sexta-feira, 17 de junho de 2016

Maria Israel, a autora da obra A Redenção de Guadalest

Maria Israel, Foto retirada da página oficial da autora

Nascida no Fundão e neta de judeus, nasceu no universo literário sob o pseudónimo Maria Israel, nome que adotou em homenagens aos seus ancestrais. Com 62 anos de força e coragem, conquistou bacharelato em História. É ceramista de profissão, mas os seus estudos passaram por diversas estâncias, desde a pintura, a cerâmica, o desenho e a história da Arte. Foi professora de cerâmica e pintura em escolas de Almada e colaborou em diversos projetos sociais, tais como a Luta contra a Pobreza e a Adrenalina. De entre os seus gostos pessoais, destaca a fotografia, as viagens, a criação de joias e a contemplação da maresia. A escrita é uma paixão que viu ganhar forma com a publicação da sua primeira obra.

✍ Como te iniciaste na escrita?
Iniciei-me a escrita um tempo após a morte da minha filha... porque foi nessa altura que comecei a sentir a necessidade de extravasar aquilo que a sociedade não estava para ouvir.
Foi sem dúvida uma das mais dolorosas fases da minha vida. Ninguém está preparado para uma dor tão dura e inesperada.
O papel, deixava-me depositar nele sem cobranças, aquilo que não podia dizer a mais ninguém. E assim, a escrita começou a fazer parte do meu dia a dia.
Mais recentemente após um AVC e um aneurisma, mesmo só com uma mão, porque perdi a sensibilidade da mão direita, e com ela no colo porque, ela nos dias que correm em matéria de escrita, atrapalha mais do que faz, a escrita foi mais uma vez uma nova forma de eu poder brotar para o papel aquilo que os outros não querem ou não podem ouvir. E assim uma nova forma de vida recomeçou para mim.

✍ Ficcionas aquilo que escreves, ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
Sim e não. Tenho historias ficcionadas e algumas com base em factos reais que vi ou vivi e algumas não sendo totalmente baseadas em factos reais ou pessoais são momentos e pedaços de historias que vivenciei.

✍ O que é que a escrita mudou em ti enquanto pessoa?
Julgo que não mudou nada, diria antes que a escrita, através das personagens que crio, me faz descobrir partes de mim que até eu própria desconheço. Por vezes descubro nas personagens coisas que algum dia ousava sequer pensar.

✍ O que sentes quando escreves?
Uma enorme satisfação e uma enorme paz interior. Quando descrevo o mundo há minha volta para.
Quando o bicho da escrita chega não há mais nada tudo para.

✍ O que é mais prazeroso na escrita?
Diria que tudo. Mas a criação das personagens é algo que me fascina.

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando escreves?
Eu diria que é parar. Porque como acontece a qualquer outro ato criativo quando a inspiração surge não nos apetece parar.
A escrita é um ato criativo que necessita de uma certa calma, tranquilidade e por vezes silencio. Comigo é assim… Principalmente quando estou na fase de criação das personagens. Nessa fase preciso de muito silencio, muita paz e muito tempo.

✍ Tens algum ritual de escrita?
Diria que sim e que não. Eu escrevo de várias maneiras e nos mais variados lugares mas se me perguntares se tenho uma hora especial, aí eu diria que tenho. Eu gosto de escrever ao som de Vangelis principalmente quando estou na fase da criação das personagens e como esse ato criativo necessita de muita atenção, gosto de o fazer à noite quando a casa dorme.

✍ Consideras a escrita um passatempo ou uma necessidade?
Sem duvida uma necessidade, dado que eu escrevo normalmente o que sinto.
Não me peçam para escrever o que não sinto porque não sai nada.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Diria que é mau mas, já foi pior.

✍ Como encaras as criticas?
Com normalidade. A critica quando é justa pode ajudar-nos a crescer e neste caso particular, pode a melhorar a nossa escrita.

✍ Que temas gostas de abordar?
Gosto de abordar todos os temas que tenham algo a ver com mulheres. As mulheres são sempre as personagens principais.

A Redenção de Guadalest, Capital Books

✍ Já tens obras publicadas?
Sim tenho! A Redenção de Guadalest.
Nesse meu livro a Guadalupe é uma mulher muito presente nos dias que correm, e apesar de o livro ter sido escrito há cerca de vinte anos, infelizmente, o tema continua cada vez mais na ordem do dia. Vezes sem conta as mulheres como ela, são manchete de revista e abertura dos noticiários.
A Redenção de Guadalest foi escrita para homenagear as mulheres que foram e são vitimas de maus tratos e vitimas de violência domestica.
Ao longo da minha vida nas várias profissões que abracei, convivi maioritariamente com mulheres, como tal, conheci muitas mulheres e crianças vitimas desse abominável flagelo.
A minha mãe, foi vitima de maus tratos, logo, eu também fui vitima e sofri as consequências desse mal. Como tal, disse sempre que havia de editar um livro para as homenagear e assim foi.
Infelizmente, apesar de este livro ter sido escrito há 25 anos, está cada vez mais atual. Se eu disser que algumas das mulheres que me inspiraram, umas ainda são vitimas e outras, são mães de mulheres que hoje são vitimas, não lhe minto... como pode ser isto possível? Tantos Governos passaram já pelo Parlamento e pouco ou nada fizeram para punir esses agressores...é lamentável não acha?
Como tal este livro para além de ser segundo alguns uma porta para a libertação é também um grito de revolta.
Foi editado em parceria com a APAV sendo que por cada livro vendido, se contribuirá com 1.50 euros para o apoio ás vitimas.
Este livro, para além da temática da violência da doméstica aborda também o tema da reencarnação, tema que me é muito querido, principalmente depois de ter perdido a minha filha num trágico acidente de automóvel.
A Guadalupe encontra o sentido da vida quando, numa viagem que faz a Guadalest no sul de Espanha, contra um cavaleiro medieval, que lhe vai fazer revelações fantásticas sobre a sua vida atual e o que foi em outras vidas passadas, e mais não digo, leiam...
É uma historia segundo a opinião dos que a leram, para além de uma suave abordagem a este tema da reencarnação, alerta também a para a violência domestica. Digamos que é ao um grito de alerta e ao mesmo tempo um livro que abre portas para uma vida diferente, não devemos parar nunca, a esperança já mais deve ser posta de lado. Amanhã será um novo dia.

✍ Estás a preparar a tua nova obra?
Sim e que será certamente mais uma interessante historia de uma mulher.
Uma nova historia com algum misticismo, e algumas abordagens sobre qual é o nosso papel nesta nova vinda, à terra...

✍ Que outras paixões nutres para além da escrita?
Pintura, escultura, joalharia, viajar… tudo coisas que após o AVC deixei de fazer infelizmente.

✍ Que mensagem gostaria de passar aos meus seguidores?
Que fossem felizes e que sempre que lhes fosse possível sorrissem e agradecessem a Deus, a Alá ou qualquer outra entidade que venerem, o facto de estarem vivos e com saúde.

✍ Quais os teus objetivos enquanto escritor?

Continuar a ter saúde, muita imaginação e intuição para continuar a criar novas historias para deliciar os meus leitores.

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