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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Fernando dos Santos

Fernando, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita? 
É um gosto estar neste espaço e conversar um pouco sobre esta aventura. Quando era adolescente e já no início da minha atividade profissional tive a sorte de frequentar a casa de um grande escritor português, infelizmente já falecido, e que muita falta faz à cultura portuguesa, o Rui de Brito, que fazia o favor de ser meu amigo. Nessa altura de transição da sociedade portuguesa, os jantares e os fins de semana eram passados em tertúlias de escritores, onde participavam nomes como Vasco de Lima Couto, Alexandre O´Neill, José Ramoa, e tantos outros. Sempre pensei que aquelas pessoas tinham o dom especial de criar sonhos, ficções, despertar sentimentos … sempre ambicionei ser como eles (não me quero sequer comparar com o nível de excelência que atingiram) … Um dia queria ser também escritor. Entretanto surgiu a minha vida profissional muito absorvente, como médico, e esta compulsão ficou apenas latente, até que depois de ganhar mais tempo para mim, despertou e de que maneira … sou um compulsivo da escrita. Costumo dizer que “engravido dos meus livros”. As ideias surgem, passam um período de gestação, e têm partos rápidos, umas vezes mais dolorosos que outros. Posso explicar mais adiante.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
O sentimento fundamental é o de realização pessoal. É um processo de relativa ansiedade, quando descobres que os teus personagens ganham vida própria, e algumas vezes são rebeldes. Acaba por ser um processo muito místico … não é raro reler o que acabo de escrever e não perceber bem como escrevi aquelas letras e aqueles desenvolvimentos da história. Escrevo diretamente para o computador, quando escrevo … alguns dias ele olha para mim, eu para ele, e não sai nada … outros são 10 horas de escrita.  

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Tenho 63 anos. Comecei tarde na escrita, embora tenha publicado anteriormente contos em coletâneas, nomeadamente Monami resultado da minha atividade como voluntário da Assistência Médica Internacional. A escrita estava há muito latente … a Medicina molda mais as pessoas que a vivem intensamente. A escrita acaba por ser o reflexo do somatório de muitas … imensas e enormes experiências. Respondendo concretamente à pergunta, em acho que eu moldei a escrita. 

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Saindo deste contexto minimalista e muito pessoal, o que tenho aprendido como escritor é que isto está difícil. Mergulhei num meio que me está a dar muitas alegrias e também muitas desilusões. O panorama atual da Cultura portuguesa é mau. As dificuldades são enormes. A submissão a interesses económicos impera. Não é o meu caso, porque ganhar dinheiro com a escrita nunca foi um objetivo. Os direitos de autor da 1ª edição de “Rua dos Remédios” foram doados ao Centro Cultural Dr. Magalhães Lima em Alfama (onde decorre o enredo do livro) e os de “Carlota e os dragões de Madrid” estão reservados para um departamento pediátrico de um hospital de Lisboa. Sempre que leio Jorge de Sena mais acho genial o termo literocambada que usa no poema “Provavelmente”. Concordo em absoluto . Existem muitos lobbies e muitas forças de pressão. Irritam-me os livros de auto-ajuda e de coachers … Não me interessa nada saber as opiniões mastigadas de algumas figuras públicas … mas é o que se vende. Se calhar escolhi mal os títulos das minhas primeiras obras. Em vez de “Rua dos Remédios” devia ter escolhido “A vida sexual em Alfama nos anos 40” .
Mas tenho encontrado neste meio pessoas de uma dimensão fantástica … Adelina Barradas, Maria João Fialho Gouveia, e tantos outros. Um dos pontos mais altos desta vertente de escritor vivi na Festa do Livro do Palácio de Belém deste ano. Bom ambiente em prol da Cultura. Está de parabéns a organização.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Nenhuma destas. Acaso não é, passatempo também não … passatempo tira a seriedade da coisa … necessidade talvez a que melhor define … necessidade de partilhar … necessidade de contribuir.

Iniciaste-te na publicação em maio do presente ano com o romance,  Rua dos Remédios. Podes falar-nos um pouco sobre esse livro?
Tenho de confessar já que sou um “autor malandro” e não posso contar tudo sobre um romance de ficção histórica que tem de ser lido sequencialmente da primeira palavra à última. Saltar capítulos ou começar pelo fim é batota. Rua dos Remédios é a primeira ucronia escrita em Portugal, e como ucronia que é não deve ser recomendada como bibliografia sobre a 2ª Guerra Mundial … se o recomendarem a um estudante para um trabalho na escola é chumbo garantido. Não resisto a contar a história de um colega meu, que abriu o livro a meio, fez um ar de espanto e disse-me “não sabia que esta personagem histórica tinha sido assassinada na Praça do Comércio”. Eu aviso na nota introdutória.
O que te inspirou a escrever uma história cuja ação decorre em Portugal na época da 2ª Guerra Mundial?
A 2ª Guerra Mundial e a Guerra Civil de Espanha foram dois factos que marcaram muito a História da Humanidade, e os seus reflexos ainda hoje se manifestam. Houve uma altura da 2ª Guerra em que Hitler “embriagado” palas conquistas que o trouxeram até à fronteira franco-espanhola foi aconselhado a conquistar Gibraltar, ponto estratégico da guerra para os britânicos. Para cumprir os objetivos tinha de atravessar território espanhol. Franco que havia feito um pacto Ibérico com Salazar, de defesa da península, não colaborou com Hitler apenas porque foram as desmesuradas regalias que pediu aos alemães em troca de permitir que o exército alemão atravessasse terras de Espanha do norte ao sul. Hitler rejeitou as contrapartidas e decidiu concentrar-se nas conquistas mais a leste. No final da vida confessou que não ter investido sobre Gibraltar foi o seu maior erro. Os historiadores andam há anos à volta deste assunto, mas nunca ninguém se atreveu a pensar “ E se Hitler tomasse Gibraltar … e invadisse Portugal? E foi assim que nasceu a minha necessidade de viajar até esses anos (viagem difícil e quase bipolar quando escrita em 2018/2019) e descrever os possíveis cenários da pequena história .Grande História é o lançamento de uma bomba atómica sobre Hiroshima … pequena história descreve o que passou com aquele chefe de família japonês quando a bomba rebentou.
Este livro foi engravidado no Alentejo, no Monte dos Pensamentos onde fui passar uns dias. Já o bichinho da escrita estava o roer, quando soube que estava alojado na casa onde Ruben A passava férias com Miguel Torga … havia algo que me estava a indicar um caminho, e cheguei a Lisboa compulsivo de escrita.

Carlota e os Dragões de Madrid é, contudo, a tua obra mais recente, lançada em setembro. Podes desvendar-nos um pouco da sua história?
Carlota e os Dragões de Madrid é um livro infantojuvenil. Ou seja, este autor não tem um estilo exclusivo. Mas é o resultado de outra gravidez … esta a bordo de um avião … eu vi de facto imagens que me pareceram dragões … e fiz uma história para crianças … Não há grandes segredos. Os meus livros são meus filhos … gosto igualmente dos dois. Nada a fazer.

