quarta-feira, 17 de julho de 2019

Stranger Things: Nova Iorque Sob Trevas, de Adam Christopher

Stranger Things: Nova Iorque Sob Trevas (COMPRAR AQUI) é o segundo livro da ficção oficial da série da Netflix, Stranger Things. Esta continuação da história iniciada no primeiro livro foi escrita por Adam Christopher e chegou recentemente às livrarias portuguesas. 

Ao contrário de Mentes Suspeitas (ler opinião aqui) que seguia a história da mãe de Onze e a sua entrada no Laboratório de Hawkins, este novo título acompanha Jim Hooper. Contudo, à semelhança do primeiro também este livro se foca no passado de uma personagem principal da série.

A história começa no dia seguinte ao Natal de 1984 com a Onze a pedir que Hopper lhe conte uma história sobre o seu passado, após encontrar uma caixa fechada que levanta várias questões sobre o mesmo. A narrativa retrata portanto a história que Hopper aceita contar à pequena menina, um caso em que Hopper trabalhava no passado como detetive em Nova Iorque, que envolvia um serial killer, mas se tornaria muito maior e complexo do que o esperado.

Apesar do que a maioria dos leitores poderia esperar, este livro não pretende fazer grandes revelações sobre a série, focando-se essencialmente nesta personagem e no seu passado, na sua família e no seu trabalho e também na sua relação com Onze.

Embora o livro foque no sobrenatural e faça referências à série, não desvenda tantos mistérios como o primeiro, uma vez que o ponto principal é Hopper e o seu passado.

A história alterna entre o passado, 1977, e o presente, 1984 (atual tempo presente na série) e os capítulos são bastante dinâmicos, fluem naturalmente e mantêm o leitor agarrado à narrativa e sempre expectante, devido ao mistério que se vai adensando à medida que folheamos as páginas da obra. 

O autor escreve de um modo simples, acessível e direto. A história está bem pensada e delineada e cativa o leitor, seja ele fã ou não da série. Gostei muito deste livro novo, quer da narrativa, quer da linguagem do autor e só posso parabenizar a Gailivro pela aposta.

Sobre o autor
Adam Christopher é autor de diversos romances, de adaptações para séries e para videojogos.
Entre as suas obras mais importante encontra-se Empire State, nomeado Livro do Ano da SciFi-Now e Livro do Ano do Financial Times.
Colaborou no best-seller internacional Star Wars: From a Certain Point of View, uma antologia do quadragésimo aniversário. Escreveu adaptações de romances oficiais para a série de sucesso da CBS, Elementar, e o galardoado franchise do videojogo Dishonored e em coautoria com Chuck Wendig, The Shield para a Dark Circle/Archie Comics.
Christopher nasceu na Nova Zelândia e vive na Grã-Bretanha desde 2006.

Uma leitura:


O Profeta seguido de O Jardim do Profeta, de Kahlil Gibran


O Profeta seguido de O Jardim do Profeta (COMPRAR AQUI) é a obra intemporal do poeta líbano, Kahlil Gibran, que foi reunida numa obra única e de grande beleza pela Albatroz, chancela do grupo Porto Editora.

Este livro reúne O Profeta e O Jardim do Profeta, as obras mais icónicas deste autor cuja sabedoria é uma referência a nível mundial.

O Profeta segue Almustafá, um profeta que depreende uma grande viagem a Orfalés, onde uma pequena comunidade lhe vai colocando questões existenciais, pedindo-lhe que fale sobre os mais diversos temas: o amor, a vida, o bem e o mal, a liberdade, a beleza e o trabalho, entre tantos outros sobre os quais Almustafá disserta.

Depois segue-se O Jardim do Profeta que é na verdade uma continuação do primeiro. Nesta história, Almustafá regressa à sua terra, reúne a sua comunidade e é seguido por nove apóstolos. Entretanto recolhe-se no jardim da sua mãe e do seu pai e lá fica a desfrutar do silêncio, dissertando novamente sobre a vida, os sentimentos e o ser humano.

Este livro não é muito grande, mas a sua sabedoria é infinita. A prosa poética torna a leitura verdadeiramente agradável e conquista o leitor. Um clássico que todos deveriam ler. Pela verdade que dele transborda. Pela beleza das suas palavras e dos seus ensinamentos. Pelas lições que transmite.

