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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Paula Laranjo

Paula, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Obrigada desde já pela oportunidade. O meu início na escrita, deu-se na adolescência, pois eu sempre gostei muito de ler e escrever. A escrita tem-me acompanhado ao longo da minha vida.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
A escrita para mim é uma forma de perpetuar um sentimento. É sem dúvida um prazer que tenho e que me permite desabafar emoções que estão guardadas.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita sempre me “ensinou” a estar mais atenta a tudo o que me rodeia e faz parte do quotidiano. Permitiu-me ter mais sensibilidade perante as situações e apreciar as coisas e os momentos da vida.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Tenho aprendido a estar atenta, a apreciar os valores da vida e a valorizar os sentimentos mais profundos.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
A escrita para mim tem sido uma forma de perpetuar sentimentos que sinto em relação a outros, ou em relação a situações que vou analisando na sociedade. Sem dúvida que tem sido uma necessidade aliada a um prazer.

Licenciaste-te em Engenharia Agronómica e exerces atividade dentro da área. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?
O contacto com a natureza, o conhecer realidades muito díspares em termos sociais, o saber apreciar as coisas belas que a natureza nos dá, têm sido um enriquecimento muito forte na minha formação enquanto ser humano. Todas estas envolvências têm contribuído para as particularidades da minha escrita.

Publicaste o teu primeiro livro em 2014, Reflexos, que inclusive dá o nome à tua página de Facebook. Podes falar-nos um pouco sobre essa experiência?
O meu primeiro livro “Reflexos”, foi um sonho tornado realidade! Tinha este objetivo em mente e consegui concretizar! O nome reflete as emoções e a forma que eu tenho de olhar para os sentimentos. Por esse motivo, criei uma página no facebook, que se chama Reflexos Poéticos, para eu puder dar a conhecer aos leitores, a minha caminhada poética ao longo desta experiência literária.

Entretanto seguiu-se, Essência da Alma, em 2015, também uma obra de poesia. O que te inspira a escrever neste género literário?
Neste género literário, eu consigo dançar com as palavras e torná-las doces. Gosto de me deixar envolver com os sentimentos. Gosto de apreciar, gosto de observar, gosto de sentir e depois escrever. Gosto de deixar reflexões e gosto de espalhar o amor!


No próximo mês será lançado o teu mais recente livro de poesia, Entrelinhas. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
Este meu novo trabalho, que será apresentado a 14 de Dezembro às 16h30 no Palácio de Estoi, chama-se “Entrelinhas”. No seguimento dos livros anteriores, incide nos sentimentos que eu gosto de escrever, ou seja, amor, amizade, saudade, questões sociais, persistência, perdas. Este meu novo livro, vai ter uma apresentação diferente, pois vai conciliar a poesia com a fotografia/pintura/desenho. Vou fazer a ligação da imagem com a escrita!

Como achas que será a reação dos teus leitores face a este novo trabalho?
Eu espero sinceramente que os meus leitores apreciem este meu novo trabalho e que de alguma forma os toque! 
Já participaste em antologias poéticas e encontros de poetas. Como correram essas experiências?
Já participei em diversas antologias poéticas, com diferentes temas e têm corrido muito bem. Tenho conhecido nestes encontros pessoas muito interessantes e criativas que me têm inspirado neste meu percurso. 

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O livro que me marcou desde sempre foi “ O Velho e o Mar” do Ernest Hemingway!

Se tivesses de escrever num género diferente do teu registo atual, a qual desafio te proporias?
O desafio que me propunha seria um romance com uma bela história de amor.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Continuar a escrever, a deixar uma marca e continuar a transmitir sensações boas e positivas. Trazer leveza às palavras e tocar as pessoas com emoções.

Descreve-te numa palavra:
Serenidade.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Fernando dos Santos

Fernando, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita? 
É um gosto estar neste espaço e conversar um pouco sobre esta aventura. Quando era adolescente e já no início da minha atividade profissional tive a sorte de frequentar a casa de um grande escritor português, infelizmente já falecido, e que muita falta faz à cultura portuguesa, o Rui de Brito, que fazia o favor de ser meu amigo. Nessa altura de transição da sociedade portuguesa, os jantares e os fins de semana eram passados em tertúlias de escritores, onde participavam nomes como Vasco de Lima Couto, Alexandre O´Neill, José Ramoa, e tantos outros. Sempre pensei que aquelas pessoas tinham o dom especial de criar sonhos, ficções, despertar sentimentos … sempre ambicionei ser como eles (não me quero sequer comparar com o nível de excelência que atingiram) … Um dia queria ser também escritor. Entretanto surgiu a minha vida profissional muito absorvente, como médico, e esta compulsão ficou apenas latente, até que depois de ganhar mais tempo para mim, despertou e de que maneira … sou um compulsivo da escrita. Costumo dizer que “engravido dos meus livros”. As ideias surgem, passam um período de gestação, e têm partos rápidos, umas vezes mais dolorosos que outros. Posso explicar mais adiante.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
O sentimento fundamental é o de realização pessoal. É um processo de relativa ansiedade, quando descobres que os teus personagens ganham vida própria, e algumas vezes são rebeldes. Acaba por ser um processo muito místico … não é raro reler o que acabo de escrever e não perceber bem como escrevi aquelas letras e aqueles desenvolvimentos da história. Escrevo diretamente para o computador, quando escrevo … alguns dias ele olha para mim, eu para ele, e não sai nada … outros são 10 horas de escrita.  

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Tenho 63 anos. Comecei tarde na escrita, embora tenha publicado anteriormente contos em coletâneas, nomeadamente Monami resultado da minha atividade como voluntário da Assistência Médica Internacional. A escrita estava há muito latente … a Medicina molda mais as pessoas que a vivem intensamente. A escrita acaba por ser o reflexo do somatório de muitas … imensas e enormes experiências. Respondendo concretamente à pergunta, em acho que eu moldei a escrita. 