O que te motivou a escrever para o público mais jovem?
Curioso que Carlota e os Dragões de Madrid é muito apreciado pelos adultos que o leem … mas é dirigido a crianças. Tem algum misticismo … eu tenho muito de misticismo … mas o que diferencia a nível cerebral o impacto de uma história numa criança ou num adulto?  “As pessoas crescidas nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante, para as crianças, estar sempre a dar explicações” Antoine de Saint- Exupéry – “O Principezinho”. 

Este livro está a ser traduzido para espanhol. Como estás a viver essa experiência?
Com muita curiosidade. Como obra derivada vai ser uma nova edição. A tradução está feita, e vou publicar na Amazon. Vamos ver, mas como a história se passa em Espanha, talvez algum editor espanhol ou da América Latina se interesse. Vamos ver.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Os leitores portugueses estão a aderir bem … gostam da história. Aqueles que sabem que o livro existe. Pode pensar-se que estou a insistir na temática dos dragões, mas eu vi do avião … Existem? Se existirem no livro nada têm a ver com os dragões da moda. Se não existirem … então não há dragões em Madrid, mas há compromisso, solidariedade, respeito pela natureza. Mas existem ou não dragões em Madrid?

Continuas a trabalhar noutras obras? Como é que vives a escrita?
Publicar dois livros no mesmo ano é tarefa dura, e estrategicamente errada. Podem “colidir” um com o outro, e interferirem na sua divulgação. Como têm públicos alvo diferentes conseguiu-se que não houvesse este efeito. Mas o terceiro está na forja. Metade está já escrito, e a gestação em curso normal … mas é outro estilo … este é aquilo que gosto num livro … atual e uma “canelada que vai até ao osso” do establishement. Mais não revelo para já.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Já se pode brincar na relva, de Rui de Brito. Num alfarrabista ainda se consegue adquirir.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Muito trabalho, imaginação e obras com qualidade.

Descreve-te numa palavra:
Tenaz.


sábado, 29 de junho de 2019

A montanha entre nós, de Charles Martin

A montanha entre nós (COMPRAR AQUI) é um livro de Charles Martin publicado em Portugal pela Porto Editora. Esta obra já foi adaptada ao cinema e conquistou o público, e apesar de bem conseguido, o livro supera a história nos grandes ecrãs.

Nesta narrativa acompanhamos um médico, Ben Payne, que ao regressar de uma conferência vê o seu voo para casa atrasado e acaba por alugar um helicóptero privado com o senhor Grover, afim de chegar mais cedo ao lar e à sua família. Neste voo improvisado segue também a jornalista Ashley, uma convidada de Ben, que o mesmo conhecera apenas há algumas horas no aeroporto.

Enquanto sobrevoam as montanhas, Grover sofre um ataque cardíaco, ainda assim consegue aterrar bem, na medida do que lhe é possível, e apesar de não sobreviver, o seu cuidado garante a sobrevivência de Ben e Ashley. Mas um plano de voo não foi preenchido e no meio dos cumes montanhosos cobertos de neve, não há ninguém que saiba que os dois estão em perigo e totalmente perdidos. Ashley está ferida e não tem como se mover. Ben, apesar de ferido também, está disposto a fazer o necessário para ajudar Ashley. 

Durante um mês, completamente sós, os dois enfrentarão grandes desafios para se manterem vivos. De um puma que os quer devorar, à dificuldade de caçar para arranjarem alimento que os ajude a manter de pé, os perigos e as batalhas a enfrentar são inúmeros. É neste clima de dificuldade que se impõe a esperança, e é a esperança que os mantém vivos, mas também a resiliência e a união. É também no meio deste inferno gelado que sentimentos começam a despontar de ambas as partes, embora Ben se mantenha fiel à sua esposa Rachel, com quem discutira antes de partir, e fiel à sua decisão de ser um cavalheiro e cuidar de Ashley, mantendo-a em segurança e viva. Nada é fácil para estas personagens, mas para o leitor é fácil apaixonar-se por elas.

A narrativa é pejada de emoção, com uma linguagem acessível e descritiva, através do qual o autor nos transporta diretamente para a sua história. O enredo está bem construído e os capítulos não são longos, tornando a leitura extremamente agradável e enriquecedora.

O final é surpreendente, Ben faz uma revelação quer a Ashley quer ao leitor, uma revelação que nos choca e comove.

Esta é uma história de esperança, da esperança nos piores momentos que nos mantém firmes e nos suporta. Esta é uma história que todos deveriam conhecer.

Sobre o autor
Charles Martin licenciou-se em Literatura Inglesa na Florida State University. Tem um mestrado em Jornalismo e um doutoramento em Comunicação pela Regent University. Foi professor no Departamento de Inglês, na Hampton University. Em 1999, dedicou-se exclusivamente à escrita. 
É autor bestseller do New York Times. Água do meu coração é o seu 11.º romance e as suas obras estão traduzidas em 17 línguas. 
Vive com a mulher, Christy, a poucos passos de distância do St. John's River, em Jacksonville, Florida, com seus três filhos: Charlie, John T. e Rives.

Uma leitura:

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Na ponta dos dedos com... Marta Leal


Olá, Marta. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar, “Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida.”, assim o diz a tua biografia. Podes falar-nos de como estas áreas tão díspares se interligam na tua vida?
Olá Letícia, para mim estas áreas não são assim tão díspares. Para mim complementam-se na medida em que todas elas me permitem fazer o que mais gosto que é motivar e inspirar.

Se, no entanto, precisasses de optar apenas por uma destas áreas, qual seria a eleita?
Sem dúvida a escrita. É nas letras que me alinho com quem sou e que consigo sentir as mais variadas emoções. À medida que vou escrevendo as histórias vou sentido o que estou a escrever. Dou por mim a rir, a chorar, a comover-me e até a irritar-me. É exatamente na escrita que perco a noção do tempo, da fome, da sede e do sono. E quando perdemos a noção do que estamos a fazer … está tudo dito.

Como é que surgiu a escrita na tua vida?
A escrita surgiu desde cedo. Mas só há cerca de quinze anos percebi que escrever me fazia bem. Que me acalmava a mente e me arrumava as ideias. Depois foram surgindo uns blogs e umas colaborações de escrita aqui e ali.

Publicaste recentemente uma obra “Organiza-te no Amor”. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
O “organiza-te no amor” é um livro simples e prático que apela ao amor-próprio. Traduz-se num processo de desenvolvimento pessoal onde o foco é a necessidade de existir amor-próprio nos relacionamentos. À medida que vou falando do processo vamos acompanhando a história de encontros e desencontros entre o Paulo e a Teresa.

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Como surgiu a ideia para o escrever?
O “organiza-te no amor” surge na sequência do desenvolvimento da minha profissão enquanto coach e do facto de independentemente do objetivo de quem me procura, a questão dos relacionamentos ser algo que acaba por surgir. E, também resultado de um processo pelo qual eu própria passei.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tenho recebido as mais variadas reações. Na grande maioria existem tomadas de consciência, mas o feedback recorrente é que é um livro para se ter sempre à mão.
O melhor feedback foi quando recebi a mensagem de alguém a dizer-me que graças ao meu livro percebeu que estava num processo de violência no namoro, e que não queria fazer parte da estatística.  Só por isso já valeu a pena publicar o livro.

