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quarta-feira, 20 de março de 2019

A Rapariga da Falésia de Rachel Abbott

A Rapariga da Falésia (COMPRAR AQUI) de Rachel Abbott é uma das mais recentes apostas da Topseller. Este é o primeiro volume da Série Stephanie King. A sargento Stephanie King dá o nome à série, o que me leva a crer que, iremos encontrá-la posteriormente, a trabalhar na resolução de novos crimes.

Quando Stephanie é chamada para o local de um suposto homicídio, não esperava encontrar um crime tão macabro, no entanto, não era a primeira vez que aquela belíssima casa no cimo de uma falésia, com grandes vidros com vista para o mar, era palco de uma morte com contornos misteriosos.

Anos antes, Mia North morreu e, por falta de provas, um atacador dos ténis foi dado como responsável pela queda desastrosa no ginásio da sua casa.

Esta narrativa é dominada por uma complexidade que nos envolve e emaranha o cérebro, enquanto tentamos desesperadamente encontrar as respostas para as questões que nos vão sendo colocadas.

São-nos apresentadas várias personagens, bem construídas e delineadas. Evie Clark que iniciou há alguns meses um romance com Mark North, um fotógrafo reconhecido da região. Cleo, irmã de Mark, demasiado protetora, mantém uma relação de extrema necessidade e obsessão com o irmão e, claro, a sargento Stephanie King. A vida destas personagens está interligada e, à medida que a história avança, vamos dissecando os seus passados e as suas relações.

A narrativa está dividida em três partes sendo que na primeira parte podemos acompanhar a rotina do casal Evie e Mark e a relação que os une a Cleo. É uma parte intensa e complexa se, por um lado, surgem dúvidas perante a possibilidade de Mark infligir violência à mulher, por outro, sentimos imediatamente que há algo que Evie esconde à cerca do seu passado e isso torna complicado que criemos empatia com a personagem. 

Ainda assim, o constante clima de tensão e dúvida, mantém-nos agarrados à leitura deste thriller.

Na segunda parte temos o julgamento de Evie pelo homicídio de Mark, esta é uma parte onde acreditamos que as verdades começam a vir à tona e, onde uma relação amorosa da Sargento ganha algum destaque, fazendo com que nos liguemos à sua personagem.

Na terceira e última parte, após o veredicto final do tribunal, tudo aquilo que tínhamos dado por certo, sofre uma reviravolta e estamos, por fim, perante um crime hediondo e com contornos complicados. É também nesta parte que o sentido aguçado de Stephanie é colocado à prova e a ajuda a deslindar a verdade por detrás de Evie Clark e da morte de Mark. 

Durante toda a história, embora não simpatizasse com Evie, não consegui gostar, de todo, de Cleo. Pela sua possessividade para com o irmão, pela forma como despreza as mulheres com quem este se envolve. Mas, a cartada final da autora leva-me a sentir o coração apertado por Cleo quando finalmente tudo é esclarecido. 

É também na reta final da narrativa que nos damos conta de que esta história não é apenas sobre a Mark e a possível violência que infligirá a Evie, mas sobre o passado que, sem que Cleo saiba, a liga de um modo trágico à mulher que lhe matou o irmão - e não só. Mas isso deixo para o leitor descobrir e se surpreender.

Gostei muito desta obra. Manteve-me agarrada o tempo todo. Gostei da escrita da autora, assertiva e directa, pujada de emoção. E gostei, acima de tudo, do enredo. Intrigante desde a primeira página.


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segunda-feira, 18 de março de 2019

Negro como o Mar de Mary Higgins Clark


Sinopse
O cruzeiro prometia ser sublime. Mas logo depois de levantar a âncora, o luxuoso Queen Charlotte torna-se o palco de um misterioso assassínio: o de Lady Em, uma rica octogenária. O seu inestimável colar de esmeraldas, supostamente pertencente a Cleópatra, desapareceu... O culpado está, sem dúvida, a bordo. Mas quem é? O seu secretário aparentemente dedicado? O jovem advogado que queria persuadir Lady Em a devolver o colar ao Egito, enquanto seu legítimo dono? Ou Celia Kilbride, a gemóloga que se relacionou com a velha senhora? 

A lista de suspeitos cresce enquanto o Queen Charlotte rasga as ondas e o cruzeiro se transforma em drama. Preparemo-nos para embarcar num cruzeiro capitaneado por uma surpreendente Mary Higgins Clark e do qual é possível não regressar.

Avaliação: 5 de 5 


Opinião

Mary Higgins Clark é autora de mais de trinta romances de sucesso. Apesar do nome sonante de Mary sempre me ter despertado imensa curiosidade, «Negro como o Mar» (COMPRAR AQUI), título publicado pela Bertrand foi a minha estreia com a autora e, claro, não poderia estar mais satisfeita.

Sou aficionada pelos thrillers e pelos romances policiais, o que, provavelmente, ajudou na leitura desta obra, no entanto, a escrita da autora conquistou-me. Uma escrita simples, acessível e escorreita.