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Saindo deste contexto minimalista e muito pessoal, o que tenho aprendido como escritor é que isto está difícil. Mergulhei num meio que me está a dar muitas alegrias e também muitas desilusões. O panorama atual da Cultura portuguesa é mau. As dificuldades são enormes. A submissão a interesses económicos impera. Não é o meu caso, porque ganhar dinheiro com a escrita nunca foi um objetivo. Os direitos de autor da 1ª edição de “Rua dos Remédios” foram doados ao Centro Cultural Dr. Magalhães Lima em Alfama (onde decorre o enredo do livro) e os de “Carlota e os dragões de Madrid” estão reservados para um departamento pediátrico de um hospital de Lisboa. Sempre que leio Jorge de Sena mais acho genial o termo literocambada que usa no poema “Provavelmente”. Concordo em absoluto . Existem muitos lobbies e muitas forças de pressão. Irritam-me os livros de auto-ajuda e de coachers … Não me interessa nada saber as opiniões mastigadas de algumas figuras públicas … mas é o que se vende. Se calhar escolhi mal os títulos das minhas primeiras obras. Em vez de “Rua dos Remédios” devia ter escolhido “A vida sexual em Alfama nos anos 40” .
Mas tenho encontrado neste meio pessoas de uma dimensão fantástica … Adelina Barradas, Maria João Fialho Gouveia, e tantos outros. Um dos pontos mais altos desta vertente de escritor vivi na Festa do Livro do Palácio de Belém deste ano. Bom ambiente em prol da Cultura. Está de parabéns a organização.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Nenhuma destas. Acaso não é, passatempo também não … passatempo tira a seriedade da coisa … necessidade talvez a que melhor define … necessidade de partilhar … necessidade de contribuir.

Iniciaste-te na publicação em maio do presente ano com o romance,  Rua dos Remédios. Podes falar-nos um pouco sobre esse livro?
Tenho de confessar já que sou um “autor malandro” e não posso contar tudo sobre um romance de ficção histórica que tem de ser lido sequencialmente da primeira palavra à última. Saltar capítulos ou começar pelo fim é batota. Rua dos Remédios é a primeira ucronia escrita em Portugal, e como ucronia que é não deve ser recomendada como bibliografia sobre a 2ª Guerra Mundial … se o recomendarem a um estudante para um trabalho na escola é chumbo garantido. Não resisto a contar a história de um colega meu, que abriu o livro a meio, fez um ar de espanto e disse-me “não sabia que esta personagem histórica tinha sido assassinada na Praça do Comércio”. Eu aviso na nota introdutória.
O que te inspirou a escrever uma história cuja ação decorre em Portugal na época da 2ª Guerra Mundial?
A 2ª Guerra Mundial e a Guerra Civil de Espanha foram dois factos que marcaram muito a História da Humanidade, e os seus reflexos ainda hoje se manifestam. Houve uma altura da 2ª Guerra em que Hitler “embriagado” palas conquistas que o trouxeram até à fronteira franco-espanhola foi aconselhado a conquistar Gibraltar, ponto estratégico da guerra para os britânicos. Para cumprir os objetivos tinha de atravessar território espanhol. Franco que havia feito um pacto Ibérico com Salazar, de defesa da península, não colaborou com Hitler apenas porque foram as desmesuradas regalias que pediu aos alemães em troca de permitir que o exército alemão atravessasse terras de Espanha do norte ao sul. Hitler rejeitou as contrapartidas e decidiu concentrar-se nas conquistas mais a leste. No final da vida confessou que não ter investido sobre Gibraltar foi o seu maior erro. Os historiadores andam há anos à volta deste assunto, mas nunca ninguém se atreveu a pensar “ E se Hitler tomasse Gibraltar … e invadisse Portugal? E foi assim que nasceu a minha necessidade de viajar até esses anos (viagem difícil e quase bipolar quando escrita em 2018/2019) e descrever os possíveis cenários da pequena história .Grande História é o lançamento de uma bomba atómica sobre Hiroshima … pequena história descreve o que passou com aquele chefe de família japonês quando a bomba rebentou.
Este livro foi engravidado no Alentejo, no Monte dos Pensamentos onde fui passar uns dias. Já o bichinho da escrita estava o roer, quando soube que estava alojado na casa onde Ruben A passava férias com Miguel Torga … havia algo que me estava a indicar um caminho, e cheguei a Lisboa compulsivo de escrita.

Carlota e os Dragões de Madrid é, contudo, a tua obra mais recente, lançada em setembro. Podes desvendar-nos um pouco da sua história?
Carlota e os Dragões de Madrid é um livro infantojuvenil. Ou seja, este autor não tem um estilo exclusivo. Mas é o resultado de outra gravidez … esta a bordo de um avião … eu vi de facto imagens que me pareceram dragões … e fiz uma história para crianças … Não há grandes segredos. Os meus livros são meus filhos … gosto igualmente dos dois. Nada a fazer.

O que te motivou a escrever para o público mais jovem?
Curioso que Carlota e os Dragões de Madrid é muito apreciado pelos adultos que o leem … mas é dirigido a crianças. Tem algum misticismo … eu tenho muito de misticismo … mas o que diferencia a nível cerebral o impacto de uma história numa criança ou num adulto?  “As pessoas crescidas nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante, para as crianças, estar sempre a dar explicações” Antoine de Saint- Exupéry – “O Principezinho”. 

Este livro está a ser traduzido para espanhol. Como estás a viver essa experiência?
Com muita curiosidade. Como obra derivada vai ser uma nova edição. A tradução está feita, e vou publicar na Amazon. Vamos ver, mas como a história se passa em Espanha, talvez algum editor espanhol ou da América Latina se interesse. Vamos ver.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Os leitores portugueses estão a aderir bem … gostam da história. Aqueles que sabem que o livro existe. Pode pensar-se que estou a insistir na temática dos dragões, mas eu vi do avião … Existem? Se existirem no livro nada têm a ver com os dragões da moda. Se não existirem … então não há dragões em Madrid, mas há compromisso, solidariedade, respeito pela natureza. Mas existem ou não dragões em Madrid?

Continuas a trabalhar noutras obras? Como é que vives a escrita?
Publicar dois livros no mesmo ano é tarefa dura, e estrategicamente errada. Podem “colidir” um com o outro, e interferirem na sua divulgação. Como têm públicos alvo diferentes conseguiu-se que não houvesse este efeito. Mas o terceiro está na forja. Metade está já escrito, e a gestação em curso normal … mas é outro estilo … este é aquilo que gosto num livro … atual e uma “canelada que vai até ao osso” do establishement. Mais não revelo para já.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Já se pode brincar na relva, de Rui de Brito. Num alfarrabista ainda se consegue adquirir.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Muito trabalho, imaginação e obras com qualidade.