A que público se destina esta tua primeira obra?
A todos aqueles que se queiram conhecer melhor, e que queiram trabalhar o modo como se relacionam consigo e com os outros.

A primeira de muitas, é verdade?
Sem dúvidas. Acredito que seja a primeira de muitas. Ideias não me faltam.

Pensas em publicar novamente?
Penso. Já está começado e faz parte de um projeto que tem por base a ideia de que todos podemos fazer da nossa vida inspiração, e todos podemos inspirar os outros.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Aqui hesito entre o livro de contos ou o romance, mas acho que o romance me iria dar muito prazer. Tenho várias pessoas a pedirem-me para fazer uma coletânea de algumas coisas que tenho escrito ao longo dos anos, mas ainda não me faz sentido.

Qual a importância que o Coaching tem na tua vida?
Antes de te responder é importante falar do modo como trabalho o coaching.  Eu trabalho coaching mais focado no autoconhecimento, autoaceitação, na autoconsciência e na autorresponsabilidade. O meu foco é que cada pessoa que me procura se conheça, se aceite, tenha consciência da sua filosofia de vida e se responsabilize pelos seus resultados. Quando isso acontece o mundo fica melhor. E, poder contribuir para um mundo melhor através do coaching já responde a esta pergunta, certo?

E a escrita?
Quando era miúda adorava ver a série policial “crime, disse ela” onde a protagonista escreve livros ao mesmo tempo que resolve crimes. E, eu imaginava-me uma Jessica Fletcher, sempre a viajar para promover os livros e a escrever. Penso que todas aquelas histórias me conduziram ao ponto em que estou hoje.
Reconheço que a escrita é, muitas vezes, relegada para segundo plano, e quando isso acontece sinto-lhe a falta. Sinto a falta das letras, das ideias e das histórias que vão surgindo na minha cabeça. Até porque quanto mais escrevo mais vontade tenho de escrever. Como já referi anteriormente a escrita faz-me perder a noção do tempo e do espaço. Embrenho-me de tal forma que perco a noção da realidade.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Já fiz umas colaborações em alguns sites, e escrevi em parceria com outras bloggers um livro dentro do projeto “Fábrica de histórias”. Contos a várias mãos. Uma experiência muito interessante e que serviu para me desinibir neste mundo da escrita.

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Adoro ler e ter de escolher um único livro é doloroso, mas vou ter de eleger “Os Maias” do Eça de Queiroz.

Sobre que temas te debruças para contares histórias, sendo que te autointitulas como uma contadora de histórias?
Temas do dia-a-dia que fazem parte da vida da pessoa comum.

O que é para ti ser blogger nos tempos atuais?
Ser blogger nos dias que correm é ser um influenciador de ideias e de tendências.

O que é que domina a tua vida?
A minha família e a paixão que tenho pela vida. Procuro ter sempre presente que todas as escolhas devem ser feitas por amor e não por medo.

O que é que o público em geral pode esperar de ti para o futuro?
Fiz 50 anos há cerca de dois meses, e depois de alguma reflexão percebi que à medida que vou avançando na idade se torna mais fácil assumir vontades, posturas e causas, ou seja, tornamo-nos mais alinhados com o nosso ser, a nossa essência. Acredito que o que o público pode esperar de mim é, acima de tudo, autenticidade.

Descreve-te numa palavra:
Confiança … sou uma pessoa que confio imenso na vida, no universo e nas pessoas que me rodeiam. Confiar tem-me permitido ser persistente e resiliente e é esse comportamento que me tem permitido colher os frutos que tenho colhido. Sem dúvida, confiança!

PODES CONHECER MELHOR A AUTORA ATRAVÉS DO SEU SITE (AQUI) E DA SUA PÁGINA DO FACEBOOK (AQUI)



quarta-feira, 22 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Ana Rita Nápoles


Olá, Ana Rita. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Olá, antes de mais deixe-me agradecer-lhe a oportunidade que me está a dar na divulgação do meu livro…
Respondendo às suas questões…
Desde sempre que o meu gosto pela escrita existiu, recordo-me que na altura em que andava na escola os professores pediam para escrever histórias e eu adorava, no entanto nunca valorizei a escrita ao longo dos anos…
Os anos foram passando até que com 25 anos na altura em que me tornei mãe, achei que seria engraçado escrever uma história sobre ela para oferecer aos convidados por ocasião do seu batizado…4 anos depois, quando nasceu o meu Salvador achei que seria engraçado escrever uma história também para oferecer, no entanto, desta vez quis realizar uma história infantil com ficção para as crianças, mas tendo por base a história verdadeira e as passagens que aconteceram ao longo da gravidez, assim escrevi “Uma estrela brilhante”, uma história escrita com o coração e ilustrada pela minha princesa.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo levo o coração e a emoção na ponta da caneta, com a escrita liberto-me e deixo-me levar por aquilo que de melhor existe em mim, mesmo nas alturas que me sinto mais em baixo, a escrita ajuda-me a libertar tudo o que estou a sentir, e, nessa altura sinto-me realmente realizada e feliz…

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Penso que a escrita enquanto pessoa não mudou nada em mim, pois continuo a ser a pessoa que sempre fui, sou uma pessoa simples e não acho que por escrever sou mais do que alguém, apenas tenho a facilidade de escrever o que me vai no coração…

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Agora que dizem que sou escritora espero sinceramente que a minha escrita ajude todos aqueles que a leem a libertarem-se e a serem mais felizes… Gosto quando me dizem que a minha escrita tem boa energia… sinto que realmente estou no caminho certo, pois tenho como objetivo de vida gerar sorrisos e boa disposição… Quando acreditamos coisas boas acontecem e eu acredito todos os dias que com a escrita irei muito longe… A minha viagem enquanto escritora ainda está muito no início, no entanto, todos os dias aprendo algo novo e genuíno, aprendi principalmente que o amor move montanhas… pois foi com amor que esta história foi escrita e é com amor que todos os dias a apresento nas escolas, o feedback tem sido maravilhoso…
Os sorrisos que recebo de todas as crianças e pessoas que assistem à apresentação do livro são maravilhosos e os abraços que daí surgem fazem com que acredite que realmente é possível fazer o mundo todos os dias um bocadinho melhor, afinal são as pequenas coisas que fazem a diferença…

Na tua biografia denota-se uma grande ligação à arte e à família. Qual a importância da arte e da família na tua vida?
Desde muito cedo que a arte esteve presente na minha vida, os desenhos, os teatros, os trabalhos manuais sempre estiveram comigo desde que me lembro… bem pequenina fazia teatros, danças, trabalhos manuais para apresentar e ofertar á família que sempre me apoiou nesta minha aptidão. A criatividade sempre me foi incentivada por todos.
Quanto à família, ela é sem dúvida nenhuma o meu pilar desde o primeiro dia, é com ela que todos os dias eu choro, rio, barafusto, abraço… A minha família é o combustível diário que necessito para acreditar que amanhã vai ser melhor que hoje, sem ela tudo isto que está a acontecer neste momento da minha vida não era possível.

