quinta-feira, 19 de maio de 2016

Luz Ferreira, autora do conto Lian e a Lagarta Zen


Luz Ferreira, foto retirada do FB pessoal da autora

Luz Ferreira - Nascida e criada no Porto, foi também nesta cidade que se licenciou em Filosofia. Aos 50 anos de idade, resolveu dedicar-se exclusivamente a algo que sempre gostou de fazer – escrever. Mas, desta vez, escrever para publicar, pois ainda não o tinha experimentado.
Trabalhou em áreas muito diversas, desde o ensino até ao marketing, passando por tecnologias de informação, gestão de mercado e responsabilidade social. Os últimos 24 anos da sua vida foram dedicados a uma grande empresa multinacional, tendo sido diretora de comunicação corporativa nos últimos 11.
Acredita que a vida é uma viagem de aprendizagem ao interior de nós mesmos, de descoberta e de permanente crescimento. Acredita ainda que, nesta viagem, devemos levar uma mochila carregada de perguntas… porque são as perguntas, e não as respostas, o verdadeiro combustível de qualquer viajante.
Continua a não saber o que quer ser quando “for grande”, mas considera que não é necessário ser alguma coisa para se ser grande; ou então, que nunca se é grande para ser apenas alguma coisa.

✍ Como te iniciaste na escrita?
Escrevo desde que me lembro! Escrevia apenas para mim, mas agora resolvi partilhar, começando pelas histórias… para um público mais jovem, com mensagens para todas as idades.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
Tudo o que escrevo é parte de mim, por isso não posso fugir da conotação pessoal, utilizando nas histórias, a linguagem metafórica.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Sinto-me e vejo-me através da escrita. Por isso, sem ela faltar-me-ia uma parte.

✍ O que sentes quando escreves?
Estou comigo! É um diálogo interno. São os meus momentos diários em que o tempo é uma dádiva… o tempo que dedico a mim própria.

✍ O que é mais prazeroso na escrita?
A descoberta; conhecer-me mais; dar asas para poderem voar; a oportunidade de proporcionar realidades paralelas e mundos diferentes. Enfim, é usar o poder das palavras e fazer magia.

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever?
"Sair” do mundo em que vivemos, uma sociedade económico-financeira que nos faz mover a um ritmo stressante e que, por isso mesmo, nos desequilibra. É preciso parar, pensar e decidir o que realmente queremos. Por isso, quando escrevo tenho que, de alguma forma, desligar-me do “barulho” ou “ruído” do dia-a-dia.

✍ Tens algum ritual de escrita?
Gosto de escrever com música… para mim, escrita e música, são duas artes inseparáveis.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Nem uma, nem outra, é um querer... faz parte daquilo que sou.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Encontrei-o muito numa perspetiva económico-financeira e procuro viver nela com paixão.


Lian e a Lagarta Zen, Chiado Editora
✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
A minha experiência como escritora, com livro publicado, ainda é muito recente (o lançamento do meu livro foi a 30 de Abril, ainda não passaram 2 semanas). De qualquer maneira, o lançamento foi um sucesso e o feedback que tenho recebido é muito positivo.
Dada a minha experiência profissional anterior, como diretora de comunicação corporativa de uma grande empresa multinacional, o contacto com o público (tanto interno, como externo) era uma constante. É algo de que gosto e com que convivo muito bem.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Na minha opinião, as críticas são sempre construtivas, sejam elas negativas ou positivas. Cabe-nos a nós mudar a perspetiva com que olhamos para as críticas e aprendermos com elas.

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Valores e princípios em que acredito, sempre de um ponto de vista metafórico. Escrevo para um público mais jovem e considero que viver no tempo atual não é fácil para as nossas crianças. É uma geração sobrecarregada, obrigada a viver a um ritmo alucinante. Quero oferecer-lhes, através do que escrevo, poderem saborear a idade que têm e usufruir da beleza da inocência. Precisamos ensinar-lhes a parar, fazer pausas, encarar o que sentem e a saberem lidar com os sentimentos. É urgente ensinar às nossas crianças inteligência emocional, e nada melhor, quanto a mim, que fazê-lo através de histórias.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Ler é essencial! Escrevo e leio todos os dias. A leitura abre-nos os horizontes, dá-nos conhecimento, permite-nos “viajar” sem sair do local físico, dá-nos entusiasmo, potencia a nossa imaginação… e, sim, penso que é uma mais-valia para se escrever bem.

✍ Que livro recomendarias?
Em vez de “livro” prefiro recomendar autores… e assim recomendo Sophia de Mello Breyner Andresen, Andrew Matthews, Daniel Goleman, Stephen Covey, António Damásio, Antoine de Saint-Éxupery (entre muitos outros) e, claro, os filósofos pré-socráticos.

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
“O Principezinho” de Saint-Éxupery, sem dúvida.

✍ Quais as tuas perspetivas para o futuro?
Continuar a publicar histórias, com o objetivo de passar valores e princípios em que acredito e que considero essenciais para o nosso equilíbrio. E fazer isto dirigindo-me à criança que há em todos nós, independentemente da idade.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
Viver é, para mim, a maior paixão! Por isso, transformo tudo o que faço em paixão… mesmo que, no início, não seja assim.
Bom, mas como aceito que esta resposta não seja aquilo que estava à espera, posso dizer que gosto de ler, ouvir música, dançar, meditar, fazer exercício físico, viajar, passear, conhecer pessoas, estar com os meus gatos, gosto do silêncio mas também gosto de escutar os outros (adoro ouvir histórias )… é realmente difícil dizer em poucas palavras o que gosto, porque gosto de muitas e variadas coisas, tudo o que faça parte de viver… de sentir-me viva! A vida é uma paixão!

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Que parem! Que parem para pensar… e sentir. Que aprendam e façam um esforço para pensarem e sentirem ao mesmo tempo. A sociedade em que vivemos, consumista e em que o dinheiro é o valor mais importante, não nos permite (nem tem interesse) em que pensemos com clareza. Cabe-nos, a cada um de nós, ser responsável por si próprio… e responsável pelo que passamos às nossas crianças. Para isso é preciso não nos deixarmos “seduzir” e “arrastar” pelo que nos é oferecido, para consumirmos rapidamente. Precisamos de aprender a lidar com as nossas emoções e a pensarmos com clareza, ao invés de estarmos sempre a reagir.

✍ Apenas numa palavra, descreve-te:
Amor.

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