Descreve-te numa palavra:
Tenaz.


domingo, 24 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Helga Lima

Helga, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Antes de mais, agradeço o convite para esta entrevista.  
Comecei a escrever desde que aprendi a escrever corretamente. Por volta dos 7 ou 8 anos, comecei a compor poesia, ainda com um caráter bastante pueril. Apenas escrevia quadras e pouco mais. No entanto, um poema que escrevi, dedicado à minha professora primária, foi exposto na escola, ficando na parede da entrada por vários anos. Na adolescência continuei a escrever, ao ponto de tornar-se uma adição. Escrevia poesia, mas também, a toda a hora, uma espécie de vida paralela à que eu vivia – eram narrativas e diálogos ínfimos, que me fizeram perder a noção da realidade. Na época, durante os anos do liceu, os professores pensavam que eu tirava apontamentos, quando na realidade eu estava a escrever o que eu apelidei de “a minha outra vida”. No fundo era uma vida que eu fantasiava ter. Escrevia em qualquer papel que apanhasse, em cadernos, a ponto de ter junto caixas pesadas, carregadas com a “minha outra vida”. Nunca ninguém viu ou verá esses escritos. Destruí-os, anos mais tarde, já quando eu tinha cerca de 30 anos de idade.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Depende muito do estado de espírito, já que tenho alterações de humor, como muitas pessoas. Mas tenho tendência para escrever nos meus momentos de maior melancolia, tristeza, raiva e desolação. O inconformismo também é um sentimento bem presente na minha escrita, assim como a morte.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Não consigo ter a perceção de mudança em mim, enquanto produtora de escrita, já que escrevo desde que o sei fazer. No imediato, a escrita é, basicamente, terapêutica. É uma necessidade, tal como respirar o é – de isso estou segura.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Enquanto escritora, tenho aprendido que existe um público bastante restrito para o meu tipo de escrita. Não é de fácil compreensão - não porque recorra a vocabulário demasiado erudito, pelo contrário, mas sim porque sinto que o que escrevo é bastante ambíguo.  Enquanto leitora, aprendi muito mais além disso, mas isso já se trata de adquirir conhecimento e viagens mentais que, por vezes, são apenas viagens só de ida. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Como já referi, a escrita é, realmente, uma necessidade. É com as palavras e sons que exorcizo os meus demónios. Para eu ter o mínimo de sanidade mental, sou obrigada a escrever. E como dizia Rainer Maria Rilke, um dos meus poetas de eleição, “Basta sentir que se poderia viver sem escrever, para já não ter o direito de o fazer”.

Estudaste Línguas e Literaturas Europeias. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?Definitivamente, sim. Na Licenciatura de Línguas e Literaturas Europeias, tive acesso a escritores e obras que, provavelmente, nunca iria conhecer se não frequentasse o curso. E, com este, veio a paixão pela linguística, pela fonética, pelas ciências da linguagem – coisa que originou uma outra musicalidade à minha escrita. E claro, estudando aprofundadamente certos autores, fez com que a minha escrita recebesse algumas influências, o que considero normal.

Contudo, a par da escrita também fazes traduções e legendagens, além de outros projetos pessoais de áreas dispares, segundo a tua biografia. Como relacionas estas áreas entre si?
As traduções, as legendagens, a produção de música, as aulas que já dei… – tudo está relacionado com a escrita e com o conhecimento. Neste momento, por exemplo, trabalho com um canal de TV, de desportos radicais. Até isso me pode inspirar para contar uma história, elaborar um poema ou, simplesmente, divagações noturnas, como eu gosto de chamar. Resumindo, todos os meus projetos e trabalhos estão relacionados com a escrita, com a linguagem. Aliás, o ser humano não vive sem a linguagem, seja ela na escrita ou outros códigos de linguagem, como os gestos, o vestir, sinais de trânsito, música… tudo é linguagem!

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Este mês é publicado o teu primeiro livro de poesia com um título bastante sugestivo,
Não Há Luz Neste Quarto. Podes falar-nos um pouco sobre ele?

O “Não há Luz neste Quarto” foi escrito em muitos quartos, onde eu já não via a chamada “luz ao fundo túnel”. É um livro misto, onde se pode encontrar poesias, crónicas e prosa poética. São gritos meus, em busca de respostas que não existirão nunca. São contemplações do mundano, da decadência, dos meus estados de ansiedade e depressão, e da forma como lido com o amor e com a sexualidade. É um livro carregado de sentimentos obscuros, ainda que contenha homenagens, de caráter mais límpido e alegre, aos lugares onde vivi – nomeadamente, em Andaluzia. Irei considerar, sempre, o Sul de Espanha como minha segunda casa. Mas, maioritariamente, é um livro sobre os meus estados mais decadentes, com uma originalidade e musicalidade diferentes do habitual.

O que te motivou a seguir este registo literário?
Este registo literário é parte de mim. Não poderia tê-lo feito de outra forma, pois esta mesma forma é que tomou controlo sobre mim, e não ao contrário. A poesia, seja ela em prosa, em sonetos, em desenhos até, é intrínseca à minha pessoa. Os sons, os fonemas, a estrutura de uma obra literária… tudo isso me atraí e gosto de compor baseada nesses conceitos. É algo incontrolável e autómato. 

Como achas que será a reação dos teus leitores face a este trabalho?
A reação das pessoas, face a esta obra, pode ser uma surpresa ou não. Há pessoas que irão adorar, outras que irão odiar, como com todo o tipo de produção artística. Quando escrevo não o faço para outros, senão para mim mesma. Assim que, esperemos para ver.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa hipótese é quase dolorosa! Consigo desfazer-me de tudo, menos de livros! Mas, a ter que ser, e nesta fase da minha vida, escolheria um clássico – “O Monte dos Vendavais” de Emily Brontë -  por razões pessoais, porque considero ser uma das mais belas histórias da época vitoriana, e por interesse académico na vida das irmãs Brontë.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Gostaria muito de escrever peças de teatro, já que também é um género literário ao qual recorro, muitas vezes, para leitura e deleite. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Os meus leitores poderão esperar muitas mais publicações minhas, enquanto eu puder. Tenho já um conto escrito, ainda em fase de avaliação de uma editora. É um conto realista, que aborda a promiscuidade, a realidade de bastantes mulheres que se escondem na sombra de um ser que não querem ser. O conto tem um fim surpreendente e cáustico. A par disso, tenho também um conto de Natal a ser publicado numa Antologia de Natal, ainda este ano. 