Publicaste, sob a chancela da Emporium, o livro “Uma Estrela Brilhante”. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
O livro “Uma Estrela Brilhante” é um sonho tornado realidade, ele fala-nos de um menino chamado Salvador que vivia sozinho numa pequena estrela brilhante, Salvador tinha o sonho de ser um menino de verdade e ter uma família. Um menino corajoso que arriscou e nunca desistiu do seu sonho até o conseguir alcançar… É um livro de incentivo a nunca desistirmos dos nossos sonhos por mais difícil que o caminho seja… Ainda é muito importante referir que este livro é todo ilustrado pelos magníficos desenhos da minha filha Anita de 9 anos, o que me orgulha e enche o coração!

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É um livro voltado para o público infantil. O que te levou a escrever para esta faixa etária?
Sou animadora sociocultural e o trabalho com crianças e idosos sempre me fascinou, o livro ser direcionado para crianças deveu-se ao fato de eu querer presentear os meus filhos com algo feito por mim para eles que são crianças e que estão na idade de sonhar e não desistirem dos seus sonhos. Por outro lado quis incentivar a leitura, acho que a leitura é extremamente importante em todas as idades, mas na infantil é um incentivo à cultura e à criação de um mundo melhor.

A tua escrita é puramente ficcional ou está intimamente ligada a ti?
Por norma tudo aquilo que escrevo está intimamente ligado a mim, quer sejam vivências minhas quer situações que me tocaram de alguma maneira…Eu escrevo com o coração…

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O feedback tem sido fantástico, as crianças têm vibrado com a história nas escolas, os sorrisos, os abraços, o carinho recebido, fazem-me crer que foi algo surpreendentemente bem conseguido, o que me deixa muito feliz…
Sou animadora sociocultural de profissão e desde a minha ida ás escolas, as festas de aniversário têm surgido, e a minha chegada às festas é sempre vista como a menina da estrela brilhante o que me orgulha imenso…
Receber telefonemas de pais a dizer que os filhos adoraram a história e querem um livro para eles é um sentimento sem explicação…
Ouvir crianças a dizer que vão guardar a semanada para comprar o livro é sem dúvida o sonho realizado quer pela leitura que incentivei, quer pelo trabalho que efetuei e que deu os seus frutos. É extremamente gratificante, sinto que realmente o caminho é este, gerar sorrisos é aquilo que quero fazer hoje amanhã e depois.

E como está a correr a tua experiência no mundo editorial?
O mundo editorial tem sido uma verdadeira surpresa, tenho realizado feiras do livro, e aquilo que recebo dos leitores é fantástico, chegarem até mim porque querem o meu livro emociona-me cada vez que isso acontece.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
No âmbito da escrita tenho realizado alguns textos para um blog de escritores “Páginas Partilhadas” e adoro… Todos os meses é nos dado um tema para escrever, posto isto os textos vão sendo publicados ao logo do mês seguinte…
A criatividade, o desafio é o que me incentiva a escrever mais e mais sem vontade de parar de percorrer este caminho que tem sido tão bonito…
Há poucas semanas comecei também a colaborar com outro blog intitulado de “Histórias com 77 palavras” giríssimo e desafiante, no qual temos de escrever uma história com 77 palavras não mais….
É, nos dado o tema ou as palavras que deve conter, a partir daí o céu não é o limite…
Nunca pensei que o mundo das letras fosse tão bom para viver e ser feliz…

Gostas de ler?  Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O gosto pela leitura apesar de fomentado nunca foi uma parte favorita, no entanto acho que se tivesse de escolher um livro para a vida não o conseguiria fazer pois em cada livro lido é retirada uma frase, um sentimento, uma ideia que fica para o nosso dia-a-dia como aprendizagem.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Não tenho temas favoritos para escrever gosto de escrever com o coração apenas, o tema esse não é prioritário desde que escreva o que sinto acerca do que estou a escrever.

Pensas em publicar novamente?
Claro que penso em publicar novamente, inclusive já estamos a preparar o próximo livro também infantil, a minha artista já está a desenhar acerca do amor que nos une uma à outra…
É um livro de amor onde existe um alerta para as crianças no que se refere ao abuso infantil.
Ainda está tudo embrionário no entanto o objetivo é publicá-lo a seu tempo...

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Escrever noutro género é algo que me entusiasma, talvez reunir uma série de textos escritos por mim e fazer um livro de pensamentos, confesso que é algo que penso, uma vez que os leitores destes textos dizem falar muito ao coração e transmitirem algo.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
O futuro é algo que me espera de braços abertos e acredito que coisas boas surgirão nesta minha paixão tão recente. Espero que os meus leitores me continuem a acompanhar neste caminho, para eles o que digo apenas é que continuarei a escrever com o coração como até agora o fiz.

Descreve-te numa palavra: descrever-me numa palavra é difícil…. Talvez acreditar seja a palavra pois acreditei e consegui realizar o meu sonho … Acredito todos os dias que o amanhã vai ser melhor que hoje … “Com o coração vemos e sentimos coisas que já mais estarão perante os nossos olhos…”             

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Ana Ribeiro

Olá, Ana. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: na tua biografia partilhas que começaste a escrever muito jovem, em diários? Como recordas esse início no mundo da escrita?  
Recordo-o com alguma nostalgia. Sempre fui uma miúda muito tímida e essa timidez fez com que sofresse de bullying na escola, em vários anos, e na faculdade, o que deixou uma marca muito forte em mim tornando-me numa pessoa reservada e com alguma dificuldade em comunicar com os outros. Lembro-me que o meu primeiro diário me foi oferecido num aniversário aos nove ou dez anos e um dia, sem nada que o fizesse prever, decidi começar a escrever, queria experimentar a sensação de escrever um diário. Era naquelas folhas que guardava as alegrias e as tristezas que ia vivenciando e que desabafava as coisas porque ia passando. Os diários eram o meu refúgio.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Felicidade plena e realização pessoal.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita ajudou-me a gerir melhor a timidez, a descobrir o prazer de comunicar com as pessoas e a dar mais valor ao que escrevia; porque eu escrevia essencialmente para mim e não dava grande valor ao que escrevia. Eram coisas minhas. No fundo, deu-me autoestima.

E enquanto escritora, o que tens aprendido? 
Em qualquer profissão é preciso ser-se persistente, fazer muito mais e melhor e trabalhar-se muito para se conseguir atingir os objectivos. Um escritor não foge a essa regra porque o mercado é bastante forte e competitivo e aparecem cada vez mais jovens autores e não é fácil vingar. Ser escritor é um enorme desafio porque estamos constantemente a ser postos à prova, é necessário trabalhar muito, ter muita paciência, ser-se persistente, resiliente e ter a abertura e a capacidade de experimentar coisas novas, géneros literários diferentes, por exemplo, adaptando-se assim às circunstâncias.