A narrativa bem-estruturada e coesa é um dos pontos fortes deste livro. Os capítulos são curtos e, para mim, este é um ponto muito positivo. A leitura torna-se fluída e não nos aborrece, cada capítulo está bem pensado e preparado.

Somos, logo nas primeiras páginas, apresentados ao Queen Charlotte, um navio cruzeiro de luxo, comparado ao Titanic e ao Queen Mary. Na viagem inaugural do Queen Charlotte, o seu dono, Senhor Morrison, espera que tudo corra de um modo perfeito, mas contrariamente ao expetável, um misterioso assassínio acontece, perturbando a paz dos tripulantes.

Neste cruzeiro estão Lady Emily Haywood, que anunciara que levaria consigo o seu colar de esmeraldas que se acreditava ter pertencido a Cleópatra. Lady Em viaja acompanhada pela sua assistente pessoal, Brenda, e o seu consultor financeiro, Roger. Celia Kilbride, uma reconhecida gemóloga, convidada para dar palestras no decorrer da viagem. Acredita-se que Celia possa estar envolvida numa fraude com o antigo namorado. Anna DeMille que ganhou a viagem numa lotaria promovida pela sua paróquia. Henry Langworth, um professor convidado para dar palestras sobre Shakespeare, envolvido numa aura de mistério. Devon Michaelson um detetive contratado pela Interpol para assegurar que a viagem correrá bem, uma vez que existem suspeitas de que o Homem das Mil Caras, um ladrão de relíquias, possa estar a bordo. Ted Cavanaugh, filho de um embaixador do Egipto, movido pelo desejo de convencer Lady Em a devolver o seu colar ao seu legítimo dono, o povo do Egipto. E o casal Alvirah e Willy, que ganharam a lotaria há alguns anos e aventuraram-se nesta viagem. Este casal surge em outros livros de Mary Higgins Clark, Alvirah é uma mulher conhecida pela sua habilidade em deslindar crimes. Apesar de não ser a primeira aparição do casal, não é necessário ler as outras obras da autora para os conhecer, uma vez que há uma pequena apresentação dos mesmos no início da narrativa.

O livro está dividido pelo número de dias que compõe a viagem até Southampton. Em cada capítulo, a autora vai apresentando as personagens, dando-nos a conhecer as suas vidas e relações, e este cuidado, faz com que criemos empatia com eles logo nas primeiras páginas.

O enredo está muito bem construído e mantém-nos atentos e ansiosos pelo capítulo seguinte. Tudo começa a desenrolar-se quando Lady Em é assassinada ao terceiro dia de viagem e, assim, num clima de suspense vamos nos questionando sobre quem será o assassínio.

Todas as pistas apontam para o Homem das Mil Caras, um ladrão cuja identidade é desconhecida, mas cuja forma de praticar os seus roubos intriga a própria policia.

Confesso que, embora, fosse criando várias suspeitas ao longo da leitura, me surpreendi quando a identidade do assassino foi revelada. Era tão improvável que fosse aquela personagem que este, foi sem dúvida, o ponto mais alto da narrativa.

Um livro que me conquistou. Uma escrita que me deixou ávida por ler mais da autora. Uma obra que recomendo.


A Autora

Fonte: http://maryhigginsclark.com/
Mary Higgins Clark é autora de mais de trinta romances que obtiveram um êxito assinalável, tendo vendido mais de 150 milhões de exemplares dos seus livros em todo o mundo.
Foi secretária e hospedeira, mas depois de se casar dedicou-se à escrita. Com a morte prematura do marido, que a deixou com cinco filhos pequenos, a autora investiu na escrita de guiões para rádio e, depois, nos romances. Rapidamente se tornou um dos grandes nomes da literatura de suspense, conquistando os tops de vendas, a crítica e os fãs.
Foi eleita Grand Master dos Edgar Awards 2000 pela Mystery Writers of America, que também lançou um prémio anual com o seu nome. Já foi presidente da Mystery Writers of America, bem como do International Crime Congress.
(fonte: https://www.bertrandeditora.pt/autor/mary-higgins-clark)







quinta-feira, 14 de março de 2019

Meu Gato, Meu Guru de Stéphane Garnier


Olaf e o livro "Meu Gato, Meu Guru"
Meu Gato, Meu Guru (COMPRAR AQUI) de Stéphane Garnier foi publicado recentemente pela Albatroz, chancela da Porto Editora.

Logo me deixei fascinar quer pelo título, quer pela capa, que nos mostra um belíssimo gato preto. 

Apaixonada por gatos, com uma predileção para os gatos pretos – possivelmente porque sou “mamã” de um jovem gato preto, gorducho e brincalhão, de seu nome Olaf – não fiquei indiferente a esta obra.

Sempre vi os gatos como seres místicos. Admiro a independência destes animais, a sua postura altiva e até o desinteresse com que muitas vezes nos tratam. 

Eles gostam de nós, é claro, mas não dependem de nós e, acredito que essa é a lição mais bonita que um gato nos dá, ensina-nos a amar sem depender, mostra-nos que o amor deve ser algo leve e virtuoso, e não uma necessidade.