Descreve-te numa palavra:
Sensível. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Layde Valério

Layde, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Desde pequena que tenho o gosto pela leitura. Sempre me fascinou as diversas formas de como as pessoas reagem há vida e, mostram ao mundo aquilo que são quando estão sós. Desde que comecei a rabiscar nunca mais senti solidão. Então descobri que talvez fosse esse o caminho mais prazeroso para ter uma boa passagem pela terra, para um dia mais tarde quando estiver de partida poder dizer: Céus, valeu a pena.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Um sentimento de gratidão de liberdade. Encontro na escrita uma forma de expressar a minha vida interior, uma forma de mostrar ao mundo que dentro de mim existe um cantinho cheio de vida que nunca ninguém conhecerá.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Com a escrita comecei a ver o mundo de uma forma um pouco diferente. Comecei a ver o mundo tal como ele é e, como eu gostava que fosse. Isso faz-me sentir uma pessoa mais otimista e, mais segura, Fico mais próxima da minha verdade.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Aprendi a ser mais observadora, a ver, a ouvir e, a interpretar, as pessoas e as coisas de uma forma mais paciente, é muito gratificante. Acabo por ir buscar a essência de cada um. Afinal caminhamos por os mesmos caminhos, mas que na sua essência nunca se cruzaram. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Diria mais que foi um achado, uma descoberta que, com o tempo se tornou necessidade. Necessidade de ir cada vez mais dentro de mim.

É facto que o romance é o género literário ao qual se dedica. O que a inspira a escrever neste género?
Não escolhi género, apenas escrevo pedaços de vidas que se cruzam no meu caminho. Todos os meus romances são baseados em factos de vidas reais.

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Rosas Amarelas
, Moça do Violino, A Mansão do Lago e O Reencontro são algumas das obras que já publicaste. Podes falar-nos um pouco sobre estas experiências?
Roas amarelas é o meu primeiro livro. Nunca imaginei publicar. Precisei de muita persistência por parte de familiares e amigos. É um livro sobre a amizade, o amor e, de como a família é importante na nossa vida.
A Moça do Violino: É uma homenagem ao meu pai. Um pai desesperado que procura a filha e um certo dia encontra-a na rua a tocar violino. Só a reconheceu por esse violino ser da sua família. 
A Mansão do lago: Uma menina que vai parar a um colégio depois de ter perdido os pais. Anos mais tarde descobre que afinal a sua história não era a que lhe contaram.
O Reencontro: A forma como a violência doméstica destrói os sonhos de uma jovem. Afinal nem tudo se vive na juventude.
Experiências muito enriquecedoras. Descobri a ponta do fio do novelo que me levou até ao mais íntimo de mim.

O Uivo da Loba é, contudo, a obra mais recente, lançada em setembro. Podes desvendar-nos um pouco da sua história?
O Uivo da Loba é uma história de amor e medo. Uma pessoa que tem medo de amar porque já amou muito no passado e, tem medo de voltar a amar porque teme esquecer esse amor. Até que um dia encontra a pessoa certa que o ensina a amar. Que o ensina que amar é sempre no presente. Se amou nunca deixará de amar. E vai ainda mais longe ao ponto de lhe mostrar que o amor está dentro de nós, que só o vemos nos outros porque existe em nós.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Muito boa. É muito gratificante, as pessoas procuram-me e, dizem com satisfação que se encontraram na história.

O que te motivou a escrever este livro?
Conversas do dia a dia. Pessoas que gritam desesperadas com vidas desfeitas que não sabem o que fazer. Pessoas que não aguentam mais os gritos da loba que têm dentro de si.

Continuas a trabalhar noutras obras, como é que vives a escrita?
Sim, continuo a escrever. Vivo a escrita como parte de mim.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Prefiro pedir que não me roubem esse privilégio, adoro ler. 
Só o amor é real, de Brian Weiss.

Se tivesses de escrever num género diferente do teu registo atual, a qual desafio te proporias?
Histórias infantis.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Continuar a deliciar-se a ler os meus novos romances. Pois continuo a escrever.

Descreve-te numa palavra: 
Sincera 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Lizia Azevedo

Lizia, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: 
Como é que te iniciaste na escrita?
A escrita entrou na minha vida inesperadamente. Meu primeiro livro foi O Poder de Domar do Grande, onde conto como fui aceita como discípula de Paulo Coelho. Ele me ensinava através de tarefas que deveriam ser cumpridas num tempo determinado, assim eram os conceitos da ordem de RAM. Todas as provas foram bem desafiadoras, exigindo de mim coragem e uma dose extra de fé. Uma delas foi fazer a peregrinação ao caminho de Santiago de Compostela. E a última tarefa, dentro daquele primeiro estágio de ensinamento, foi escrever um livro sobre minha experiência e vivência no caminho da magia e o quanto isso mudou a minha vida. A ideia era estimular e apoiar as pessoas, especialmente mulheres donas de casa e mães assim como eu, a seguirem um caminho não ortodoxo e desconhecido. A terem coragem de seguir seus sonhos!

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
A princípio me dá um pouco de angústia ao ver a página em branco. Mas depois da primeira frase, as palavras vão se formando como desenhos na minha mente, e uma sensação de plenitude me toma quando o processo criativo começa a acontecer. 

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A minha vida!!! Minha maneira de olhar as coisas do mundo e as coisas que se passam dentro de mim. Todos os fatos que acontecem comigo, em minha mente viram uma página do livro da minha vida. É fascinante o universo da criação! É transformador ser observadora de si mesma e de tudo que ocorre ao redor. É a vida na quinta dimensão de consciência!

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
A viver intensamente meu propósito de vida.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Um bem-vindo acaso, um presente de Deus! Para me tornar uma pessoa melhor.

O Caminho dos Dons é o teu terceiro livro, surgiu depois da peregrinação a Santiago de Compostela. O que te levou a escrever essa obra?
O Caminho dos Dons foi meu terceiro livro. Nele narro minha segunda grande peregrinação a Lourdes, no sul da França, onde fui em busca dos dons!

Seguiu-se um livro infantojuvenil. Como correu essa experiência?
Esse caminho me levou a conhecer um homem que fora contatado pelos nossos irmãos de outra dimensão. A partir desse contato, ele passou a ter poderes sobrenaturais. Nesse tempo que convivi com ele,  a história do livro veio pronta á minha mente. Depois, foi só colocar no papel. 

COMPRAR
Em julho reeditaste o primeiro, O Poder de Domar do Grande. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Ele foi editado no Brasil há tempos atrás e agora reeditado pela Chiado Books. O livro narra todos os ensinamentos que recebi de Paulo Coelho. Meu ritual de iniciação, e minha peregrinação ao caminho de Santiago,  que transformou toda a minha vida!

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O livro é muito procurado por pessoas que tem essa mesma busca espiritual. Recebi muitas cartas pedindo aconselhamento e entrevistas para participar da ordem de RAM. Assim como também, muitas cartas de agradecimento e me parabenizando minha coragem e ousadia. 

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Além da Bíblia, o diário de um mago, que mudou minha vida!