Foi com a poesia que te iniciaste na publicação, através do título Diário de Uma Vida. Como encaras o processo de escrever poesia?
Escrever poesia é mais fácil e mais leve do que escrever prosa, por exemplo, que é um género mais exigente, com regras mais específicas, onde temos que dar mais atenção aos pormenores; a poesia é um género que mexe mais connosco, com as nossas emoções e sentimentos.

Seguiu-se o teu primeiro romance, “Um Amor Inexplicável” e, mais recentemente, “Ao Teu Lado”. Podes falar-nos um pouco destes romances?
“Um Amor Inexplicável” aborda a temática da doença oncológica num jovem. João Pedro tem 18 anos, é surfista e aficionado por música; porém, quando ele menos espera vai deparar-se com um diagnóstico de leucemia. Nas entrelinhas da sua batalha vai surgir o amor por Laura, uma jovem que frequenta a mesma escola que ele e que o vai apoiar nesta fase difícil.
“Ao Teu Lado” é uma história menos dramática que fala da amizade, de valores essenciais e claro do amor. Ana e Miguel são duas crianças muito diferentes: Ana viveu sempre em Lisboa e Miguel numa aldeia alentejana isolada. Vão cruzar-se numas férias de Verão e se as diferenças os poderiam desunir, neste caso vão uni-los e fazer nascer uma amizade sem igual. Será que eles conseguirão ser amigos para sempre? Durante aquelas férias, eles vão aprender imensas coisas importantes; entretanto, Ana e Miguel crescem e a amizade intensifica-se, tendo que ultrapassar diversos obstáculos para se manter firme, transformando-se mais tarde num amor sem igual.

Como é que estas duas histórias se interligam?
Ana e Miguel de “Ao Teu Lado” surgem em “Um Amor Inexplicável”. Ana é a médica de João Pedro e Miguel, apesar de não trabalhar no meio hospitalar, gosta de fazer voluntariado com crianças e vai ajudar João Pedro a superar a doença. Para além disso, Miguel e Laura conheceram-se durante a adolescência de Miguel quando ele viajou com amigos a Itália. Vão reencontrar-se anos mais tarde.

Como encaras o processo de edição em Portugal?
Infelizmente é um processo injusto e ingrato. Os jovens autores ainda são pouco apoiados em Portugal. O mercado livreiro dá preferência aos autores e figuras públicas que lhes dão lucros imediatos, não dão oportunidade aos jovens autores porque vendem pouco e não são conhecidos.  No mercado editorial, a grande maioria das editoras da actualidade (editoras Vanity Press) são editoras para as quais os jovens autores são uma simples forma de ganharem dinheiro, e os nossos manuscritos são apenas um número. São editoras que procuram publicar muitos livros e ganhar dinheiro com isso. O preço para publicar um livro é demasiado alto, estas editoras esquecem-se que muitas vezes um jovem autor ainda não trabalha e que investe as suas economias num sonho. O trabalho executado nem sempre é satisfatório porque a revisão da obra não é rigorosa e nem sempre o livro chega ao mercado. Ser autor em Portugal é muito difícil porque não existe igualdade de direitos.


Lançaste-te numa edição de autor do título “Ao Teu Lado” na Amazon. Como está a correr essa experiência?
Está a correr razoavelmente bem. Tenho consciência que não é fácil vingar lá fora, sendo uma jovem autora desconhecida e com um livro em Português. Por isso, as coisas têm corrido a um ritmo lento. 

Escrever é, sem dúvida, a tua essência, tanto que publicaste um e-book há relativamente pouco tempo, Escreviver, onde compilaste vários trabalhos que criaste ao longo dos anos. Como tem sido a reação dos leitores face a este novo trabalho?
As pessoas reagiram bem; quer os poemas, quer os contos foram bem recebidos. É um trabalho diferente que contempla três géneros literários diferentes: prosa, poesia e um pequeno guião de teatro que escrevi que é uma surpresa no final do livro. Queria muito quebrar o ciclo de publicação de romances.

A tua escrita é puramente ficcional ou está intimamente ligada a ti?
Está quase sempre intimamente ligada mim: ao que gosto, às pessoas que me rodeiam, as situações que vivenciei e passei. Gosto de ir buscar inspiração a tudo isso para escrever as minhas histórias.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Participei em algumas colectâneas. E escrevi um pequeno guião de teatro alusivo ao tema do Natal que era algo que queria muito experimentar.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa é uma escolha difícil. Escolheria o “Cal” do José Luís Peixoto, foi o primeiro livro dele que li e marcou-me profundamente. É dos meus preferidos.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? 
Amizade, Amor, saudade e perda.

Pensas em publicar novamente? 
Sim, mas não para já. Tenho já algumas histórias finalizadas; porém, sinto que preciso de um tempo de pausa. “Ao Teu Lado” exigiu muito de mim na preparação do texto para poder chegar à Amazon.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Infantil. Ainda não experimentei escrever para crianças e gostava muito.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Sinto que ainda tenho muitas histórias para contar e muitos textos para escrever. Por isso, espero a longo prazo ter algo inédito para lhes mostrar.

Descreve-te numa palavra: 
Sonhadora.



sábado, 18 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Analita Alves dos Santos

Fonte: Emporium Editora
Nasceu na Alemanha, a 20 de outubro de 1974. Tem como formação base uma licenciatura em Marketing e uma Pós-Graduação em Gestão. Começou por trabalhar no setor das Viagens, foi formadora, organizadora de eventos e desempenhou cargos de diretora de Marketing e Comunicação na área do Turismo. A leitura e a escrita foram sempre as suas grandes paixões. Desde pequena que sonha escrever livros e partilhar as suas histórias com miúdos e graúdos. Mora no Algarve, é casada e mãe de duas filhas que a inspiram todos os dias a imaginar histórias com significado. Assina mensalmente uma coluna de opinião no jornal online Sul Informação sob o mote “Mãe preocupada com o Ambiente”. A Irmandade da Rocha - Daniela e o Ouriço-do-mar é a sua primeira aventura literária no universo infanto-juvenil. Complementando o seu trabalho de autora, realiza regularmente ações de incentivo à Leitura e à Educação Ambiental, junto de escolas, bibliotecas públicas e feiras do livro.

Olá, Analita. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? 
Obrigada pelo convite. É com imenso agrado que estou aqui convosco, a dar-me a conhecer um pouco melhor. 
Desde que comecei a ler, comecei a gostar de escrever. Na escola primária adorava fazer redações e muito cedo, comecei a escrever pequenos versos, depois, pequenas histórias. Há medida que os estudos foram avançando, era nas disciplinas que exigiam maior capacidade de síntese e argumentação escrita que conseguia alcançar melhores resultados, como História, Geografia, Ciências da Natureza, Português, Filosofia. Já em Matemática e Físico-Química os resultados não eram tão bons, apesar de não ter negativas! Na Faculdade, aconteceu o mesmo. E quando comecei a trabalhar na área do Turismo, a escrita continuou presente – escrevia artigos para revistas, comunicados de imprensa, textos para websites… Escrever, tem desde sempre, ocupado um espaço importante na minha vida. 