Este livro é rico em frases de autores célebres sobre gatos, algumas que eu já conhecia, e outras que foram uma deliciosa surpresa, como a que vos mostro na imagem abaixo.

"Meu Gato, Meu Guru"

Além das frases, um pormenor interessante são as ilustrações de gatinhos e, claro, o marcador com orelhinhas de gato que é adorável.

O conteúdo do livro não fica nada atrás e é mais um aspeto extremamente positivo sobre o mesmo que devo realçar.

O autor não faz longas dissertações sobre os gatos, mas através de uma linguagem direta, sucinta e bastante simples, dá-nos dicas sobre aquilo que podemos aprender com os felinos.

A narrativa está bem-estruturada e em cada capítulo é abordado um aspeto sobre o gato e sobre o modo de vida deste, que nos explica como podemos também nós, adotarmos a postura destes maravilhosos animais, nas nossas vidas, tornando-as mais leves, menos complicadas e livres de preocupações.

"Meu Gato, Meu Guru"

Para além destes pontos, o próprio Ziggy – o gato do autor – dirige-se a nós em primeira pessoa, o que confere simplicidade e divertimento à leitura.

Um livro para os amantes de gatos, mas sobretudo, para quem ainda não se deixou dominar por esta espécie. Fica a promessa de que depois deste “Meu Gato, Meu Guru” isso certamente mudará.

A pata do Olaf e o livro "Meu Gato, Meu Guru"


quarta-feira, 13 de março de 2019

A Banana Dele de Penelope Bloom


Assim que foi anunciada a publicação em Portugal do título “A Banana Dele” (COMPRAR AQUI) de Penelope Bloom, o entusiasmo foi geral.


Este livro chegou em Fevereiro às livrarias pela Quinta Essência, chancela da LEYA.

Talvez pelo título que, obviamente, faz com que o nosso lado mais divertido e atrevido se ative no cérebro e nos leve a fazer inúmeras suposições do que nos esperam as páginas do livro, o certo é que ninguém lhe ficou indiferente.

Após a leitura da sinopse, um tanto peculiar e humorística, a curiosidade adensou-se e, quando o livro chegou às minhas mãos, devorei-o literalmente.

A banana é efetivamente um fruto, neste caso particular, o fruto de eleição do empresário Bruce Chamberson. Quando a sua estagiária se atreve a pegar na sua banana, identificada a marcador preto com o seu nome e a come, Bruce decide contratá-la para lhe infernizar a vida.

Isto poderia ser algo estranho, mas Bruce explica que o seu desejo será atormentar a jovem Natasha de tal forma, que ela não tenha outra solução se não demitir-se, o que Bruce não imagina é que Natasha não é uma estagiária qualquer, mas sim uma jornalista que exausta dos artigos bera que escreve, foi incumbida de descobrir os vícios dos Chamberson para redigir um artigo que certamente lhe garantirá a fama e o dinheiro que precisa para se sustentar.

Natasha é naturalmente desastrada, mas é também uma mulher de ideias geniais, contrariamente ao expectável por Bruce. São, no fundo, estes atributos que fazem com que o chefe sério e mordaz vá derrubando os muros e se permitindo cair nas teias da paixão.

É também o lado menos duro e mais adorável e sensível de Bruce que faz com que Natasha se renda aos seus encantos e desista do artigo dos artigos.

Apesar da conotação sexual associada ao título, este é um romance divertido, com a sensualidade e o erotismo bem doseados, está claro, mas que não é vulgar, pelo contrário. A escrita direta e sem floreados da autora, aliada aos capítulos curtos, narrados em primeira pessoa pela Natasha e pelo Bruce, intercaladamente, tornam este livro uma surpresa muito agradável.

Prende o leitor desde a primeira página pelas peripécias da protagonista, pelo seu sarcasmo e ironia, mas sobretudo, pela simplicidade da história.

Um livro que me surpreendeu e que me deixou imediatamente desejosa de conhecer os outros livros da autora, também com títulos muito curiosos, o próximo a ser publicado é A Cereja Dela, e acredito que os leitores portugueses ficarão fãs.


Outras publicações da Quinta Essência






















As Três Perguntas de Don Miguel Ruiz e Barbara Emrys

As Três Perguntas (COMPRAR AQUI) da autoria de Don Miguel Ruiz, um dos maiores líderes espirituais mundiais e, Barbara Emrys, terapeuta espiritual, é uma das publicações mais recentes da Nascente, chancela da 20|20 Editora.

Este livro de desenvolvimento pessoal é uma obra enriquecedora, para refletirmos sobre nós, sobre aquilo que nos rodeia e sobre o amor.

As Três Perguntas, para além de darem o título à obra em si, são, de facto, três questões pertinentes: quem sou eu?, o que é real? e o que é o amor?.

Nas primeiras páginas somos introduzidos a uma parábola, As três pérolas da sabedoria, que servem de mote ao que será abordado nas páginas seguintes.