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Um livro mais técnico de auto-ajuda, explicando o poder dos arquétipos e de magia quântica, direcionado ao despertar da consciência feminina. Para curar as feridas que o machismo nos causou.  

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
O Poder de Domar do Grande foi editado em portugal, por conta de vários pedidos de leitores portugueses. Vi nisso um sinal de que era preciso retornar à antiga tarefa. Como sou obediente a uma vontade maior, assim o fiz. 
Mencionei antes que recebo muitos pedidos de orientação de leitores que estão buscando a espiritualidade. Aviso que estarei disponibilizando meu tempo para todos que, após lerem o livro, sentirem em seus corações uma ressonância com minha energia e com esse caminho. Peço que entrem em contato pelos endereços que estão no livro.  

Descreve-te em uma palavra:  
Fé!

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Vinny Ferreira

Vinny, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: 
Como é que te iniciaste na escrita?
Bom, por conta de eu ter nascido com uma deficiência física (Paralisia Cerebral), minha infância e juventude não foi “normal”. Enquanto meus amigos brincavam, corriam e faziam coisas de criança, eu desde muito cedo, iniciei pelo caminho da leitura, que foi primordial para que me enveredasse posteriormente para a escrita. Desde pequeno escrevia cartinhas aos parentes, em datas comemorativas, algumas pequenas histórias que até participavam de concursos no colégio. E assim peguei gosto de escrever, como distração.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Um sentimento libertador. A escrita me permite que eu me faça ser ouvido. Como sou um tanto tímido para me expressar falando, encontrei na escrita uma forma segura e sólida para passar minha mensagem. Seja do que penso, ou do que sinto. Além disso, posso ser quem eu quiser ser, enquanto escrevo. Então, em uma palavra, gosto de dizer que a LIBERDADE me domina enquanto escrevo.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Bom, a escrita tem me trazido segurança, confiança e otimismo. Com ela tenho visto dia após dia, que posso alcançar qualquer objetivo que eu venha a traçar para mim. E mais, tem me permitido falar para conhecidos e anônimos, sobre como eu vejo o mundo, como me enxergo como pessoa. Em suma, a escrita me trouxe e trás esperança em conquistar meu espaço no meio em que vivo e além. 

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Como escritor tenho aprendido diariamente. É um universo muito novo para mim, já que minha primeira obra é recente. Como dito anteriormente, cresci lendo, escrevendo... admirando grandes nomes da literatura nacional como Monteiro Lobato, Machado de Assis, Pedro Bandeira, entre outros; além de internacionais, sendo o meu preferido Ken Follett. Sempre tive o papel de ir na livraria, comprar o livro, abrir e mergulhar no universo da história. Agora como escritor, tenho enveredado por decisões que jamais imaginaria um dia estar tomando. Opiniões sobre edição, divulgação de eventos, entrevistas (risos) entre outras. É um aprendizado diário e constante de tudo que se é necessário para “dar vida a um livro”. Tenho gostado muito

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Não acredito em acaso, posso dizer então que foi um hobby que passou a ser necessidade. Necessidade de deixar minha marca, entre as pessoas que me cercam e quem sabe ao mundo. 
Licenciaste-te em História. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?
Certamente. Não só por se tratar de um curso que exige muita leitura e escrita na realização de trabalhos e provas, mas principalmente na questão de incentivar-me a escrever. Afinal, a própria história em si nasceu quando Heródoto decidiu documentar os fatos que julgava importante, da sua nação, do seu tempo. E é o que decidi fazer. Registar “meu eu” no papel.  

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Este mês publicas a tua primeira obra,
Versos ao Amanhecer. Podes falar-nos um pouco sobre este trabalho?
O “Versos ao Amanhecer” está intrinsecamente ligado a minha vida, a minha superação diária. Quando nasceu a ideia, eu tinha comigo que ninguém levaria a sério, que seria mais uma das tantas coisas que escrevi que ficariam engavetadas. Mas, como diz parte do nome da obra, foi o amanhecer, e o amanhecer sempre está ligado a um dia novo, uma nova chance de recomeçar e buscar o seu objetivo. A obra em essência é isso. São sentimentos que carrego comigo, ao nascer de um dia, pensamentos que me vem, sobre a vida, sobre pessoas, lugares que de alguma forma me marcaram positivamente ou negativamente. E isso se aplica a uma forma genérica a praticamente qualquer um que venha a ler, afinal, o nascer do dia sempre nos trás muitas reflexões, sensações...

Como nasceu a ideia para este livro?
É até engraçado a forma que nasceu. Escrevi um poema para uma garota, onde a descrevia, a forma que a via, que a sentia. Ela por sua vez gostou bastante e me lançou um desafio de escrever mais poemas, com variados assuntos. Foi o empurrão que eu precisava. A partir daí dediquei-me a escrever, sempre num tom reflexivo sobre sentimentos, sensações, a forma que enxergo a vida. Quando me dei conta tinha mais de vinte poemas prontos, e que tinham qualidade digna de serem publicados. Nasceu num primeiro momento no “susto”; mas rapidamente ganhou força a ideia. E cá estamos com o livro idealizado e publicado.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este projeto?
Pouca gente teve acesso a obra completa ainda. Apresentei alguns dos poemas para amigos e familiares próximos. A maioria foi bem receptiva e de forma até surpresa com essa minha habilidade. Tenho tido muito feedback positivo e já estímulos para novas obras. E claro que sempre há as críticas construtivas também. Preciso delas para melhorar continuamente.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Pergunta dificílima para um devorador de livros (risos)... Mas creio que Pilares da Terra de Ken Follett seria o privilegiado. 

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Talvez ao género ficção, já que é o que mais gosto de ler, e tenho mais contacto. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Certamente podem e devem esperar muitas, muitas poesias mais, além de possivelmente um desafio diferente num novo género literário. Gosto de me desafiar e desbravar oportunidades em algo que eu domine. No caso a escrita. E podem esperar também uma constante evolução no que escrevo. Como todo artista, nunca estamos satisfeitos com a obra. Quando isso ocorre, você perdeu o foco. 