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Quando começo a escrever, sinto uma vontade enorme de continuar - não parar - até a história estar terminada. Um dia, ao conversar com um escritor português bem conhecido, ele disse-me que para conseguir escrever, era necessária uma certa dose de obsessão, e eu concordo plenamente - o exercício da escrita, exige mesmo, obsessão.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? 
Escrever, ajudou-me a ser mais organizada e metódica. Como para escrever é preciso ler bastante, a escrita tem-me levado a conhecer diferentes realidades, formas de estar e pensar. 

E enquanto escritora, o que tens aprendido? 
Tenho aprendido a admirar cada vez mais, os grandes escritores e as grandes obras literárias. Escrever não é fácil. Não, quando se pretende escrever de uma forma séria e constante. 

Tens algum ritual de escrita? 
Sim. Quando estou em processo criativo, preciso de tempo sozinha – no mínimo, duas horas e tenho, obrigatoriamente, de escrever duas páginas por dia. Pode parecer pouco, mas para quem trabalha a partir de casa e tem duas crianças pequenas, a organização do tempo é umas das grandes dificuldades. 

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? 
É uma necessidade, porque pretendo escrever histórias com significado que possam inspirar e fazer a diferença nos leitores. 

Após uma licenciatura e uma pós-graduação, começaste por trabalhar no setor de Viagens e desempenhaste, inclusive, cargos de diretora de Marketing e Comunicação na área do Turismo. Qual a importância que estas áreas têm na tua vida?
Presentemente, o meu trabalho na área do Turismo está focado na empresa do meu marido que realiza passeios turísticos de sidecar no Algarve. Houve um momento da minha vida, em que tive de fazer uma escolha entre a carreira profissional e a família – a vida dos profissionais de Turismo - principalmente com cargos de chefia - pode ser bastante desgastante e eu cheguei a um ponto de viragem, em que precisei de optar. Optei pela família e sinto-me muito grata por essa escolha, pois hoje tenho duas filhas fantásticas e mais tempo disponível para me dedicar ao que realmente me preenche e realiza – a escrita. Claro que isto implica um certo downsizing no estilo de vida, mas com o tempo, acabamos por nos adaptar. 

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritora?
Sim. Claro. Trouxe-me experiências de vida que me enriqueceram como pessoa, além do exercício quase diário da escrita, apesar de num contexto mais comercial. 

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Recentemente, publicaste “A Irmandade da Rocha”, uma obra para o público infantil e que cujo tema fulcral é o ambiente. Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
A publicação do livro “A Irmandade da Rocha – Daniela e o ouriço-do-mar” está diretamente relacionada com outra das minhas grandes paixões – a Natureza. Tal como ler e escrever, a Natureza, os animais, o Ambiente, sempre fizeram parte de mim. Tive a sorte de ter uma mãe proveniente do interior Algarvio - da Serra de Monchique – e um pai do litoral – próximo de Portimão - o que me permitiu, à medida que fui crescendo, ter um pé na serra e outro no mar. Para uma criança curiosa como eu era (e sou!) isso foi marcante. Aprendi desde cedo a respeitar todas as formas de vida. Escrever este livro foi uma forma de passar uma mensagem às minhas filhas e a todas as crianças: a mensagem que todos os seres vivos, mesmo os mais pequenos, merecem viver e serem protegidos. Aprendi a nadar, praticamente ao mesmo tempo que aprendi a andar, por isso, o ambiente marinho exerce sobre mim um grande fascínio. Cresci a brincar nas poças de maré e a proteger os camarões e os pequenos peixinhos que muitas crianças insistiam em capturar! Na verdade, eu sou a Camila da história, a super-heroína do Ambiente e quero que todas as crianças que lerem este livro, também sejam super-heróis, mesmo sem capa ou máscara!

Como surgiu a ideia para escrever este livro?
Como disse anteriormente, a ideia de escrever este livro, veio das minhas vivências enquanto criança e do desejo de passar uma mensagem de educação ambiental às minhas filhas e a todas as crianças. 

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Bastante positiva. O livro está praticamente a entrar na segunda edição, sem ter chegado ainda sequer ao mercado livreiro nacional. O facto de o livro ter sido escolhido pela Biblioteca Municipal de Portimão para a Semana da Leitura 2019, na iniciativa “Hoje Leitor, amanhã Leitor”, promovida Plano Nacional de Leitura, que decorreu de 11 a 15 de Março, onde estiveram mais de 1000 alunos, em 17 sessões, ajudou-me a perceber bem a recetividade das crianças e dos adultos: todos deixaram-se cativar pela história e adoraram as ilustrações. No final da apresentação, já sabiam os nomes das personagens e muitos foram os que me perguntaram logo pela continuidade da história da Irmandade da Rocha! 

Assinas mensalmente uma coluna de opinião no jornal online Sul Informação sob o mote “Mãe preocupada com questões ambientais”. Podes partilhar um pouco dessa experiência? 
Estou a apreciar bastante. Sempre que escrevo um novo artigo, sinto uma enorme responsabilidade por cada palavra que uso, começando, pelo tema que escolho. Agradeço imenso a oportunidade que me foi dada pelo Sul Informação pois pretendo também aqui, fazer a diferença nos leitores, sensibilizando-os para questões tão variadas como o problema do plástico, a importância da reciclagem, o desperdício alimentar, etc. Sem esquecer, as causas locais ambientais, como foi o caso recente de um projeto de loteamento turístico que existia para uma zona verde de Portimão, junto à falésia, conhecida por João d’Arens, que felizmente, acabou por ter uma Declaração de Impacto Ambiental desfavorável, muito graças a um enorme movimento de cidadania que se juntou em torno desta causa. 

Sobre que temas te debruças para criares as tuas histórias, para além das questões ambientais?
Todos nós temos uma história que merece ser contada! A vida, só por si, proporciona-nos um manancial de inspiração e de temas. Basta estarmos atentos. 

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Sim. A minha editora, a Editora Emporium, vai lançar uma coletânea de contos, onde será possível descobrir uma outra faceta da minha escrita. Tenho outras histórias na manga, mas para já, não quero revelar muito mais...!

Gostas de ler?  Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Sim. Gosto bastante de ler. Acredito que quanto mais se lê, melhor se escreve. Ultimamente, tenho tido alguma dificuldade em escolher novos livros e novos escritores. Quando já se leu livros de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Gabriel Garcia Márquez, Luís Sepúlveda, Aldous Huxley, Patrick Süskind, Ernest Hemingway,  Isabel Allende, Laura Esquível, entre outros grandes nomes da literatura nacional e internacional, parece que é difícil encontrar histórias “à altura”. Claro que existem outros grandes escritores e grandes livros, provavelmente, eu é que não tenho procurado bem! Por exemplo, Carlos Ruiz Zafón e “A Sombra do Vento”, foi um livro que me recomendaram e que me surpreendeu bastante pela positiva. Mas, o meu escritor preferido é mesmo, José Saramago. Os seus livros fascinam-me - as suas histórias por vezes até tão simples, mas tão geniais, são inesquecíveis. Acho que ter só um único livro para ler, seria muito triste e aborrecido, mas se tivesse que escolher mesmo, mesmo, escolheria o “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago!