Através de uma viagem profunda em que a nossa mente é comparada a um governo, à semelhança do que se sucede nas nossas comunidades, geralmente lideradas também por um governo, é nos facultada uma nova perspectiva sobre a nossa mente, como ser único e de extrema importância para a compreensão da vida e do mundo.

São três questões que colocamos a nós mesmos com regularidade e, para as quais, nem sempre encontramos as respostas mais lógicas ou sábias. Acreditamos que nos conhecemos, mas o primeiro passo para sabermos quem somos, de facto, é aprendermos a saber identificar quem não somos.

O relato destes autores obriga a que nos coloquemos em retrospectiva e nos analisemos.

Uma narrativa simples e direta, de caráter espiritual e comovedor, que servirá de base na nossa caminhada pela vida.

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Seafire de Natalie C. Parker

Seafire (COMPRAR AQUI) da autoria de Natalie C. Parker é uma obra do género fantástico, publicada recentemente em Portugal pela Topseller. Depois do sucesso que fez em outros países, aquela que é denominada "a leitura mais aguardada do ano" chegou às prateleiras portuguesas com a promessa de surpreender os leitores. E fê-lo, com mestria.

A história é narrada em terceira pessoa e começa no passado, sendo que no primeiro capítulo temos, imediatamente, um avanço de quatro anos. 

Através de uma narrativa coesa e bem estruturada, somos apresentados à tripulação do Mors Navis, o navio de Caledonia e da sua amiga, Pisces, duas jovens que procuram vingar a morte dos pais às mãos de Aric Athair, um temível senhor da guerra.

Esta tripulação é constituída por cinquenta e duas mulheres, guerreiras e fortes de espírito. Uma espécie de lufada de ar fresco na literatura do género que nos traz, normalmente, protagonistas masculinos. Estas, no entanto, são mulheres, e num mundo em que tanto se debate a igualdade género, este livro veio mesmo a tempo de nos brindar com protagonistas intrigantes e poderosas.

Este é um livro que nos mostra a importância de aprendermos a confiar no próximo. Entre lutas brilhantemente descritas e aventuras de tirar o fôlego, se outrora, Caledonia depositava a sua confiança, tão somente nas suas irmãs, a família que "criou" a bordo do Mors Navis, é quando precisa de confiar num dos homens de Aric Athair, o mesmo homem que salva a vida à Pi, que tudo pode mudar. 

Com a dose certa de aventura, batalhas e, com um foco sobre temas como crianças obrigadas a servir uma pessoa, mantidas numa espécie de cativeiro, pelo uso da violência e das drogas, estes são alguns dos pontos que devo ressaltar a favor desta obra.

A mesma terá uma continuação, mas por agora, resta-nos saborear esta leitura e, claro, demorar-mo-nos mais um pouco neste navio, ao lado da Caledonia, deixando-nos absorver pela sua coragem e ousadia.

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sexta-feira, 8 de março de 2019

Então, Boa Noite de Mário Zambujal


Então, Boa Noite (COMPRAR AQUI) de Mário Zambujal é o título mais recente do autor “malandro” português.

Uma publicação da editora Clube do Autor que, uma vez mais, brindou os leitores com uma nova história, um tanto caricata, deste incontentável autor nacional, para mim, um dos melhores da sua geração.

Através de uma narrativa divertida e, cujo principal objetivo, não é outro senão o de entreter o leitor, conhecemos Afonso Júlio, um jovem sedutor que troca os dias pelas noites devido a um problema ao qual denomina, plasticidade dos neurónios.

Rapaz de muitas paixonetas, incumbido pelo falecido padrinho de reaver o dinheiro de um suposto devedor e desposar uma suposta sobrinha do agora finado.

Afilhado devoto e com grande sentido de responsabilidade e, está claro, de divertimento, Afonso Júlio vai narrando as suas aventuras e desventuras amorosas, enquanto avança na investigação que o levará ao devedor e à sua futura esposa, cumprindo assim o último desejo do seu padrinho.

Com uma linguagem simples, direta, vivaz e repleta de humor, como há muito o autor nos habituou, somos transportados para o mundo deste irreverente protagonista, aliado a um enredo engraçado que nos prende do início ao fim.

Uma leitura que, certamente, conquistará os leitores. Para ler enquanto nos refastelamos numa mantinha no jardim, num domingo à tarde, aproveitando este sol vigoroso que se tem feito notar.