Uma leitura:

Na ponta dos dedos com... Tiago Serafim


Tiago, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores do blogue, para começar: Já trabalhaste em diversas áreas, desde as telecomunicações à segurança privada e és atualmente analista numa empresa de consultoria de tecnologia de informação, apesar disso, é na escrita que te encontras. Como é que surgiu esta paixão pela escrita?
Sempre tive uma inclinação para criar, desde cedo. Creio tê-lo herdado da minha mãe, que escrevia poesias e passava os dias a cantar o fado enquanto tratava da casa. Como passámos algumas dificuldades e apesar do seu esforço, costumo dizer que fui “criado” numa pequena medida por ela, noutra pela minha avó, e na maior pela televisão J , o que acredito ter ajudado a desenvolver essa imaginação. Mas o ponto de viragem, digamos, foi durante a minha adolescência no final dos anos 90, quando o grunge e o metal me levaram a apaixonar-me pela música. Comecei a tocar guitarra e eventualmente a compôr, e ainda hoje gosto de escrever letras e poemas.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Isso depende sempre do que estou a escrever. Às vezes dou por mim a encarnar personagens totalmente diferentes da minha pessoa, para assim me despegar de certos paradigmas e sentir total liberdade para seguir determinado rumo. Todavia, acabamos sempre por colocar algo de nós próprios, pois é o que experienciamos que nos inspira. Se descrevo algo violento e me sinto um pouco chocado, então estou a ir bem pois era esse o objectivo. Mas só quando me apercebi que estava a terminar um livro e vislumbrei a hipótese de ser publicado descobri um sentimento novo. “Outras pessoas vão ler as minhas palavras. Irão gostar? O que vão pensar? Estarei a ser politicamente correcto...” etc. Confesso que fui dominado por uma certa ansiedade, mas o feedback tem sido positivo e encaro agora o que senti como “nervos de principiante”.

Tens algum ritual de escrita?
Não tenho tempo para rituais J Trabalho por turnos rotativos e tenho de agarrar as ideias no momento em que surgem. Seja no computador ou no caderno, tenho alguma dificuldade em deixar para amanhã o que posso fazer hoje. O que acaba por resultar em algumas noites em branco. De resto, basta-me silêncio e um bom vinho.

Como concilias a tua vida pessoal, profissional e a escrita?
Com muita resiliência! Ainda não tenho filhos, mas entre tratarmos da casa e dos cães, e os nossos empregos, não resta muito tempo a mim ou à minha esposa para actividades extra.

Trabalhas desde os dezasseis anos. Este facto teve alguma influência na tua escrita?
Inevitavelmente. Fiz cobranças porta-a-porta durante cerca de uma década, antes de trabalhar na área da Segurança Privada. Foram dois empregos que me fizeram lidar com todo o tipo de realidade, todo o tipo de pessoa, extrato social, zona, personalidade...Para além da minha infância, tudo isso decerto contribuiu para a minha forma de estar e, consequentemente, para a escrita.

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Em maio publicaste o teu primeiro livro “Iníquo”. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
É uma história de ficção mas que aborda certas realidades, como a criminalidade, a corrupção e o abuso de poder. Começou com uma ideia sintetizada em menos de uma página que acabou por ficar esquecida há alguns anos. Resolvi desenvolver esse esboço há cerca de dois anos, talvez, e acabei por enviar à editora. É uma história de vingança que reflecte obviamente as minhas influências cinéfilas. A história envolve um grupo de amigos que cresce num ambiente complicado que os obriga a enfrentar todos os obstáculos inerentes. A sua história é afectada por um acontecimento, no passado, que se liga à narrativa do presente, em que seguimos os passos de um detective que investiga uma série de homicídios.