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? 
Julgo estar ainda numa fase de amadurecimento em que me é difícil especificar temas de preferência.

Pensas em publicar novamente? 
Sim. Claro! O segundo livro da Irmandade da Rocha, já está em preparação. E já tenho em mente, a história para o terceiro. 

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Já escrevi alguns contos, portanto, o grande desafio seguinte, é o romance. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Podem esperar uma Analita ativa e interventiva no mundo literário português!

Descreve-te numa palavra: persistente. 


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Francisco Mellão Laraya


Francisco Mellão Laraya é natural de São Paulo, Brasil. É formado em Direito. Músico, iniciou o curso de violão clássico no Conservatório Beethoven, onde se formou e fez pós em interpretação no Mozarteum. Francisco cruzou o oceano e trouxe a sua literatura para as terras dos seus antepassados, em Lisboa, e hoje responde a algumas perguntas no blogue.

Olá, Francisco. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? Escrever para mim era uma necessidade, com poucos anos fiquei surdo e voltei a escutar, parcialmente, aos 15 anos graças a uma cirurgia. Então, meus melhores amigos eram os livros, e a escrita uma forma de expressão que sempre valorizei.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? Paz.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? Escrever é como uma psicoterapia, e este processo de auto-conhecimento me trouxe paz, que procuro transmitir a quem me lê.

E enquanto escritor, o que tens aprendido? A deixar a alma solta, a acreditar mais que Deus mora dentro de cada um.

Tens algum ritual de escrita? Ser sincero com meu leitor e comigo.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? Escrever é uma necessidade psíquica, se procuras o sustento com literatura no Brasil, mude de ramo.

Licenciaste-te em Direito. Qual a importância que esta área têm na tua vida? Enorme, foi em Direito que aprendi a questionar entre o certo e o errado, o bem e o mal.

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritor? Teve e tem, a faculdade tem um recreio onde os alunos expõem para os outros suas dúvidas, sobre aulas cheia de dúvidas, além de ser cultuada na faculdade que fiz, a profissão do escritor em outros cantos no Brasil é um marginal.

Mesmo sendo natural de São Paulo, Brasil, foi em Lisboa que deste os primeiros passos na publicação das tuas obras. Como está a correr essa experiência? Minha primeira obra foi “Textos Barrocos”, lançado no Brasil, primeiro, e com a análise do julgamento de nosso senhor Jesus Cristo, livro que causou polémica, e passei a ser maldito. O brasileiro quando perseguido pede asilo a Portugal, foi o que fiz.

O seu título mais recente, publicado em 2018.
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Já publicaste alguns livros, dentre os quais, “Tito e o Pé de Sonho", "Exames", "A Descoberta, o não tempo", "Um Sonho Dentro de um Sonho" e "Textos Barrocos". Podes falar-nos um pouco sobre estas obras?
“Tito e o pé de sonho” fala sobre a crise e conclui-se que a maior crise é moral e psíquica para cada um, o que leva à crise global. “Exames” é o primeiro rascunho desta obra que sai agora em inglês, depois ela foi melhorada, aumentada, distendida, revista e deu no que deu, o que era um desabafo sobre um tratamento de psicoterapia, virou um tratado de filosofia; “A Descoberta o não tempo” trata da procura e da descoberta de Deus;  “Um sonho dentro de um sonho”, é na verdade uma recontagem de um poema de Poe, “A Dream into a dream”, só que não é tétrico, é alegre e se revê o perdão, para os padrões cristãos, é um confronte do ser e do querer ser, são poucas linhas cheias de muito conteúdo; e por fim “Textos Barrocos”, um resumo de uma discussão jurídica sobre o julgamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, com textos sobre o Brasil no fim do militarismo, desnudo das ilusões criadas pela imprensa dos poderosos.

Estás a preparar uma edição em inglês. Podes desvendar-nos um pouco desse processo? Eu, como já disse, leio muito, e sei que mesmo o Fernando Pessoa começou a fazer sucesso quando teve um livro editado em inglês e lançado no Reino Unido. O que fiz, traduzi um livro, o mais filosófico deles e resolvi lançá-lo em inglês o que aumenta o número de leitores da minha obra.

Sobre que temas te debruças para criares os teus livros? Eu me debruço sobre a vida tanto interior, quanto exterior, o que nos remete a filosofia, religião e psicologia.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho? Não sou difícil de ler, o que ajuda na penetração do trabalho.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais? Sim, “Uma Revolução no inferno”, “O Grão de Areia”, “Em busca no tempo perdido”, “Muito Barulho por nada”, “Meu mundo e nada mais” e “L’essenza dell’anima”, na Itália, além do livro em inglês que agora lanço.

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado? Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? Filosofia.

Pensas em publicar novamente? Sim, um agora em inglês, aí tudo é uma incógnita.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias? Nunca pensei nisso.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? Sinceridade, sempre!

Descreve-te numa palavra: Sinceridade.

Descobre mais sobre o autor no seu website (AQUI)


terça-feira, 30 de abril de 2019

Na ponta dos dedos com... Mónica Guerra

Nasceu em Lisboa mas considerase Ribatejana. É licenciada em Sociologia, curiosa e observadora. Aprendeu a ler e a escrever ainda antes de entrar para a escola primária e ler sempre foi uma das suas paixões. Sempre gostou de escrever, começando por pequenos textos e publicando as suas primeiras histórias nos jornais escolares e no DN Jovem. 

Publicou o seu primeiro livro “De manhã já te esqueci” (2007), baseado na sua tese de licenciatura, e “A Prometida” (2015). “Inverno” é o primeiro volume de uma coleção que acaba de nascer sob a chancela da Emporium Editora.


Olá, Mónica. É um gosto enorme poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar, coloco-te esta questão: Como é que a escrita entrou na tua vida? 
Não me recordo de ter havido um momento concreto. Algo que tenha despoletado o gosto. Eu sempre gostei de escrever. Desde sempre. A minha avó paterna comprou-me os livros de exercícios do Papu (que ainda guardo) e ensinou-me a ler e a escrever, ainda antes de entrar para a escola primária. Passava todo o tempo livre a ler e a escrevinhar qualquer coisa. Lembro-me de escrever diários, diários de viagens, de férias. De fazer cópias. Só pelo prazer de escrever. Não havia prenda melhor que um caderno bonito e um lápis ou caneta nova. Depois comecei a escrever pequenas histórias e contos. 

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita moldou-me enquanto pessoa. Tornou-me atenta ao que me rodeia. Fez-me estudar, investigar, descobrir. Querer saber sempre mais. Quando quero escrever sobre determinado assunto, passo muito tempo a estudar, a investigar, pesquisar. Quando escrevemos entramos num mundo muito amplo onde o tempo deixa de existir.  

