terça-feira, 7 de junho de 2016

Sara Nobre, a autora que tem a escrita como fiel companheira


Sara Nobre (foto retirada do facebook oficial da autora)
Sara Nobre tem 24 anos e é uma jovem autora de Coimbra. Encontra-se de momento a finalizar a licenciatura em Comunicação Social. A sua primeira obra dá-se pelo nome de Uma Coisa Com Forma de Assim, mas duas novas obras estão já a ser preparadas.
É uma jovem sossegada e reservada, com um grupo pequeno de amigos e que encontrou na escrita o seu refúgio.

✍ Como te iniciaste na escrita?
A escrita foi sempre a minha companheira mais fiel. Escrevo desde que me lembro de saber juntar letras e formar palavras. Quando era mais pequena escrevia poesias, que agora leio com saudosismo e confesso não terem grande sentido, mas já na altura utilizava a escrita como fuga do mundo que me rodeava.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
Muitos dos meus escritos são de cunho pessoal, escrevo o que sinto e o que passo. No entanto existem alguns textos que abordam personagens distintas, que de alguma forma vivenciam e experienciam situações que me são próximas, mas que passo para o papel de forma ficcionada.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita é como um medicamento para as dores: cura. Nos momentos mais complicados utilizo a escrita como forma de tratar as feridas, alivia-me a alma e aquece-me o corpo.

✍ O que sentes quando escreves?
Na verdade considero que não sinto quando escrevo. Talvez seja por isso que o faço. Escrevo o que sinto, mas não sinto quando escrevo. O momento da escrita é para mim um momento de dormência, um momento em que deixo os sentimentos sair do meu corpo e resguardarem-se nas páginas. A escrita é uma terapia.

✍ O que é mais prazeroso na escrita?
O alívio das dores que não são visíveis.

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever?
Parar. E o tempo, que parece sempre curto. Vivemos numa correria constante e por vezes torna-se complicado ter tempo para escrever. Sou uma pessoa que gosta de escrever quando precisa: antigamente tinha um caderno na mesa de cabeceira e acordava a meio da noite com uma necessidade angustiante de escrever.

Tens algum ritual de escrita?
Não lhe chamaria ritual, mas mania. Só escrevo com caneta preta e em cadernos de capa preta. A utilização do computador é a minha última prioridade na escrita. A escrita digital torna-se impessoal, falta-lhe alma.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Uma necessidade, sem dúvida.´

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
No meu caso tive sorte, a Editora Chiado foi prestável e forneceu-me todos os meios necessários para não me sentir perdida neste novo mundo. Mas a verdade é que ninguém escreve um livro com a ideia de que vai poder vê-lo nas livrarias logo a seguir, porque é realmente um processo muito complicado e Portugal continua a apostar mais na literatura estrangeira do que nos autores portugueses.

✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
Considero que é importante manter o contacto com o público regularmente, porque é o público que nos incentiva a ser melhores e a fazer mais. Existiram algumas pessoas que me marcaram imenso após terem adquirido o livro, porque tiveram manifestações de um carinho extremo que não esperava.

✍ O feedback é positivo?
Até agora tem sido positivo, embora muitos leitores sintam que o livro acaba cedo demais.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Considero que as críticas são sempre construtivas e é mais fácil para mim receber uma crítica negativa do que uma positiva. Provavelmente porque estou sempre à espera de uma crítica e nunca de um elogio.

Uma coisa com forma de assim (foto retirada do facebook oficial da autora)

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Gosto de escrever sobre verdades. Sobre aquilo que sinto e sobre aquilo que quero que os outros sintam. A escrita é um meio de comunicação fantástico, qualquer pessoa que leia um determinado texto leva um pouco do autor consigo, e numa ou outra altura da sua vida vai lembrar-se de algo que leu no livro do autor X. Talvez seja por isso que gosto de escrever em forma de desabafo, é uma escrita mais genuína e mais próxima do leitor.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Na minha área é importante ler muito. E como tudo na vida: sem prática não é possível atingir bons resultados. Considero que é importante ler não só para escrever bem mas também para entender bem.

✍ Que livro recomendarias?
O livro da minha vida: O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. Acho que é uma obra de leitura obrigatória na vida de qualquer pessoa.

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Acho que na pergunta anterior desvendei resposta a esta pergunta.

✍ O que gostarias de partilhar sobre as tuas obras?
Sobre a minha obra “Uma Coisa Com Forma de Assim” considero importante mencionar que é uma obra sincera e que levanta um bocadinho o véu sobre alguns assuntos que a sociedade ignora, ou tenta ignorar. São desabafos verdadeiros sobre vários sentimentos que surgem em momentos de sofrimento e de (in)sanidade mental.

✍ Como tem sido a tua experiência com a tua editora?
Tem sido muito boa. Espero que a próxima obra seja acompanhada de igual forma pela Chiado Editora.

✍ Quais as tuas perspetivas para o futuro?
A nível de obras espero que consiga lançar pelo menos mais três. O sucesso da obra não é algo que me preocupe, prefiro vender 200 livros e saber que aquele livro marcou uma pessoa do que vender 2.000.000 e ter a perfeita noção de que não marcou ninguém.
Espero ser feliz.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
A minha família, é a minha maior paixão.

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Sejam felizes, sempre. E não desistam dos vossos sonhos, por muito que vos digam que não vale a pena, que não é importante ou que não faz sequer sentido: não desistam.

✍ Quais os teus objetivos enquanto escritor?
O meu maior objetivo é saber que o que escrevo pode fazer com que alguém sinta que não está sozinho e que existe outra pessoa que já passou pelo mesmo, mas aguentou.

✍ Apenas numa palavra, descreve-te:

Incompleta.

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