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Um Clarão de Luz de Jodi Picoult

Um Clarão de Luz de Jodi Picoult

Coleção: Grandes Narrativas nº 710 
Tema: Ficção e Literatura 
Título Original: A Spark of Light 
Tradução: Manuela Madureira 
ISBN: 978-972-23-6340-2 
Páginas: 368

Sinopse

Um dia quente de outono começa como qualquer outro no Centro - uma clínica que presta cuidados de saúde reprodutiva a mulheres. Como habitualmente, os seus funcionários acolhem as pacientes que ali se encontram para aconselhamento e tratamentos. De repente, pelo final da manhã, um homem armado entra nas instalações e começa a disparar, causando feridos e fazendo reféns. O agente de polícia Hugh McElroy, especialista em negociar a libertação de reféns, estabelece um perímetro de segurança e traça um plano para comunicar com o atirador. Ao olhar sub -repticiamente para as mensagens recebidas no seu telemóvel, apercebe-se, horrorizado, de que Wren, a sua filha de apenas quinze anos, se encontra no interior da clinica. Wren não está só. Ela vai partilhar as horas seguintes, sob um clima de grande tensão, com outras pessoas : uma enfermeira em pânico, que tem de se autocontrolar para salvar a vida de uma mulher ferida; um médico que põe a sua fé à prova como nunca antes acontecera; uma ativista pró -vida, que se tinha feito passar por paciente e é agora vítima da mesma raiva que ela própria sentia; uma jovem que quer abortar. E o próprio atirador, completamente transtornado, a querer ser ouvido. Uma narrativa que equaciona a complexa temática dos direitos das mulheres grávidas e dos direitos dos seres que elas estão a gerar, além de refletir sobre o significado de ser boa mãe e bom pai. Um romance desafiador , absorvente e apaixonante.

Opinião

A autora Jodi Picoult é, sem sombra de dúvida, mestre na escrita de livros poderosos e marcantes com temáticas atuais e que fazem com que nos questionemos continuamente. Para mim é isso que é um bom livro, um livro capaz de nos fazer pensar, refletir sobre as nossas próprias escolhas e onde o mote é o "e se". E se fossemos nós naquela situação? E se aquela decisão fosse nossa? 

A sua escrita é escorreita e muito direta, e as suas histórias - de um valor intrínseco - são mensagens constantes para o leitor.

A autora tem um modo muito particular de construir as suas narrativas. Está em permanente evolução e sempre brinda o leitor com novas formas de narrativa, com personagens irreverentes e inesquecíveis. 

O que mais aprecio nesta autora é a sua capacidade de se adaptar às histórias que conta, fazendo com que as sintamos em nós.

Neste novo livro, Um Clarão de Luz (COMPRAR AQUI), publicado no presente ano pela Editorial Presença, que já anteriormente satisfez os leitores portugueses com outros títulos da Jodi, temos uma narrativa coesa e "do avesso". 

Achei muito curiosa a forma como a autora criou esta obra, que sim, está do avesso. Ou seja, nas primeiras páginas sabemos à priori o que se está a suceder, começamos pelo fim da história, e nos capítulos seguintes a história vai recuando e vamos percebendo como tudo se passou. As razões que despoletaram o momento chave da obra, o primeiro momento que nos foi dado a conhecer. 

Acompanhamos, assim, o agente da polícia Hugh McElroy que está a liderar a negociação de reféns, numa clínica - o Centro - que presta cuidados de saúde reprodutiva a mulheres. Dentro da clínica está Wren, a filha de quinze anos do agente da polícia, uma ativista pró-vida, uma enfermeira que tenta salvar a vida de Bex, a tia de Wren, uma jovem que acabou de fazer um aborto, um médico ciente de que faz o melhor pelas mulheres que chegam ao Centro e o próprio atirador, George Goddard, motivado pela notícia de que a filha fizera um aborto.

Esta narrativa é repleta de emoções e a autora domina bem a arte de nos fazer questionar temas que, na maioria das vezes, preferimos evitar. 

O que é ser boa mãe ou bom pai? Será que as mulheres têm direito sobre o seu próprio corpo? Ao darmos às mulheres esses direitos, estaremos a retirar o direito à vida das crianças que elas estão a gerar? Ou será que ao dar direitos às crianças que elas estão a gerar, estamos, na verdade, a retirar o direito à mulher sobre o seu próprio corpo?

Creio que um tema tão pouco abordado como o aborto merece uma grande atenção, no entanto, todos os casos são únicos e eu própria não consigo tomar uma posição. Penso e reflito sobre o aborto. Peso os prós e os contras, mas a verdade, a derradeira verdade, é que até que sejamos nós, no lugar daquelas mulheres, nunca saberemos realmente o que faríamos. 

Esta obra, à semelhança das restantes da autora, teve um peso fulcral na minha vida e no meu pensamento. É uma narrativa curta, contrariamente aos outros livros já escritos pela Jodi Picoult, mas é uma narrativa densa no seu conteúdo. 

Para, sobretudo, refletirmos sobre as nossas próprias decisões. É sobre isto que a autora escreve. E é por isto que precisa de ser lida. 

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quarta-feira, 6 de março de 2019

Romeu e Julieta de William Shakespeare

Confesso que o género literário que hoje abordo cá no blogue não está entre os meus preferidos, falha minha, com certeza, mas depois desta edição do Clube do Autor, do drama romântico mais aclamado de todos os tempos, não consegui escapar a esta leitura.

Parabenizo desde já a editora pelo design gráfico da capa que está absolutamente fabulosa.

Romeu e Julieta de Shakespeare (COMPRAR AQUI) enquadra-se na coleção “Os Livros da Minha Vida”, publicada pela editora Clube do Autor. Coleção essa que contempla os clássicos intemporais.