E enquanto escritora, o que mudou?
Eu sempre fui muito “bicho do mato” e a grande mudança na minha personalidade desde que comecei a editar e me “assumi” como escritora foi o ter-me obrigado a perder o medo e a timidez. A enfrentar as pessoas, as criticas e os elogios. 
Inverno, Nov 2018 (Opinião em breve no blogue)

O teu primeiro livro “De Manhã Já Te Esqueci” foi publicado em 2007. Em 2015, “A Prometida”. E agora sob a chancela da Emporium Editora nasce “Inverno” (COMPRAR AQUI) . Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
“Inverno” foi a viragem no meu processo de escrita. Foi um desafio a todos os níveis. Primeiro porque é um romance, é um livro mais extenso, completamente diferente dos contos e histórias que escrevia. envolvi-me muito nele, foram muitas horas, muitos dias. Muitos cenários. Muito escreve/apaga. Quando ia a meio olhei para trás e reli tudo o que tinha escrito. Odiei. Parecia-me um disparate pegado. E reescrevi tudo de novo. Depois pareceu-me muito romance, muito chato e resolvi dar-lhe outra volta e começar a transforma-lo numa espécie de romance de aventuras, mais movimentado, mais dinâmico. E surgiu então a ideia de começar a entrar num ritmo de espionagem, de missões, de espiões de sociedades secretas, de ordens militares. Veio-me tudo á cabeça. E ai as coisas tomaram um rumo completamente diferente onde me senti muito bem e com muito á-vontade no processo de escrita. A partir do momento em que descobri o que realmente queria, o processo criativo tornou-se muito mais rápido e muito mais fácil. E as criticas ao manuscrito, o apoio que tive, transformaram aquilo que ia ser apenas um livro no inicio de uma série de quatro livros: “Inverno”, “Primavera”, “Verão” e “Outono”. O fio condutor das histórias é o mesmo, mas cada livro irá desenvolver uma aventura própria, com personagens próprias.  Do livro anterior saltarão no máximo duas a três personagens que serão as protagonistas desse livro e cada historia começa num dia dessa estação e avança ao longo dos anos. O que vai ser muito desafiante porque vai permitir-me envolver as minhas personagens em factos históricos. 

Como surgiu a ideia para escrever este livro?
Não surgiu. Eu não acordei de manhã e decidi que ia escrever este livro. Na realidade nem me lembro de quando comecei a escrevinhar o inicio da história nem porquê nem onde. Simplesmente comecei a escrever uma história ( mais uma ) e o novelo foi crescendo, crescendo até que fiquei completamente envolvida nele. E não conseguia parar de escrever. Na noite em que terminei o livro, em que escrevi a ultima palavra e gravei senti-me muito feliz, orgulhosa deste trabalho. Senti que tinha feito algo bom, bonito e pelo qual valia pena arriscar a minha comodidade e sair da minha zona de conforto, expor-me ao mundo literário, ás criticas, as pessoas. 

Que dificuldades encontraste no processo de escrita?
Como já referi, a principal dificuldade foi o encontrar o ritmo certo, aquilo que eu queria. Não queria um romance chato nem monótono, previsível, onde uma pessoa quando vira a página já sabe o que vai ler a seguir. O que eu pretendia e espero ter conseguido, é fazer o leitor virar a página em espectativa a pensar “o que vai acontecer a seguir? “

A tua história é inteiramente ficcional ou tem conotação pessoal?
É inteiramente ficcional. Saiu tudo de dentro da minha cabeça. Nada de experiências pessoais, nada biográfico. Tudo ficção. Até porque eu não acredito em romances nem no “felizes para sempre”. 

Mónica, falemos um pouco da escrita a nível emocional, o que sentes quando escreves?
Tudo. Felicidade, paz, angustia, nervosismo. É um turbilhão de emoções. Eu construo a personagem, dou-lhe um nome uma personalidade e depois é como se ela vivesse dentro da minha cabeça ou encarnasse em mim. Dou comigo a falar com elas a pensar e a sentir as coisas como elas as deveriam sentir. Tenho diálogos com elas. De repente a minha casa enche-se de pessoas. Durante o processo de escrita as personagens tornam-se tão reais que até parece que vou esbarrar com elas no corredor. Já aconteceu eu trocar o nome da gata. Em vez de chama-la pelo nome dela, chama-la pelo nome de uma personagem. Quando escrevo à noite e tenho de desligar e dormir porque no dia seguinte tenho de acordar cedo, a história fica no notebook mas as personagens vão comigo para o quarto. Ficam ali em cima da cama aos pulos. Não me saem da cabeça. 

O que é mais prazeroso na escrita?
A liberdade. 

Tens algum ritual de escrita?
Não. Nem por isso. Por norma escrevo durante a noite. Quando á silencio. E para cada história nova compro um caderno novo, bonito, onde tomo as minhas notas, faço apontamentos, como se fosse um road book daquele trabalho. 

Como definirias esta arte na tua vida?
Felicidade. Escrever faz-me feliz. 

Se só pudesses ler um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
“Verónica decide morrer” de Paulo Coelho. 

Além da escrita, que outras paixões, nutres que te completam enquanto pessoa?
Família. Amo a minha família acima de tudo. E quando digo família não falo apenas dos laços de sangue. Falo também dos amigos que se tornaram família. 
Viajar. 
Livros. 
Fé.

Que outros trabalhos, já realizaste, no âmbito da escrita?
Editados: “De manhã já esqueci” foi o primeiro que editei, um trabalho ficcional baseado na minha tese de licenciatura e “A Prometida” que foi escrito durante a minha adolescência e resolvi editar como ebook para “ver como corria”.  Neste percurso também já escrevi cronicas para jornais regionais, opiniões e fiz pequenos textos para o extinto DN Jovem. 

Como vives o contato com o público?
Acho que estou a melhorar, mas ainda me sinto envergonhada.

Já pensas no próximo livro?
Já estou a escrever o próximo livro.

Enquanto escritora quais os objetivos que mantens?
O meu principal objetivo é que quem leia o meu trabalho, o faça com gosto, que goste do que está a ler, que durante aquele tempo esteja descontraído, se sinta bem. Que seja um prazer mergulhar no meu mundo literário.

Se tivesses de escrever noutro género literário, qual o desafio ao qual te proporias? 
Talvez escrever poesia. Não me sinto nada confortável a escrever poesia. Gosto muito de ler poesia, mas escrever não consigo.

E para finalizar, que mensagem gostarias de passar aos teus leitores e seguidores deste espaço?
Agradecer. Agradecer por lerem aquilo que eu escrevo. Espero sinceramente que gostem.  

Agradeço a tua disponibilidade, fazendo votos de muitos sucessos para a tua carreira e vida pessoal.
Eu é que agradeço a oportunidade de dar a conhecer o meu trabalho.

Podem conhecer mais sobre a autora na sua página do Facebook (AQUI)