que eles adoram e trazem até cada vez mais livros de casa, resultando este tempo também, num espaço em que eles podem acalmar da algazarra de mais um dia de escola. Adorei a ideia e penso que seria realmente bom ver projetos destes a acontecer mais pelas escolas de todo o país. Acho que todos temos interesse na leitura e escrita, só precisamos de ser corretamente estimulados.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
Sem dúvida que, para além da escrita e da paixão por ler, não consigo passar sem ver séries e filmes, que nutrem não só a mim, mas também a minha imaginação, o que vai resultar em livros mais ricos. Adoro também a fotografia, a história que ela me dá, e de ouvir música. O meu dia começa sempre com música. Contudo, não posso deixar de esquecer os meus amigos e familiares, sem dúvida que sem eles, nada me completava.

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Que não desistam dos vossos sonhos. Que não deixem que o medo interfira. Que façam do medo o vosso amigo! E tudo é possível, nem sempre é fácil, mas se soubermos aliar-nos ao medo, e soubermos aceitar a ajuda daqueles que nos estendem as mãos, conseguimos tudo!

✍ Quais os teus objetivos enquanto escritor?
Acho que é ter mais das experiências que tive na Feira do Livro em Leiria, em que via as pessoas pegar no meu livro, ler a contracapa, e rapidamente irem ler mais no interior. Foi fantástico ver as reações. Ou seja, quero ser capaz de conseguir partilhar o turbilhão de histórias que tenho, e de o fazer bem, com os leitores do meu país.

✍ O que dizem os teus olhos?
Os meus olhos mostram-se cansados, mas felizes. Desejosos de conhecer mais deste mundo! E, sobretudo, que estarei sempre a olhar pelos que me são mais chegados. Adoro-os! E agora, mais pessoalmente: e a ti também, leitor. Obrigado por ai estares, a acompanhar esta minha jornada…

Um agradecimento especial ao Diogo, pois foi a partir das conversas que travámos, que surgiu esta rubrica! 

Podes conhecer melhor o trabalho do autor:

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