Este livro é do género policial. Escreves sobre violência, corrupção e homicídios. O que te levou a escrever um livro deste género com temas tão fortes?
Estará certamente relacionado com o meu estado de espírito há todos aqueles anos. Ao desenvolvê-lo, tentei manter-me fiel ao conceito original. Ao crescer, fui confrontado com algumas situações um pouco pesadas, no contexto da insegurança que envolve o ambiente em que cresci. Sem dúvida fui buscar alguma inspiração em certas experiências pessoais e, em última análise, talvez precisasse de despejar para o papel alguma revolta, para obter uma certa catarse. Digo isto agora, claro, tentando analisar o que sentia na altura.  Por outro lado, como pseudo-cinéfilo que sou, notar-se-á que retirei daí algumas influências. A violência existe, ponto. Alguns de nós vivem numa bolha social e não são obrigados a confrontar certas situações. A minha experiência pessoal e profissional familiarizou-me com alguns exemplos. A ficção permite-nos uma espécie de purga quando abordamos esses temas. Nem que seja para fantasiarmos por momentos que este tipo de coisas não acontecem...lêem-se.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Surpreendentemente positivo. Principalmente entre as pessoas da minha geração. Dizem-me que se identificam com o contexto, com a época. “Daria um bom filme” é uma nota recorrente J . Os pedidos de uma “sequela” também vão chegando, o que me traz uma enorme satisfação.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves, para além daqueles que podemos encontrar na tua primeira obra publicada?
Essa é uma questão muito complicada para mim. Sou o tipo de pessoa que não consegue responder a perguntas como “Qual a tua cor preferida”. Ouço todo o tipo de música, vejo todo o tipo de filme, leio todo o tipo de livro. Desde que me mova de alguma forma. Só não suporto as futilidades apelidadas de “arte” vendidas às massas pela máquina de marketing (O meu “meme” preferido que circula pelas redes sociais tem a frase “Please stop making stupid people famous”). Se encontro um tema do qual me apetece escrever, faço-o, bem ou mal. Dito isto, Pelo menos de momento, não estou definido como escritor, relativamente a géneros. Tanto me apraz literatura ficcional como histórica, ou ambas, policiais, filosofia...Como autor, a maior parte da minha energia foi até ao momento dedicada à música.

É verdade que, apesar de o teu primeiro livro ser um policial, também escreves poesia?
Não tanto como outrora, mas é algo que faz parte de mim. É uma forma pura de expressarmos o que nos vai na alma sem nos prendermos a conceitos por norma incontornáveis, como a lógica ou a razão. Não sei se neste momento diria que “escrevo” poesia ou se “escrevi”. Mas nunca sei se o Eu de hoje concorda com o Eu de amanhã J

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Este é o meu primeiro trabalho publicado. Normalmente, quando crio, crio para mim. O sentido de criar é dar forma aos nossos pensamentos e fazê-lo traz-me um sentimento de dever cumprido. Claro que todos gostamos de obter validação externa, mas acredito piamente que a quem temos de agradar é a nós próprios. Amigos e conhecidos que admiram a minha escrita pedem-me ajuda aqui e acolá para os seus trabalhos, mas este é o meu primeiro manuscrito ”oficialmente” divulgado.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Voltamos à minha natureza indecisa J É muito difícil tirar um título da “cartola”, pois sei que quando vir esta entrevista vou pensar se não deveria ter dito outro...Mas estou tranquilo em destacar “O Alquimista” de Paulo Coelho. Consegue tocar-nos a um nível tão profundo com uma escrita simples e agradável. Quando me pedem para recomendar um livro, é sem dúvida dos nomes que me surgem em primeiro lugar.
Como previsto...estou aqui a pensar em mais um ou dois e agora estou cheio de ansiedade a pensar no qual deveria eleger...próxima questão, por favor!

Pensas em publicar novamente?
Por enquanto estou a digerir todo este processo. Escrever, escreverei sempre, para mim. Mas conhecendo-me e sabendo tudo o que tenho cá dentro...estou inclinado para o “sim”.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Gosto de histórias que nos fazem pensar sobre a natureza humana, a dualidade moral, a vida, a morte, o amor, o ódio. Penso que seria nas redondezas destes temas. Algo de espiritual, filosófico...que nos faça pensar e questionar.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Como referi, sempre criei e sempre gostei de criar. Agora tive um vislumbre deste “mundo”, dos processos, dos passos a seguir. Agora será difícil não pensar em continuar, mas não me vejo a cingir-me unicamente ao mesmo género. Vamos ver o que o futuro reserva.

Descreve-te numa palavra:
Abstrato.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Guardei as Lágrimas no Bolso, de Ana Meireles

Guardei as Lágrimas no Bolso (COMPRAR AQUI) é um livro escrito pela autora Ana Meireles e publicado pela PI. Este livro está inserido no Plano Nacional de Leitura e é recomendado para o 3º ano de escolaridade.

Apesar de ser um livro direcionado para o público infantojuvenil é uma obra que pode ser lida pelos adultos. 