A obra gira em torno de dois jovens apaixonados que travam uma luta desesperada e desenfreada contra as próprias famílias, para ficarem juntos, famílias que se odeiam, Capuleto e Montéquio. 

O conflito entre a família destes jovens cessa somente com a morte dos mesmos. 

Isto deveria ser considerado spoiler, mas a verdade é que todos sabemos como termina esta história, embora a maioria de nós, nunca a tenha lido. No entanto, decidi contornar esse facto e arrisquei. Surpreendi-me e adorei.

Um facto curioso sobre a história é que geralmente todos associamos este amor trágico a dois adultos, mas, Romeu e Julieta não tinham mais do que catorze anos. E isto vem mostrar-nos que o amor, realmente, não tem idade e, que a idade nada mais é do que um pormenor técnico.

Os Capuleto e os Montéquio são inimigos profundos e até mesmo os criados de ambas as famílias odeiam-se, perpetuando assim o ódio e os conflitos.

A história flui com celeridade, assim como o amor destes dois adolescentes. É evidente que a história termina de um modo trágico, mas quantas assim terminam também? e ninguém as conta ou partilha, porque estamos programados para adorar as histórias com finais felizes, alheios a que a realidade não é tao linear como os livros.

A escrita de Shakespeare é arrebatadora e esta obra-prima pela fantástica tradução. Não perde a essência e mantém-se fiel ao original, mantendo-nos comovidos, fazendo com que até, em alguns momentos, nos sintamos exasperados com o amor que une o jovem casal.

Este é um livro que todos, sem exceção, deveriam ler. É um livro que perdura na memória e que nos mostra o melhor que já foi feito na história da literatura.

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Deixem-na Voar de Ziauddin Yousafzai

Deixem-na Voar de Ziauddin Yousafzai com Louise Carpenter

Coleção: Não Ficção nº 9 
Tema: Não Ficção e Ensaio 
Título Original: Let Her Fly (aka What love teaches me) 
Tradução: Ana Saldanha 
ISBN: 978-972-23-6330-3 
Páginas: 176


Sinopse

Ziauddin Yousafzai luta, há mais de vinte anos, pela igualdade de género: inicialmente pela sua filha, Malala, e depois pelas raparigas de todo o mundo que vivem em sociedades patriarcais. Desde muito jovem, sentiu que homens e mulheres são iguais e quando foi pai de uma menina, Malala, decidiu que ela haveria de estudar, algo que na sua terra natal, Swat Valley, no Paquistão, era um privilégio exclusivo a rapazes. A sua determinação levou-o a fundar uma escola que a filha pudesse vir a frequentar. Quando, em 2012, Malala foi gravemente atingida a tiro pelos talibãs, por continuar a frequentar a escola do pai , Ziauddin quase perdeu a pessoa por quem decidira lutar em prol da igualdade. Este livro fala-nos da vida de Ziauddin, desde quando era um rapazinho gago criado numa pequena aldeia de montanha no Paquistão, até se tornar no ativista pela igualdade em todo o mundo. Seria também o pai da pessoa mais nova a receber o Prémio Nobel da Paz - Malala, uma das jovens mais influentes e inspiradoras dos nossos dias. Contado através de retratos íntimos de cada um dos membros da família de Ziauddin - como filho, pai, marido e irmão este é um relato sobre o que significa amar, ter coragem e lutar pelo que é justo e correto. Uma abordagem pessoal nos seus pormenores e universal na sua temática, esta obra notável demonstra porque todos nós devemos continuar a lutar pelos direitos das raparigas e das mulheres em qualquer parte do mundo.


Opinião

Embora literatura de não-ficção não esteja entre as minhas habituais leituras, este ano uma das minhas metas literárias passa exatamente por sair da minha zona de conforto e apostar em géneros literários que, possivelmente, não leria noutras circunstâncias.

Deixem-na Voar de Ziauddin Yousafzai (COMPRAR AQUI) é uma novidade recente com o selo da Editorial Presença, é literatura de não-ficção e é uma obra que me conquistou logo nas primeiras páginas.

Malala é uma jovem paquistanesa que em 2014 venceu o Prémio Nobel da Paz. Malala é um símbolo da luta pelos direitos das mulheres e crianças em todo o mundo, e em Deixem-na Voar, conhecemos a sua história por outra perspectiva, a do seu pai, Ziauddin, também ativista pela Educação e pelos direitos humanos.

Esta obra está dividida em quatro partes diferentes: Pai, Filhos, Esposa e Melhor Amiga e Filha. Conta ainda com um prefácio redigido pela própria Malala. Através de um relato pungente de emoções, conhecemos Malala e a vida do seu pai, desde os primórdios.

Apesar de Malala ser o rosto de toda esta luta incansável, muito antes do seu nascimento, já o seu pai, aspirava a luta pelos direitos humanos e pela educação das mulheres.

Com muita humanidade e sensibilidade, as páginas desta obra não carecem de filtros, e dão-nos uma visão daquilo que o mundo era - e ainda é, infelizmente - e mostram-nos que a coragem de arriscar e de fazer a nossa voz se ouvir nunca será em vão.