Descreve-te numa palavra: SUPERAÇÃO

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Ramalho

Ramalho, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Desde muito cedo, quando ingressei nos primeiros anos escolares, que passei a ter contatos com cadernos, lápis e livros, e descobri que a leitura tem a capacidade de nos transportar para outro mundo, passei também a querer recriar o meu mundo através da escrita. Certo é que não tinha ainda a concepção de recriação de mundo, mas, sim, uma vontade de rabiscar palavras nas linhas de meu caderno para formar frases que falassem das pessoas que me eram próximas (mãe, irmãs e irmão, tios e tias e amigos e amigas). Éramos de família pobre, com poucos recursos, mas sempre conseguimos comprar alguns gibis – A turma da Mônica, O Tio Patinhas e outros – que depois de lidos eram trocados com colegas da escola. Mais tarde, por influência de um tio marteno que até hoje é colecionador, passei a ler as sagas de Tex Willer e de Zagor, histórias em quadrinhos na forma de gibi de origem italiana, mas que retratam o faroeste amaricano. Depois, já na adolescência, passei a ler histórias como Sabrina, Bianca, Romance com coração e outras que minha irmã mais velha lia. Na escola passei a ter contato com os poemas de Cecília Meireles e de Carlos Drummond de Andrade. Também tive contato, através da escola, com a série Vagalume, uma coleção de livros infanto-juvenis de diversos autores, que retratavam avanturas variadas. Foi nesse contexto que peguei o gosto pela escrita. Foi a partir daí que comecei a me apaixonar pelos versos e pelos poemas. De certo que, por volta dos meus oito anos foi que comecei a rabiscar meus primeiros acrósticos, mesmo sem saber o que era realmente um acróstico; apenas rabiscava o nome de minha mãe ou de alguma pessoa que me era próxima numa folha de papel, de forma vertical, e ficava tentando encontrar palavras com aquelas letras para formar meus versos. Que pena que aqueles poemas simples não resistiram ao tempo, se perderam nos anos de minha vida. Como aconteceram com outros poemas, compostos bem mais tarde, de forma bem mais elaborada, mas que também não resistiram aos anos que foram passando, perdendo-se pelos caminhos de minha vida.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando estou a escrever penso numa forma de tornar meu escrito em algo que seja capaz de ser lido pelas pessoas; mas, muito mais do que uma simples leitura, desejo que aquilo que estou produzindo possa impactar as pessoas que lerem. Escrever poema é trabalhar a poesia que existe em nossa volta. Para tanto, exige-se de quem se dispõe a tal ofício muita percepção. Observação, percepção, moderação e equilíbrio mental são qualidades que precisam estar atreladas ao sentimento do poeta na hora que ele está escrevendo. Assim, o sentimento que me domina quando escrevo é a calma, a tranquilidade, a paciência. Na verdade, sou calmo por natureza; e procuro agir dessa forma quando estou a escrever.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Sou um apaixonado pela leitura. Sempre estou lendo sobre diversos temas e muitos autores. E sempre procurei incentivar as pessoas que me cercam para o gosto pela leitura. Acredito que este hábito tem transformado a minha vida. A leitura tem feito que eu me torne uma pessoa melhor. E, através da leitura, também passei a escrever melhor, com mais qualidade. Mas, escrevendo é possível fazer uma reflexão da vida. Na minha forma de olhar o ato de escrever, penso que quando colocamos sentimentos no papel – seja através de um diário, de um poema ou de um texto em prosa – estamos nos expondo para determinado público, mas também para nós mesmos. E essa reflexão faz que nos tornemos seres melhores. Eu aprendo também relendo os meus escritos.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
A vida é um aprendizado diário. Estamos sempre aprendendo com os outros, e nos aprendendo, nos renovando. Partindo desse ponto de vista e comparando o que eu escrevia no passado com o que escrevo agora, verifico que passei por um processo de evolução. Ainda tenho muito a melhorar, mas estou bem melhor que antes. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Escrevo por necessidade. Muitas vezes já pensei em desistir de escrever, mas logo vem aquele desejo impulsivo que faz com que eu volte a escrever. Não é a necessidade de estar todo dia a escrever e depender da escrita para a minha sobrevivência; isso, não. Olhando por esse foco, a escrita em minha vida passa a ser um passatempo. Sim, escrevo com objetivo principal de agradar a mim mesmo, aos familiares e aos amigos e amigas; escrevendo sempre as horas vagas, sem aquele compromisso de ter que aprontar este ou aquele texto para ser avaliado.

Ainda jovem ingressaste na Polícia Militar. Este trabalho teve algum impacto na tua escrita?
Acredito que estamos sempre em formação, nos transformando por meio das pessoas que passam em nossas vidas. E nos vinte e cinco anos que trabalhei na Polícia Militar do Paraná tive o privilégio de conviver com muitas pessoas dentro e fora da caserna; muitas amizades que são conservadas até hoje. A Polícia Militar me deu a oportunidade de conhecer boa parte do território do Estado do Paraná. Tudo isso, mesmo que de forma imperceptível, ajudou na formação da pessoa que sou agora. Com isso, ajudou também na minha escrita, na minha forma de pensar, na minha maneira de olhar para o horizonte. Escrevi poucos textos relacionando a minha vida com a Polícia Militar; apenas dois poemas póstumos: o primeiro com o título de “ROGO”, escrito em 1995, que fala da morte em serviço de um amigo policial, este poema sendo publicado no livro “SONHOS E INSPIRAÇÕES DE UM POETA”, e o segundo, com o título de “O NOSSO DEVER”, também falando da morte de um amigo policial que faleceu em serviço, escrito em 2011. Este segundo é um acróstico. Tanto o primeiro como o segundo foram escritos no dia exato do falecimento dos policiais e foram distribuídos, em cópia, para as pessoas que participaram das cerimônias fúnebres.
COMPRAR

Publicaste o teu primeiro livro em 1995. Podes falar-nos um pouco sobre essa experiência?
Em 1995, trabalhava na capital do Estado do Paraná, Curitiba, e quando estava de folga, por gostar de arte, andava pela Boca Maldita a apreciar os quadros que pintores diversos ali iam para expor. (A Boca Maldita é um local na capital paranaense onde todo tipo de artista, artesãos de um modo geral, expõe seus trabalhos). Ali fiz amizade com um dos pintores, CARLOS ALFREDO BRITO, com o qual conversamos muito sobre poesia e tive a oportunidade de lhe apresentar alguns dos meus textos. Ele se interessou muito pelos meus poemas e se encarregou de organizar os poemas para o livro. Foi ele também o responsável pela ilustração. O livro foi publicado pela gráfica Quetão de Opinião, órgão que fazia parte do movimento artístico chamado Beco da Arte. Na época, escrevia sem pretensão alguma de publicar algo, mas foi uma experiência inusitada. Ver alguém folheando o seu trabalho reunido em um livro é algo de uma emoção sem conta. Na época, o Carlos organizou também uma noite de autógrafo que foi muito emocionante. 