É um livro com uma narrativa pequena e extremamente acessível, que segue a história de uma menina de onze anos, a Diana. A história é narrada em primeira pessoa por esta menina e toca profundamente o coração do leitor, seja ele de que idade for.

A Diana vive com a avó, que a cria desde que a mãe faleceu. É uma menina curiosa e apaixonada pela vida. Tem um melhor amigo que se chama Pedro e com quem se diverte muito. 

Contudo, certo dia descobre no sótão uma fotografia da sua mãe acompanhada por outro rapaz, a fotografia tem uma data marcada no verso, data essa que é posterior ao seu falecimento. Esta descoberta deixa a pequena Diana intrigada e pensativa, no entanto, quando decide confrontar à avó, tudo o que consegue é receber um raspanete. Por fim, a avó revela-lhe a verdade, mas a verdade pode ser dolorosa e difícil de encarar. 

É assim que através dos olhos desta pequena menina, vamos descobrindo a sua vida e o mundo que a rodeia, e o cãozinho vadio que ela pretende resgatar da rua, quando o encontra tão perdido como ela própria se sente.

Através de uma linguagem simples e direta, marcada pela emoção de uma menina de onze anos, somos levados a conhecer esta personagem e a nos maravilharmos com a sua capacidade de resiliência. 

Uma leitura:




As Mulheres do coro de Chilbury, de Jennifer Ryan

As Mulheres do coro de Chilbury (COMPRAR AQUI) é um romance histórico publicado este mês pela Editorial Presença, da autoria de Jennifer Ryan. Este romance foi considerado o Melhor Livro de Estreia pela Goodreads e assim que iniciei a sua leitura, logo compreendi as razões que o levaram a conquistar essa distinção.

Já revelei cá no blogue que gosto muito de ler obras cuja temática se centra na Segunda Guerra Mundial e este foi, a par de outro título publicado pela Presença, A Holandesa, uma das melhores leituras sobre a Segunda Guerra Mundial, que fiz até ao momento. 

Nesta narrativa acompanhamos várias mulheres que integram o coro feminino de Chilbury, durante o ano de 1940. Após os homens da aldeia começarem a partir para a guerra, o pároco toma a decisão de encerrar o coro. Assim, para evitarem esse trágico desfecho, as mulheres de Chilbury unem-se e formam um coro feminino, liderado por Prim, uma professora de música.

Entre estas mulheres destacam-se a Sra. Tilling, viúva e mãe de David que parte para a guerra. Kitty, adolescente, irmã de Venetia, a "imperatriz" da aldeia, e filha da Sra. Winthrop. Edwina, uma parteira cujos métodos de trabalho são duvidosos e cujo carácter é suspeito. Silvie, uma pequena refugiada judia, acolhida na casa dos Winthrop. A estas mulheres juntam-se Hattie, Sra. Gibbs, Sra. Quail e a Sra. B. Apesar de tão diferentes, todas estas mulheres têm algo em comum: o desejo de superarem a guerra e usarem a sua voz como arma. 

A história é contada por cada uma destas mulheres, através do registo em diário da Sra, Tilling e da Kitty, e através das cartas que Venetia escreve à amiga Angela Quail, filha do vigário, e das cartas que Edwina Paltry escreve à sua irmã Clara. Desta forma, temos a possibilidade de conhecer as suas histórias através de várias perspetivas, da perspetiva de cada personagem. 

É incrível como em tempos difíceis, somos capazes de grandes feitos, de descobrirmos em nós mesmos, forças até então desconhecidas, vozes que precisam de se soltar e serem ouvidas, é esta a mensagem do livro, que narrado por várias mulheres fortes, corajosas e perspicazes, nos emocionam e fazem sorrir através do seu humor refinado.

Desde os amores da adolescência protagonizados por Kitty, das mentiras de Edwina, da vida pacata da Sra. Tilling, do amor atrevido e periclitante vivenciado por Venetia e o Sr. Slater, as suas vidas vão se misturando e o leitor cria imediatamente empatia com toda a narrativa e as suas respetivas personagens. 

Este é um livro sobre a Segunda Guerra Mundial que, no entanto, é diferente de tudo o que já li, uma vez que se centra acima de tudo, nas histórias de mulheres que perderam os seus homens para a guerra e que foram obrigadas a recomeçar sozinha e contrariando os paradigmas da época que tantas restrições colocavam às mulheres. 