Esta é a história de um pai, do pai da menina que ganhou um lugar especial nos nossos corações, com a sua destreza, coragem e bondade. Mas é também a história de uma sociedade em que os pensamentos misóginos, radicais e patriarcais se fazem sentir e nos fazem, muitas vezes, temer pelo futuro.

Um livro que me conquistou. Uma mensagem que precisa de ser propagada. Uma leitura que recomendo.

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domingo, 24 de fevereiro de 2019

O Valor da Vida de Litas Ricardo

“O Valor da Vida” (COMPRAR AQUI) é um livro da autoria de Litas Ricardo. Nele,
acompanhamos Sílvia, uma mulher, bonita e com grande sentido de perseverança, ao longo da sua vida. 

Nas primeiras páginas conhecemos Sílvia, ainda muito jovem e grávida do primeiro filho, no entanto, Sílvia ainda não casou, e o choque de realidade que é uma mãe solteira, numa sociedade ainda muito conservadora é o mote pelo qual se inicia este romance.

Com o apoio de Nando, o seu amor, ultrapassam aquela que seria, aos olhos alheios, uma dificuldade, e assim prosseguem a sua vida.

Através de um relato bastante intimo e pautado por vários diálogos, esta história é narrada em primeira pessoa pela própria Sílvia.

Não me vou alongar nesta critica porque, de contrario, teria de dar pormenores sobre a história que acredito que tenham mais impacto para o leitor que se atreve a lê-la, sem os saber antecipadamente.

A escrita da autora é muito simples e direta, marcada por sentimentos e emoções que nos transmite através das suas palavras. 

Esta história é a de Sílvia, mas poderia ser a de qualquer outra mulher, e é isso que a torna interessante. 



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver de Ana Cláudia Quintana Arantes

Comprar Aqui
A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver de Ana Cláudia Quintana Arantes foi recentemente publicado pela Oficina do Livro. 

Esta é uma obra com uma mensagem poderosíssima. Um livro de desenvolvimento pessoal que pode (e deve) ser lido pela população em geral.

Ana Cláudia deixa claro ao leitor que os Cuidados Paliativos em nada se parecem com a Eutanásia, e é bom que este esclarecimento seja feito, uma vez que as pessoas associam erroneamente os dois termos.

Através de uma linguagem escorreita, simples, direta e sem floreados, a autora dá-nos a conhecer a sua experiência enquanto médica especializada em Cuidados Paliativos. A narrativa está dividida em várias partes e todas elas relacionadas à morte, ao luto, à perda, e ao modo como experienciamos todas estas situações. 

A morte é a única certeza que todos temos e, ainda assim, a certeza que todos evitamos e fingimos não ter. 

A autora explora ainda conceitos budistas, as dinâmicas familiares, sociais, pessoais e até espirituais e abre-nos um leque recheado de conhecimento

Temas pujantes como estes que a autora aborda, sem filtros ou preconceitos, são frequentemente ignorados. O ser humano, embora ciente da morte, ignora que esta seja um processo natural da vida.

É comum ouvirmos os médicos dizerem a alguém em fase terminal que não há nada que se possa fazer, e através de uma abordagem muito intima, a autora mostra-nos que, sim, há muito que se pode fazer, não pela doença, não para adiar a morte (que é certa), mas para melhorar a vida da pessoa que está a morrer. E eu acredito piamente que não há nada mais bonito do que a capacidade de enfrentar algo tão doloroso, com um sorriso, com a certeza de que se viveu. 

Numa altura em que eu própria me encontro num processo de luto, esta leitura absorveu-me e trouxe-me outra perspetiva sobre a morte.

É um livro que tem de ser lido pelo maior número de leitores, porque nos dá conta de uma realidade à qual não iremos escapar. E se não iremos escapar, porque não tornar essa realidade um pouco mais bela e um pouco mais leve?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O Reencontro das Almas de Irina Valério

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O Reencontro das Almas é um livro escrito por Irina Valério, onde a autora nos conta a sua história pessoal.


No mesmo, Irina explora os meandros da reencarnação e das vidas passadas, ao nos revelar como em todas elas tem encontrado sempre a sua alma gémea. É uma história que nos faz refletir sobre o amor e o poder do mesmo nas nossas vidas.

É claro que para os mais céticos, tudo será colocado em causa, mas para quem, realmente, acredita que há mais para além deste mundo que conhecemos, torna-se interessante conhecer a história da Irina.

Confesso que a história ficou um pouco aquém do que eu esperava. Leio muito, pesquiso ainda mais e tenho um lado muito místico e muito crente e, está claro, já aprofundei os temas abordados pela autora. Provavelmente, foram os conhecimentos que já adquiri que fizeram com que não sentisse a história como sendo real.

Acho que a autora poderia ter aprofundado mais as suas vivências, poderia ter feito descrições mais pormenorizadas que permitissem ao leitor ganhar empatia com as experiências por ela descritas. Senti que a narrativa, como um todo, merecia um maior cuidado e uma maior sensibilidade na apresentação dos factos, de modo a conferir fidedignidade à história. Creio que foi neste aspeto que a história falhou, ou seja, a maneira como foi contada.

