quinta-feira, 21 de abril de 2016

Cristina das Neves Aleixo, a autora do conto Joaninha e o Jardim Encantado

Cristina das Neves Aleixo 
Cristina Das Neves Aleixo é natural do Barreiro, onde cresceu. Já adulta muda-se para Lisboa onde reside até hoje. Academicamente andou por áreas tão díspares quanto a contabilidade, a economia, o direito e as letras. Profissionalmente desempenhou as funções de rececionista, escrituraria, secretária, assistente pessoal de direção, chefia de departamentos empresariais privados; foi tradutora, relações públicas e empresária; brincou aos modelos fotográficos e publicitários e às rádios mas, secretamente e desde a adolescência, o que realmente a completava era a escrita. Com a maturidade rendeu-se à muita adiada constatação de que eram as palavras escritas que a faziam sentir viva. Perdeu a vergonha e deu-as a conhecer ao mundo. Publicou o seu primeiro livro, “Joaninha e o jardim encantado”, em Maio de 2015 com a Capital Books. Em Julho do mesmo ano deu os parabéns à editora com a participação na antologia de contos “Todos por um”, contribuindo com um policial leve: “O caso das pedras preciosas”. Prepara-se, agora, para apresentar mais uma obra, “Por amor, tudo(?)”, que estará brevemente ao alcance de todos.
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Cristina começou a escrever desde tenra idade. Foi algo que sempre sentiu necessidade de fazer, mas só na adolescência, decidiu fazê-lo mais seriamente e de forma mais cuidada. Escrevia para si, porque acreditava que as suas palavras não tinham valor para serem mostradas ao mundo. No entanto, era uma aluna exemplar a letras: desde os testes às composições, era alvo de elogios, mas dada a facilidade que tinha em escrever com tanto brio, nunca percebeu o alarido em torno dos seus escritos. Com o passar dos anos e a maturidade a beijar-lhe a alma, constatou que a sua realização pessoal implicaria partilhar com os outros o que escrevia, e assim o fez.

As histórias que tem dado a conhecer a quem a lê são fictícias. Apesar de tal, defende que os autores colocam sempre, algo seu, no que escrevem. “Creio que é inevitável pois inspiramos-nos no que nos rodeia e cada um de nós tem uma visão do mundo, do que se oferece aos nossos sentidos, o que faz com que quando narramos uma história, o façamos, pelo menos em parte, segundo essa visão. Um bom exemplo é o facto de cada autor ter uma forma de escrita diferente dos outros, aquilo a que se chama “a voz de autor”, em que facilmente identificamos este ou aquele quando os lemos. Eu defendo que isso acontece, precisamente, porque lá colocámos parte da nossa identidade; é o nosso cunho pessoal”, transmite-nos a autora.

Cristina encara as criticas sejam elas, positivas ou negativas, como forma de aprendizagem, embora o seu trabalho enquanto escritora seja alvo de apenas criticas positivas. “Para mim a obtenção de conhecimento, nas suas mais variadas formas, é a base da nossa vida, do nosso crescimento, da nossa evolução, e devemos ter a humildade suficiente para querer aprender e evoluir; assim, posso dizer que encaro muito bem. Com certeza que fico mais feliz se tiver críticas positivas, não vou ser hipócrita e dizer que pulo de felicidade com uma crítica negativa mas, o que é que se vai fazer com essa?, isso é que é importante; porque é que a positiva terá mais importância que a negativa?, porque não retirar ensinamentos das duas? Uma serve para nos mostrar que o que estamos a fazer está correto, outra serve para nos mostrar o contrário e que devemos mudar. Eu penso que a crítica, seja qual for, é essencial.”

Joaninha e o Jardim Encantado
“Joaninha e o jardim encantado”, é um livro infantil/juvenil que pode e deve ser lido por todas as faixas etárias. Um livro que transmite alguns valores que a autora considera essenciais à formação do ser humano, baseados na amizade, diversidade, amor-próprio e superação dos medos interiores.

Cristina participou também na antologia de pequenos contos da sua editora, Todos por um. Com um policial leve e divertido, O caso das pedras preciosas, tendo por personagem principal um detetive privado, ex-militar das forças especiais, que vive num apartamento, sebento e mal cheiroso, de uma assoalhada.

A história por detrás da história
O “Joaninha e o jardim encantado” é uma obra muito séria. A ideia surgiu de situações com crianças que, durante um determinado período longo da minha vida, vi e senti acontecerem à minha volta. Privei de muito perto com crianças e respetivos pais em situações variadas e complicadas de saúde, nomeadamente de doenças raras, e constatei que havia algo que era comum a quase todas: a não aceitação de si próprias e das suas limitações, tal como qualquer jovem, mas aqui exacerbado pela doença, e o sofrimento que isso provocava era tremendo pondo em causa, muitas vezes, os resultados positivos dos tratamentos. Assim nasce a Joaninha, uma menina de oito anos, sem qualquer problema na vida, a não ser não gostar dos TPC, que um dia “entra” num jardim encantado, onde todos falam e se compreendem. Aí conhece vários personagens que lhe ensinam muitas coisas importantes e encontra o Carlinhos, um menino que necessita desesperadamente da sua ajuda e que mudará a sua vida. É uma estória infantil mas escrita sem grandes infantilidades e que os adultos também têm gostado muito de ler. Nela ponho os miúdos a pensar – desafio-os mesmo – e os adultos a revisitar o mundo encantado.

A sua próxima obra já está pronta. O lançamento está para breve, espera que, antes da feira do Livro de Lisboa, onde conta marcar já presença. Por amor, tudo(?) – uma história que tanto nos agrada, sobre o amor, com contornos extremamente sérios, onde se poderá, também, questionar onde se situa o limite do que se pode afirmar que se faz por amor.


Os meus olhos dizem que... a verdadeira felicidade, aquela que nos faz sentir completos, reside no nosso íntimo; temos que o saber ouvir e ser corajosos para a resgatar e a vivermos.

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