Uma verdadeira história inspiradora, que nasceu das histórias partilhadas entre a autora e a sua avó, que viveu durante a 2ª Guerra Mundial, numa pequena aldeia de Kent.

Sobre a autora
Jennifer Ryan cresceu no condado de Kent, Reino Unido. É uma apaixonada pela temática da Segunda Guerra Mundial, tendo sido editora de obras de não-ficção nos Estados Unidos da América. Com direitos vendidos para 14 países, As Mulheres do Coro de Chillbury, o seu primeiro romance, o qual foi considerado o Melhor Livro de Estreia pela Goodreads. Muitas das histórias das personagens nele retratadas são baseadas em factos reais, que Jennifer Ryan descobriu através de uma extensa pesquisa e dos relatos da sua avó.

Uma leitura:


Na ponta dos dedos com... João Caeiro


João, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos
seguidores do blogue, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Nos meus primeiros anos de vida dormi num quarto com biblioteca, em casa da minha avó, os livros fascinavam-me. Nessa casa aprendi a escrever e a ler sozinho, antes sequer de ir para a pré-primária. A primeira palavra que li foi “Abril” ainda me lembro bem. A partir daí nunca mais parei.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Depende do estado que eu esteja a experienciar no momento da escrita.

És técnico de desenvolvimento pessoal. O que te levou a enveredar por esta área?
Eu acredito que quando na vida descobrimos alguma parte importante  do “mapa”, a devemos registar para que os que vêm a seguir a possam usar para se orientar melhor.  Por ter tido grande necessidade de me desenvolver numa serie de áreas em que falhava muito, aprendi muitas coisas úteis sobre desenvolvimento pessoal, que agora partilho com quem precisar. Uso para esse efeito uma vastíssima gama de ferramentas.

Como é que se concilia o desenvolvimento pessoal e a escrita?
Como eu frequentei Programação neuro-linguística e tirei cursos com uma das maiores autoridades em influência humana e hipnose conversacional, o David Snyder, a parte verbal está sempre muito presente até nas técnicas que uso. De facto, mal vim de Inglaterra a primeira coisa que fiz foi criar um modelo exclusivo de persuasão em Português, que usa a nossa sintaxe e gramática específicas para criar padrões de persuasão tremendamente eficazes. Os resultados desse modelo revelaram-se tão extraordinários, que agora os ensino em cursos a pessoas das mais variadas profissões...Então, para mim, a escrita e o desenvolvimento pessoal andam mesmo de mão dada, de muitas formas.

Possuis formação no domínio da comunicação e de influências vibratórias. Esta formação influenciou a tua escrita?
Eu já escrevia como autodidata muito antes de tirar cursos, frequentei jornalismo, estive a tirar escrita criativa e guionismo no extinto A.C.T, frequentei PNL, todas essas formações tiveram o seu peso, mas o que mais influenciou a minha escrita foi o ler muito. Quando andava no ciclo lia um livro por dia, de temas diferentes, só para me distrair. Saia da escola e metia me na livraria juvenil, a minha mãe tinha um acordo com  o dono para que ele me deixasse ler o que quisesse, desde que não me deixasse sair e me desse o lanche. :) Era viciado em livros e até como presentes pedia livros.

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Publicaste recentemente em parceria com outro autor, Tito Soares, a obra “O Homem da 
Quinta Dimensão”. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
Esta resposta eu preferia que a desse o Tito Soares, uma vez que ele é que conceptualizou o modelo e é o cérebro por trás desse projecto. O homem da quinta dimensão é já o quarto livro do projecto “ARQUITECTURA DO UNIVERSO”, e integra os conhecimentos expostos nos 3 volumes anteriores. O homem da quinta dimensão é um livro, que espero, expandirá a consciência de muitas pessoas quanto ao funcionamento do universo e quanto á grandeza do potencial humano.