No entanto, parabenizo a autora pela sua coragem em partilhar com o público a sua experiência pessoal, podendo assim, introduzir os leitores nestas matérias.

A história é interessante e lê-se com facilidade num par de horas, dá-nos outra perspetiva sobre o mundo e as relações amorosas.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O Colecionador de Pecados de Daria Desombre

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2019 está a começar de uma forma fantástica, sobretudo, no que, às minhas leituras, diz respeito. Todas as obras que tenho lido no decorrer dos primeiros quarenta e quatro dias deste novo ano, têm se revelado ótimas surpresas e o único medo que me assola é: e se o próximo livro não for tão bom como este que terminei agora?

Pois, bem. Cada um melhor do que o outro. 

O Colecionador de Pecados de Daria Desombre é a novidade da Casa das Letras, chancela da Leya. Este é o primeiro livro da série Masha Karavai, uma série policial para os amantes deste género de literatura. A jovem Masha já está a ser transformada num guião para televisão, portanto, espero ver esta detetive nos grandes ecrãs futuramente.

Nesta narrativa, seguimos Masha, que está a finalizar os estudos e consegue um estágio na Petrovka, a sede da Diretoria Central da Polícia, ao lado de Andrey, o seu chefe, um detetive que rapidamente se frustra com a presença da estagiária, que presume ter chegado àquele posto apenas pela sua proximidade ao procurador Katyshev. Esta suposição não está errada, mas não está totalmente certa. Por trás desta "cunha", está uma rapariga recém-formada em Direito, que procura pelo assassino do pai, obcecada por serials killers e com uma inteligência desconcertante. 

Os capítulos são intercalados pela voz da própria Masha e de Andrey, posteriormente, também temos o ponto de vista de Inokkenty, um amigo de infância de Masha, e historiador que os ajuda consideravelmente na resolução do caso "O Colecionador de Pecados".

Quando em Moscovo, na Praça Vermelha é descoberto um cadáver, tudo muda e casos arquivados e sem solução à vista podem ter ligação a este assassinato.

Masha cria teorias, um tanto rocambolescas, mas ainda assim, fidedignas. Ao se deparar com uma planta antiga de Moscovo descobre que esta poderá estar ligada à lendária cidade sagrada do céu, Nova Jerusalém. E, perante os cenários dos crimes, cujos métodos de execução do assassino, se revelam invulgares e medievais, Masha e Andrey aproximam-se mais e mais do possível serial killer, que sem hesitar, coloca a vida dos mais próximos de Masha em risco.

Com uma história coesa e bem estruturada, com capítulos curtos e bastante sintetizados, estamos perante um novo caso de sucesso na literatura policial. 

O que mais me cativou foi, sem dúvida, a linguagem da autora: rica, simples e descontraída. Uma história que se lê facilmente, que prende e nos faz suspeitar de todos, deixando-nos incrédulos com a cartada final. Mais um livro que ganhou as cinco estrelas no Goodreads.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Regresso À Tua Pele de Luz Gabás

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Regresso À Tua Pele é um romance da autora Luz Gabás, que alcançou o sucesso com Palmeiras na Neve. Este título lançado recentemente em Portugal pela Marcador, foi uma das maiores surpresas de sempre.


Através de uma narrativa rica em descrições e metáforas de cortar a respiração, a autora leva-nos numa viagem onde a emoção é uma constante. 

Regresso À Tua Pele conta-nos a história de Brianda, uma engenheira que vive em Madrid com Esteban, o seu companheiro. Quando ataques de ansiedade e pesadelos terriveis assaltam a sua vida até então pacata, Brianda retorna a Tiles, a terra da sua família, e recolhe-se na Casa Anels, junto da tia Isolina e do tio Colau. É neste retorno às origens, que conhece Corso, um italiano de expressão dura que se encontra a reconstruir a Casa de Lubich, que herdou da família.

O coração acelera-se e uma sensação inexplicável assoma-lhe à alma, como se reconhecesse aquela figura de outras vidas. 

Ao descobrir nos arquivos da aldeia, uma mulher com o seu nome, enforcada há vários séculos por acusações de bruxaria, tudo aquilo que dava como certo, transforma-se e adensa o seu desejo de saber o que realmente aconteceu.

Brianda está, por fim, perto do homem que ama e do lugar aonde pertence.

A narrativa é alternada entre o passado e o presente, e se no passado, o mundo facilmente se deixava dominar pelas falsas crenças, no presente, o ceticismo é a única crença possível. 

Luz Gabás mistura a realidade de há muitos séculos com histórias que desde sempre preencheram as mentes humanas, e presenteia-nos com um romance único e belo, cuja leitura nos faz viajar no próprio tempo e desafiar a incredulidade e os ideias tão enraizados em nós.

Uma leitura marcante e apaixonante, que valeu as cinco estrelas no Goodreads.