Este mês publicas a tua terceira obra, A musa pede um soneto. O que te levou a esta nova publicação?
Então, depois da primeira publicação, voltei a trabalhar na cidade de Foz do Iguaçu. Em Foz, mantive contato com escritores locais e criamos um movimento literário na cidade – criamos a UNIÃO DOS POETAS E ESCRITORES DE FOZ DO IGUAÇU, UPEFI – Dentro desse movimento fizemos várias publicações, dentre elas, o livreto NÃO TE ESQUECEREI, de minha autoria. Isso, no ano de 1997. Em 1999, o movimento literário se desfez, e os participantes se dispersaram. Continuei a escrever; porém, sem pretensões de publicação. Mas, à medida que você vai mostrando aos familiares, amigos e amigas os seus textos, cresce o clamor para que saia uma nova publicação. Partindo desse ponto, em 2015, aproveitando o incentivo da Fundação Cultural da cidade de Foz do Iguaçu, cheguei a organizar um grupo de poemas para formar um livro que teria o título de INSTANTES SEM FIM. Nesse livreto teria sonetos, trovas, acrósticos, poemas de formas livres e um poemeto. Durante o processo para a publicação desisti de realizá-la por uma questão pessoal e de foro intimo. Enfim, chegamos à publicação dos sonetos. Sou um apaixonado por soneto. Sou apreciador da obra de Florbela Espanca – inclusive faço uma brincadeira, neste meu livro, com um de seus sonetos –, da obra de Camões, da obra de Bocage, dos brasileiros Cruz e Sousa, Bilac, Vinícius. E tento, dia após dia, a aprender escrever soneto. Com isso, pela insistência, resolvi reunir alguns dos meus sonetos para transformar em realidade o caderno A MUSA PEDE UM SONETO.

Como nasceu a ideia para este livro?
Na verdade, quis reunir alguns de meus sonetos. Como o próprio subtítulo diz: SONETOS QUE NASCERAM COM O TEMPO, eles não nasceram em um mesmo contexto, nem na mesma época. Dentro dos 85 poemas que compõem o livro, alguns foram compostos a mais de vinte anos; outros, agora recentemente. Eles foram nascendo aos poucos. O título surgiu da ideia de que o construir soneto nos remete para a poesia tradicional, a poesia inspirada pelas Musas; aquela poesia que nos remete ao passado.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
As amigas e amigos, bem como os familiares, estão bastante ansiosos para ter nas mãos o livro em si. Muitas dessas pessoas já leram a maioria dos poemas. De minha parte vou organizar, juntamente com a equipe da CHIADO BOOKS, o lançamento do livro aqui na cidade de Foz do Iguaçu, no restaurante de uma amiga, que provavelmente acontecerá no dia 7 de dezembro deste ano. Quanto ao público externo, minha expectativa é a melhor possível. Acredito que vai ter uma boa aceitação, pois são poemas de leitura fácil. São poemas que falam de amor, de beleza, de sentimento.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
A Bíblia. Para além do contexto religioso, a Bíblia é um livro histórico que narra a saga de um povo, contando suas vitórias e suas derrotas. Ela é escrita por vários autores num período de tempo de mais de 1800 anos. É uma mescla de livros poéticos, alegóricos, proféticos e narrativos. Dela é possível tirarmos uma série de ensinamentos.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
A narrativa curta; o conto propriamente dito. Já escrevi alguns, não com a mesma determinação que escrevo poemas. Mas teria coragem de me aventurar por esses caminhos.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Tenho outros poemas a serem publicados. Além de soneto, gosto de escrever trovas, acrósticos e poemas de versos livres. Também, às vezes, me aventuro na escrita de alguns contos. Quem sabe tudo isso pode ser publicado algum dia. Ah, pretendo ainda republicar o livro SONHOS E INSPIRAÇÕES DE UM POETA.

Descreve-te numa palavra:
PACIENCIOSO.


segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Eduardo Figueiredo

Eduardo, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
No decurso da minha atividade profissional, tenho o hábito de criar manuais de procedimentos, com bastante detalhe. Quando comecei a explorar o tema “Euromilhões”, fiz algo semelhante e quando ía para aí na 5ª página, lembrei-me: - “Será que isto pode dar um livro?”. E deu!

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
É uma sensação agradável de sentir a inspiração a fluir e a escrita a dar-lhe sequência.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Diretamente não mudou grande coisa, a não ser a maior facilidade em visualizar, no dia-a-dia, livros potenciais e quando isso acontece crio um diretório novo no meu computador, com algumas anotações. Indiretamente mudou com a criação de uma sociedade de Euromilhões, em simultâneo com o lançamento do livro, cuja gestão me ocupa algum tempo.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Que apesar de não ser impossível, não é fácil viver só da escrita.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso? 
Acabou por ser um acaso, decorrente da facilidade em lidar com números e do gosto pela escrita.

COMPRAR

Formaste-te em Contabilidade e é evidente que esta formação teve impacto na tua escrita, assim surgiu, O que faria se ganhasse o Euromilhões. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Para além dos critérios mencionados ao longo do livro, é um convite às pessoas para criarem critérios nas suas apostas, manterem-se fiéis a esses critérios e esperarem que mais tarde ou mais cedo resultem. Explica alguns fundamentos do Euromilhões e tem uma componente solidária, relacionado com os Sem-abrigo, que me diz muito e espero que um dia venha a ser possível de concretizar. Seria um enorme legado!

Como nasceu a ideia para este livro?
Nasceu quando um dia, como toda a gente a fazer apostas, criei um folha de excel, para anotar os resultados dos últimos sorteios e apercebi-me de algumas curiosidades. Era um ficheiro com os 50 números e com as 12 estrelas, da esquerda para a direita, e os números que tinham saído estavam a amarelo, para terem maior visibilidade.

É, sem dúvida, um livro pioneiro em Portugal. O que te levou a escrever esta obra?
Foi todo o conjunto de circunstâncias já mencionadas, que depois foi sendo complementado com algumas descobertas, que teve aceitação de algumas editoras e veio a concretizar-se no livro, em colaboração com a Emporium Editora.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
As reações que tenho não são muitas, mas são muito positivas e aparentemente sinceras. É mais fácil convencer alguém a entrar para a sociedade do Euromilhões, do que a comprar o livro ou dar uma opinião. Espero que com esta divulgação possa contar com mais reações, incluindo também a da Oficina da Escrita.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
É estranho que eu gosto imenso de escrever, mas leio muito pouco. Apesar de não ser praticante, talvez escolhesse a Bíblia.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias? 
Escrever um género literário diferente é sempre um desafio à inspiração. Já tive uma experiência com um pequeno conto, ainda não editado, em que tive que me esforçar bastante, para tentar corresponder às expetativas. Talvez tentasse literatura infantil, romance ou aventura.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? 
Muita persistência atrás de 5 números e 2 estrelas! E talvez novos livros, daqueles que já anotei, ou outros.