Este livro surge através do projeto científico “Teoria dos Dois Fatores”. Podes explicar aos leitores de que se trata este projeto?
O Tito Soares, que é ex Director da Policia Judiciária, consultor da ONU, professor de física e matemática, química, licenciado em direito, e um autêntico génio com um domínio extraordinário em múltiplas áreas, concebeu, após décadas de reflexão científica, os alicerces de um novo modelo de física que unifica a física relativista, quântica, e Newtoniana. Este modelo pioneiro deu origem ao livro arquitectura do universo 1. Depois disso, por razões que só o Tito poderá saber, convidou-me para desenvolver o modelo com ele. Isso deu origem aos volumes 2, 3 , e ao Homem da quinta dimensão. Fiquei super feliz com o convite, foi sem dúvida o melhor projecto em que já participei, e pelo caminho criei uma serie de aplicações muito úteis para o modelo, que em essência é muito abstracto, muito abrangente. Ele parte da geometria, matemática, etc para explicar as bases de funcionamento de todo o universo físico.

O que te levou a escrever nesta vertente?
O convite do Tito, criador do modelo.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Dizem que não tem bases suficientes para entender totalmente o conteúdo, mas que acham super interessante. Nas apresentações ao vivo reagem muito bem.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves, para além daqueles que podemos
encontrar nas tuas obras já publicadas?
A minha escrita sempre foi muito eclética, tanto na forma como no conteúdo.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Sim, inúmeros...desde escrever livros como ghostwriter, a trabalhos como copywriter, artigos, poesia, centenas de letras para músicas, etc. De tudo um pouco.

Pensas em publicar novamente?
Sim, mas edições físicas tão cedo não me parece.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Guionismo para cinema, que também tirei curso, banda desenhada e ficção literária. Já fiz trabalhos em todos estes, e voltaria a fazer.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Trabalhos muito diferentes, alguns técnicos e mais ligados ao desenvolvimento pessoal,
E outros mais pessoais e artísticos.

Descreve-te numa palavra:
Criativo

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Na ponta dos dedos com... André Cozta


André, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores do blogue, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Olá, Leticia! O prazer é meu e também é uma honra poder me aproximar e falar um pouco mais sobre nosso trabalho literário aos leitores deste blog.
Bem, desde os tempos de escola já sentia afinidade com a escrita e as redações foram se tornando as tarefas mais prazerosas. Já adulto, como médium trabalhador da Umbanda, recebi a incumbência de escrever psicografando mensagens trazidas por Mestres da Luz.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Sinto como se fosse a minha própria fala. Costumo até dizer aos meus alunos que escrevo melhor, expresso-me melhor escrevendo do que falando. Na verdade, é a forma de expressão que melhor flui a partir do meu espírito.

Tens algum ritual de escrita?
Hoje em dia não mais. Apenos sento para escrever e o processo flui naturalmente. Lembrando que tudo o que escrevo e chega ao público tem orientação dos Mestres da Luz atuantes no Ritual Sagrado de Umbanda.

Sacerdote, médium e escritor. Como concilias estas três áreas na sua vida?
Posso dizer que complementam-se, como os dedos de uma mão. Todo o meu trabalho é voltado para o conhecimento dentro da Umbanda e da Magia, por isso, este encontro acontece naturalmente.

Estas áreas têm influência na tua escrita?
Com certeza, afinal, todo o meu trabalho gira em torno da Umbanda e da Magia.