Descreve-te numa palavra: 
Persistência.

domingo, 3 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Sérgio Carvalho


Sérgio, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar:
Como é que te iniciaste na escrita?
Desde muito novo, com 9, 10 anos. Fazia adaptações de letras de canções, produzia alguns versos, sobretudo quadras. Penso que sempre tive propensão para o ritmo e a musicalidade.
Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Há a parte inicial, que é a ideia e a consequente euforia. Depois, enquanto se dá a maturação, há uma espécie de sofrimento até que o texto fique pronto. Quando acho que chegou ao fim, é um sentimento indescritível. Quase sempre, mesmo depois de acabado um texto, continuo a mexer nele até ao ponto em que acho que está no ponto.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Quer a escrita quer a leitura mudam um indivíduo. Abrem as janelas da nossa cabeça, fazem com que entendamos melhor o mundo e as pessoas à nossa volta.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Não me considero um escritor, pois apenas publiquei um livro. O feedback dos outros é muito importante, tanto para mim como para a minha escrita. Em todas as vertentes é importante dar-mo-nos aos outros. É imensamente reconfortante aquilo que vou sentindo, considero um livro, sobretudo quando se trata de um livro, uma dádiva ou uma herança par, os familiares as filhas, os familiares e os amigos.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Os três aspetos. Sempre gostei de uma explicação para as coisas, as atitudes, os factos… A escrita é uma forma de catarse e de tranquilidade. O acaso de encontrar novidades impele-me para a escrita.

És professor de Português e Francês. Este trabalho tem algum impacto na tua escrita?
Sem qualquer dúvida. Trabalho com alunos numa fase muito importante do seu desenvolvimento. Há textos que nasceram em aulas, há toda a magia da escrita recreativa… e há aquele sentimento de ter contribuído para educar o gosto e fomentar hábitos de escrita e de leitura.

Escreves, sobretudo, poesia. O que te leva a escolher esse género literário?
Já há muito tempo que não escrevo poesia, é muito raro. Aquelas que agora dei à estampa são maioritariamente textos antigos, que foram sendo aperfeiçoados. Aprecio o género, gosto de pôr as palavras a casar e a dançar umas com as outras até formarem um corpo. Depois há a questão do ritmo, da musicalidade, da síntese.

COMPRAR LIVRO

Publicaste o teu primeiro livro este mês, A Vingança dos Sentidos. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Esta obra é um pequeno livro, que foi sendo adiado. É uma espécie de coletânea, que reúne poemas, pensamentos e contos para todas as idades, um dos quais com relativa literariedade, “A vingança do guarda-chuva”. É uma seleção entre muitos outros textos dos mesmos géneros. A ideia partiu de amigos, que conheciam alguma da minha escrita, os quais me “obrigaram” a pôr as coisas em papel.
Como nasceu a ideia para este livro?

Além do que está veiculado na questão anterior, sempre tive o sonho de publicar um livro.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O lançamento ainda é recente, mas a reação tem sido muito positiva. Muito mesmo.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Há vários. Como tenho de dizer apenas um, escolheria “O amor nos tempos de cólera”, de Gabriel García Márquez.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
A uma narrativa de ficção.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Um livro de ficção. Com histórias cruzadas de pessoas e do íntimo das mesmas.

Descreve-te numa palavra:
Realizado.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Alper Tadeu


Alper, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita? 
Desde os tempos imemoriais. Na escola os meus cadernos sempre eram preenchidos por desenhos e divagações. Era uma forma de escapar do cenário de opressão por conta da obrigação por resultados, sobretudo em matérias como matemática e física. Então, segui o fluxo, deixei as ilustrações de lado, e me tornei Advogado.   

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
É como uma erupção, em que as palavras, tal qual a lava incandescente, jorram. Com certeza a fluidez é reflexo da minha atividade profissional em que a pressão é o verdadeiro estimulante para a criação. É um processo muitas vezes de retórica.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? 
Escrever e ler são os dois lados da mesma moeda. Na medida em que escrevo, estou lendo, buscando referências, trazendo à tona o que está disperso, para consolidar o meu eu. Dessa forma, me tornei mais humano, receptivo às diferenças. O diálogo com os livros e comigo mesmo é transformador.

E enquanto escritor, o que tens aprendido? 
A conviver mais comigo mesmo, buscando o entendimento, entre desvarios, incertezas e reflexões sobre o inevitável.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso? 
Não existe o acaso, como também creio eu que o passatempo é na verdade necessidade, mesmo como uma válvula de escape. A escrita foi imposta por mim mesmo, o livro já estava escrito internamente, precisava apenas ajustá-lo ao plano consciente.

És advogado. A área a que te dedicas tem algum impacto na tua escrita? 
Totalmente! Nesses 25 anos de atividade profissional enxerguei a sombra daqueles que se apresentavam como verdadeiros bastiões da moralidade e honestidade. O adágio “O mundo quer ser enganado, então que enganemos o mundo” está mais vivo do que nunca.

COMPRAR LIVRO

Este mês publicaste o teu primeiro livro, Marte morreu porque os marcianos quiseram. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra? 
A obra retrata a escalada ao topo da pirâmide social de um advogado, que desavisado, na medida em que obtém ascensão, confere que o mundo é permeado de luzes e sombras e que as armadilhas plantadas ao longo da jornada são projetadas por si próprio.   

Como nasceu a ideia para este livro? 
Pode parecer falsa modéstia o que vou dizer, mas no início desse ano, em razão de uma série de situações profissionais que vivi, extremamente turbulentas, cheguei um dia em meu escritório pela manhã, liguei o computador decidido a escrever um livro, sem método, sem critério determinado. Então, em um mês completei a jornada do herói. 

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho? 
O livro embora esteja disponível no site da Chiado Books ainda não foi lançado com publicidade e divulgação específica. Espero que a mensagem perdida dentro da garrafa faça algum sentido a algum náufrago que vaga por essas plagas.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Cem Anos de Solidão.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias? 
Uma ficção fantástica, cujo universo seja habitado por antípodas que sabem da nossa existência e são desejosos em nos sabotar, por entenderem que precisamos de desafios antes de morrermos e passarmos para o próximo estágio.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? 
A transformação de loucuras em palavras, ou talvez o contrário. O futuro está em eterna construção e até lá muita água rolará escada abaixo!

Descreve-te numa palavra: 
Sonhador