Já publicaste nove obras anteriormente. Podes falar-nos sobre elas?
Com o maior prazer!
Publiquei nove obras pela Madras (editora brasileira):
1- Relatos Umbandistas: são relatos de 7 médiuns umbandistas desencarnados falando acerca das suas experiências enquanto encarnados, como médiuns na Umbanda, entre as décadas de 1950 e 1980, no Brasil;
2- Contos D’Aruanda (e algumas mensagens de fé, paz e evolução): traz nove contos que homenageiam a Umbanda e cinco mensagens do Sr. Preto Velho Pai Thomé do Congo aos umbandistas e demais interessados;
3- Caminhos da Evolução/Superando Preconceitos: na primeira parte, os Mestres da Luz Sr. Gehusyoh e Sr. Rhady nos trazem um ensaio reflexivo acerca da Evolução como sentido da Vida, bem como sua influência nos outros seis sentidos (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei e Geração) e destes nela. Na segunda parte, nove relatos trazidos por Pai Thomé do Congo de espíritos desencarnados que manifestaram, enquanto aqui viveram, os mais diversos tipos de preconceitos;
4- O Anfitrião do Campo Santo: nesta obra, o Sr. Exu Caveira nos traz relatos de trabalhos realizados por ele no astral e também em templos de Umbanda;
5- A Sete Palmos- Uma Viagem à Prisão das Consciências: nesta obra, em que tive a honra de ter o prefácio escrito pelo Mestre Rubens Saraceni (sacerdote e escritor responsável pela fundamentação teológica da Umbanda), o Sr Exu Caveira nos traz relatos de experiências obtidas por ele em trabalhos onde vivenciou e aprendeu, porque alguns espíritos quando desencarnam ficam presos às suas formas decompostas nas tumbas dos cemitérios (nos caixões). Este mistério, denominado “Prisão e Reforma das Consciências”, está sob irradiação de nosso Pai Omulu, com guarda de Mãe Iansã das Almas e visa purificar espíritos negativados e reformar suas consciências.
6- Trilogia O Preto Velho Mago, composta das seguintes obras:
6.1- O Preto Velho Mago/Conduzindo Uma Jornada Evolutiva: um espírito preso a uma faixa negativa tem o auxílio do Preto Velho Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas para sua recuperação, após uma encarnação minada de negativismos;
6.2- À Sombra da Vaidade / Amor, Magia e Conflitos: a jornada deste espírito volta no tempo, para Inglaterra do século XVIII, onde, divide-se entre o trabalho como comandante de um exército real e atuações como mago trevoso. Num triângulo amoroso com duas “bruxas”, a negativação surge como caminho natural;
6.3- Nas Amarras da Arrogância / A Queda de um Cavaleiro Amargurado: no século XIX, em uma encarnação na Argentina (anterior à queda em que se encontrará com Pai Cipriano no primeiro livro), ele é um fazendeiro assassino e que faz de tudo para conquistar seus intentos ignorantes;
7- Umbanda, Uma Escola Evolutiva: ensaio publicado em 2017, onde propomos uma reflexão acerca da Umbanda como escola evolutiva, filosofia de vida, religião de fé e amor e suas funções na vida dos indivíduos e na sociedade;
Sinopses e um vídeo falando destas obras podem ser encontrados neste link do nosso site:  http://www.caminhosdaevolucao.org/livros-publicados/
Estas nove obras podem ser adquiridas em www.madras.com.br.


Recentemente, publicaste “Jurema” através da Chiado Books. De que trata este livro?
“Jurema – Guardiã do Conhecimento”, nosso décimo livro, publicado pelo Grupo Editorial Chiado, no Brasil e em Portugal, é uma fábula onde Cabocla Jurema da Evolução nos mostra como são assentadas na natureza as falanges das linhas espirituais de trabalho que conhecemos por intermédio do ritual sagrado na Umbanda, sob o comando dos Divinos Orixás, regentes da Natureza Mãe.

O que te levou a escrever sobre o Mistério Jurema?
Como em quase todos os outros, foi a inspiração mediúnica, neste caso específico, conduzida por Cabocla Jurema da Evolução
Esta obra pode ser adquirida em www.chiadobooks.com
Vídeo-release desta obra em nosso canal no You Tube no link: https://www.youtube.com/watch?v=Fbu0VcsPh-4&t=2s

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Temos recebidos boas críticas. Esta obra traz em uma fábula toda a Ciência Divina aberta nas últimas décadas pelo Mestre Rubens Saraceni em obras como: Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Gênese Divina de Umbanda Sagrada e Código de Umbanda, todas publicadas pela Madras Editora (www.madras.com.br).

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves, para além daqueles que podemos encontrar no teu livro?
Deus e suas manifestações naturais sempre estarão presentes nos meus escritos e argumentos. Sou Bacharel em Filosofia, portanto, um paralelo entre este campo religioso e o filosófico sempre se mostrarão em minhas obras e nas minhas aulas. A Umbanda é uma escola filosófica que se mostra a nós a partir da Fé, sentido básico e fundamental da Vida.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Gênese Divina de Umbanda Sagrada- Rubens Saraceni (Madras Editora)

Pensas em publicar novamente?
Neste momento, tenho 4 livros prontos e mais 3 em projeto. Acho que nunca conseguirei parar.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Filosofia. Mas minha dificuldade sempre seria  dissociá-la de Deus e das suas manifestações naturais, portanto, escrever sem a Umbanda no contexto não passa, para mim, de utopia.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Escrever acerca de Deus, das suas manifestações naturais, da Umbanda e sua filosofia.

Descreve-te numa palavra:
Servidor (de Deus)


sábado, 13 de julho de 2019

O Barco das Crianças, de Mario Vargas Llosa

O Barco das Crianças (COMPRAR AQUI) é um livro infantojuvenil publicado recentemente pela Editorial Presença. Este pequeno livro é da autoria do Prémio Nobel da Literatura, Mario Vargas Llosa, e a leitura deste livro foi a minha estreia com o aclamado autor.

Esta comovente história acompanha o pequeno Fonchito, um menino curioso, nas suas conversas com um ancião, um velhinho que ele encontra diariamente sentado no banco do parque a contemplar o mar. 

Curioso à cerca do motivo que leva este velhinho a seguir diariamente o seu ritual, Fonchito trava conversa com ele e o ancião partilha com o mais jovem, a Cruzada das Crianças, que terá acontecido em meados do século XII. 

As crianças entraram num barco rumo a Jerusalém, à reconquista da Terra Santa. Algumas crianças terão sido raptadas e escravizadas, outras terão perecido por causa da fome e do frio, certo é que estas não retornaram aos seus lares e através desta narrativa, o autor invoca uma nova possibilidade, um novo destino para aquelas crianças, puras e ingénuas, intocadas pelo tempo.

O ancião assume-se uma dessas crianças, cuja curiosidade de saber mais sobre o mundo, à semelhança do que a serpente fez com Eva no Paraíso, também o tentou a sair do barco, contudo, impedindo-o de regressar e fazendo-o envelhecer.

Além da parte histórica da narrativa que pode ser aprendida (eu confesso que desconhecia a história desta Cruzada), há toda uma mensagem bela, inspiradora e mágica em torno da obra: a importância de ouvir o outro. 

O livro tem ilustrações muito bonitas e agradáveis, que nos transportam diretamente para a história.

Este é um livro com inúmeras interpretações, simples e delicado, com uma linguagem bela e rica, que me conquistou e que certamente conquistará muitos mais leitores.

Uma leitura:


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Às Margens do Rio das Velhas, de Wagno Rosa

Às Margens do Rio das Velhas (Comprar aqui) é um livro da autoria do brasileiro Wagno Rosa, que retrata tempos passados através das suas palavras.

Este livro é um retrato da vida em Raposos, uma pequena cidade situada entre as montanhas e o vale do Rio das Velhas, onde outrora a mineração era o meio de sustento dos seus habitantes.

O autor começa por apresentar o adro da igreja onde os mais pequenos costumavam fazer competições de aviões de papel com as folhas que sobravam dos cadernos escolares, no fim do ano letivo. 

Logo depois, o autor partilha as suas próprias experiências, momentos marcantes da sua infância, através de um relato genuíno e simples em primeira pessoa. Este relato, embora verídico, tem alguns pormenores mais ficcionados que segundo Wagno, serviram para embelezar a narrativa. 

A sua infância vivida numa época difícil, foi ainda assim marcada pela alegria, alegria que todas as crianças deveriam ter a oportunidade de vivenciar durante o seu crescimento. 

Ao longo dos capítulos, Wagno fala das tradições, dos costumes, da forma como era celebrada a Semana Santa, da discoteca, do cinema, de todas as partes integrantes de Raposos, que de certo modo foram uma grande influência para a sua escrita.

Esta narrativa é um relato bonito e simples da sua infância, mas acima de tudo, é um relato que recorda a sua terra natal.

Vestigium D'Arbor, de Vieira Vieirinha

Vestigium D'Arbor (COMPRAR AQUI) é um livro de poesia da autoria de Vieira Vieirinha, autora que recentemente foi entrevistada cá no blogue e que também assina sob o heterónimo Lo Escrita, A Menina que Fui é uma obra da sua autoria que também foi avaliada pelo blogue.

Este livro à semelhança do livro A Menina que Fui é pequeno, mas grandioso no seu conteúdo. Gostei particularmente da apresentação deste novo livro, mais cuidado, mais delicado e apelativo. A sua edição é de 2017 mas a sua poesia é sempre atual.

«Emoção» é um dos primeiros poemas que consta desta obra e o qual destaco, destaco também «Luto», estes poemas tocaram-me de um modo especial, mas todos eles merecem ser lidos e apreciados. 

Entre a poesia há também o destaque de algumas frases da autora, que incitam à reflexão, que se entranham. Vieira Vieirinha toca profundamente o leitor com a sua poesia, às vezes simples, às vezes complexa, mas sempre pejada de sentimento.